Quando o riso não morre: Sara e Abraão






"Abraão  em esperança, creu contra a esperança que seria feito pai de muitas nações" Rm 4:18




Wilma Rejane


Encontrei Sara em uma rua da cidade. Ela tinha cabelos grisalhos, rosto formoso e um ar de serenidade. De mãos dadas com Abraão, os olhares entrelaçavam-se cada vez que uma criança corria nos arredores. Um misto de tristeza e esperança pairava no ar.  Algum dia receberiam a dádiva de serem pais? O riso de Sara era cortado, contido, pensado. Em sua mente e coração as lembranças de algo que nunca existiu, podava sua alegria. Ter um filho era um desejo profundo do coração do casal, mas como? Ventre adormecido, avançados em idade, seria loucura ainda sonhar com um pequenino a alegrar-lhes a vida?

“Sara tinha o ventre amortecido” Rm 4:19

Abraão com cem anos, Sara na menopausa e uma promessa para se cumprir: “Olha, agora, para os céus e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhes assim será a tua semente” Gn 15:5. Cada noite que chegava e as estrelas brilhavam no céu era um convite a fortalecer a fé. Era hora de sentar com Sara, do lado de fora da tenda, sentir o vento frio do deserto tocar suas faces e abraçados sonhar mais uma vez com um herdeiro correndo por entre os carvalhos de Manre. Abraão demorava a dormir, Sara sempre se recolhia primeiro. Ele ficava marejando os olhos de lágrimas, conversando com Deus e sorrindo baixinho: “Senhor, são tantas estrelas, não consigo contá-las”. O velho Abraão, amigo de Deus enchia o coração com os sonhos de Deus para vida dele.

“O qual em esperança, creu contra a esperança que seria feito pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência. E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu corpo já amortecido (pois era de quase cem anos), nem tão pouco para o amortecimento do ventre de Sara. E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé dando glória a Deus” Rm 4:18-20.

Ele Guardou a promessa...




Abraão não lamentava a falta de um filho, mas agradecia a chegada, o nascimento. Já não era sua força, virilidade, nem tão pouco a mocidade da esposa, mas a fé. Esse fenômeno sobrenatural que nos faz ir além das possibilidades, que nos faz contemplar o inexistente como se já existisse. Pela fé, que nos conduz para bem perto de Deus, fazendo-nos contemplar a glória do invisível. Tão somente pela fé, que nos faz amar o Criador entregando-Lhe as sementes para serem regadas, com chuva do alto. A Seu tempo, a Sua estação. Somente NELE, reside o inescrutável dom de penetrar no futuro e trazer para o nosso presente os frutos da certeza, do íntimo relacionamento do mortal com a eternidade. O filho de Sara e Abraão seria herdeiro da promessa, unicamente.




“E disse: certamente tornarei a ti por este tempo de vida; e eis que Sara, tua mulher, terá um filho” Gn.  18:10


Dois anjos e o Senhor Jesus aparecem para o casal nos carvalhais de Manre, prometem voltar um ano depois, na mesma época e era páscoa, primavera. A tradução do hebraico para “por este tempo” mow’ed é “hora marcada” porque a raiz da palavra significa “compromisso”. Deus estava estabelecendo um compromisso, marcando hora, dia, estação para o cumprimento de Sua promessa.

“Pessach sempre ocorre na Primavera de Israel, época de renovação da natureza.”

O nascimento de Isaac significava renovação, também páscoa. Olhando por este ângulo, vemos uma simbologia nos acontecimentos no Monte Moriá, quando Deus ordena o sacrifício de Isaac. Ele seria uma espécie de cordeiro pascal, seu sacrifício apontaria para o sacrifício de Jesus, uma nova e viva aliança. A morte do homem velho e o novo nascimento trazendo libertação. Um desabrochar primaveril. Saída do Egito. Renúncia.

“E assim, pois riu-se Sara consigo dizendo: Terei ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo também o meu senhor já velho?” Gn 18:12



Não sei o que passou na mente de Sara no momento em que ouviu a reafirmação da promessa: por que sorriu? De incredulidade, alegria? Os mensageiros celestiais, portadores das boas novas, estranharam a reação da princesa. Este é o significado do nome Sara: Princesa. Assim Deus a havia nomeado. Trocara seu nome como um pacto de fé. Era a princesa e o pai das multidões (Abraão), amados de tal forma que desafiando todas as impossibilidades viveriam um novo tempo. Uma mudança de direção.

A caminhada no deserto, guardava surpresas, encobertas pela poeira, mas tão vivas e claras para Abraão que era possível ver ele sorrir sozinho visualizando seu futuro.



Você e Eu...

Deus é o Senhor da vida e mesmo que tudo e todos digam ser impossível a realização de um sonho, uma promessa, Ele diz: “Eu crio, Eu faço, Eu posso”: João 14:14 “Se pedires alguma coisa em meu nome eu o farei. Eu farei no grego é “ego poezo” EU CRIAREI!

E quando Ele não cria? E quando a promessa não chega? Quando o riso se torna em pranto? 

Creio não ter sido por acaso que Deus escolheu um povo e o ensinou sobre fé, enquanto peregrinavam  "no deserto". Entre vales e montes. Entre abundância e sequidão. Fazendo descer maná do céu,  transformando águas amargas em doces. Mas houve espera, houve aprendizado e aos que não murmuraram, houve a maior das recompensas: alcançar a terra prometida. Um lugar físico, mas também espiritual onde a gratidão e a fé triunfaram.


Guardemos firmemente em nossos corações aquilo que Deus nos fala através de Sua Palavra porque a Seu tempo se cumprirá. Abraão e Sara esperaram por aproximadamente 25 anos para ver o pequeno Isaac. Certamente Deus tem: dia, hora, e estação marcados para gerar “nossos herdeiros”.

Não devemos sorrir dos sonhos próprios, nem alheios. Pode ser que algo pareça formidável demais para acontecer, mas a medida do milagre é a impossibilidade. O tempo entre promessa e cumprimento é de preparação. Abraão riu de alegria quando ouviu a promessa de Deus 17:17, Sara de incredulidade 18:13  Daí vem Deus e coroa Sua realização  de “Isaac”, riso. Um riso de grandeza, amor, soberania.  Quantos Isaac’s Deus tem para nós? Muitos, poucos, não sei.  O que aprendi é que Deus nos faz sorrir com Seus feitos em meio à terra seca, a árvores mortas, a ventres mortificados: Ele é maior que tudo!

* Tenho escrito vários estudos sobre fé, primavera, Sara e Abraão. Eles edificam minha alma, fortalecem as lembranças de um futuro gerado por Deus. Quero trazer a memória tudo que Deus ensinou sobre perseverar, mesmo quando tudo tenta nos desanimar.  Sara e Abraão acharam que o milagre viria de Agar e Ismael. Quantas vezes também não nos enganamos? Por isso, se as coisas não saem como queremos e estamos confiantes e gratos em Deus, paciência: Ele tem algo melhor para nós. Ele tinha Isaac para Sara e Abraão. Que nosso riso não desfaleça na espera, mas se renove na adoração! Amém.


3 comentários:

Flademir Bernardo disse...

Que mensagem abencoada.

Wilma Rejane disse...


Obrigada, Flademir Bernardo!

Deus o abençoe.

Elzimara Santos disse...

Não tenho palavras para dizer o quanto Deus falou ao meu coração. Porém, queria dizer para o irmão continuar se permitindo ser usado como canal de bênçãos para outras pessoas. Que Deus te abençoe !

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