Em Busca da Verdade




O filósofo francês René Descartes, ao estabelecer o cogito-sum, como a máxima de sua teoria, coloca a razão no centro da busca pela verdade: “Penso, logo existo”. O ser pensante teria a capacidade de encontrar através da eliminação da dúvida, a “Verdade absoluta”. Pobre gênio. O pensamento cartesiano, não resistiu ao tempo, nem ao homem, tão pouco a ciência que muda de “verdades” a cada nova descoberta.

Já Platão, em seu fantástico “mito da caverna” descreve a verdade, como a luz que desmistifica o mundo das sombras. Ao estabelecer morada na caverna, tudo que se conhece são sombras. Tais sombras são as verdades, imutáveis, até que um belo dia surge um raio de luz, ao sair da caverna, percebe-se o engano: A luz é a verdade, as sombras as aparências. Quem já não esteve nessa caverna?


 Feubarch desenvolveu um pensamento antropológico: “O homem é deus, começo, meio e fim da religião”. Não existimos quando indivíduos, mas quanto espécie, comunidade. Sozinhos, não somos nada, na coletividade somos o absoluto, divino e verdadeiro. Ou seja, a unidade da humanidade é a máxima da existência. Considerando que não existe unidade na espécie, logo, não existe homem, consequentemente, a verdade é inexistente.

A filosofia é uma busca constante pela verdade. Todo filosofo, tem em si a insatisfação com o óbvio, com o que se mostra, mas nem sempre se revela. O inconformismo, não é, contudo, um privilégio da filosofia. Em carta aos Romanos o apóstolo Paulo, aconselha: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso conhecimento, para que experimenteis qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de Deus” Rm 12:2. Ou seja, desconfie do que se apresenta como verdadeiro.

Nessa inspiração Paulina, o convite, não oferece bifurcações: Somente através da renovação, é possível alcançar a verdade absoluta: Deus. A palavra verdade, em grego, aparece diversas vezes na Bíblia. No Salmo 25:5: “Guia-me na tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação; por ti estou esperando todo o dia”. Verdade: “emet”: Certeza, estabilidade, segurança. A Verdade é o próprio Deus que proporciona conforto, segurança e firmes caminhos.

João 4:24: “Deus é espírito e importa que os que o adore, o adorem em espírito e em verdade”. Verdade “eletheia”: sincero, exato, integro, real. A verdadeira adoração é aquela que procede do íntimo, capacitada pelo Espírito Santo. Sem essa Verdade, jaz perfeição, sinceridade e integridade. A verdade seria assim uma busca fora dos limites do ser,  voltada para o alto. É a imersão do eu, no absoluto, ressurgindo em santidade.

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“Disse-lhe Jesus: eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” Jo 14:6

Encontro-me sozinha, no meio do deserto. Busco o caminho de casa; fome, sede, cansaço, frio, perigo de morte. Encontro, encobertos pela areia, escritos de: Descartes, Feubarch, Platão, Gandhi, Luther King e Mandela. Seguro firme em minhas mãos, a pequena compilação de folhas desgastadas. Agradeço por que enfim, encontrei o “mapa” da volta. Tão logo, começo a ler em voz alta, percebo que tudo não passou de um sonho e eu continuo “tendo um sonho” de sair dali. Em pranto, ergo a voz ao céu: A saída! Preciso encontra-la!

Percebo escrito à mão, em um canto da página: “Eu sou o caminho a Verdade e a vida, ninguém vem ao Pai a não ser por mim (Jesus)”.  Poderia morrer ali, ao aceitar aquelas Palavras , deixando-as penetrar em meu ser. São e salvo do fogo eterno. Eis a diferença. Eis a saída. Não existem tantas verdades. Apenas uma. Ao encontrá-La, encontra-se todo o sentido da vida.

Wilma Rejane

Sobre o Grego: Biblia de estudo Plenitude.

Um comentário:

Luciana disse...

A cada leitura uma reflexão, um aprendizado... é muito bom vir aqui e desfrutar de cada postagem.
Um abençoado fim de semana.
Bjos, Lú.

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