Os passos que te dei




Wilma Rejane


Meu esposo Franklin tem preferência por usar tênis no dia a dia. Apenas em ocasiões especiais calça sapatos sociais. E esses dias eu observava seus tênis quando um pensamento me veio: “seus caminhos também são meus, pois sendo uma só carne, por onde andares me carregas contigo e o mesmo acontece comigo”.

Estamos unidos em matrimônio há 28 anos. Frank é o nome que devo ter pronunciado mais vezes nesses anos e em cada passo que dou ele está presente ou fisicamente ou em pensamento. Caminhamos juntos mesmo quando estamos distantes.

Sapato é matéria: envelhece, acaba. Algum dia vai parar no lixo. Mas os lugares por onde andamos é que são decisivos em nossos destinos. Eva, por exemplo, ao caminhar muitas vezes em direção à arvore do conhecimento do bem e do mal, levou junto seu esposo Adão. Se ele sabia ou não dos passos da esposa não é claro, mas as consequências vieram para ambos.

E é justo ai onde pretendo chegar: de que lugares são as poeiras que se acumulam em nossos calçados? Quantas pessoas estamos carregando em nossas caminhadas? Certo é que cada um dará conta de si mesmo a Deus, também é certo que em nossos pés - contradizendo o ditado de que tudo está em nossas mãos – estão o entrelaçar dos passos de outros.

Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. João 13:10.


Essa limpeza feita por Jesus nos pés dos discípulos é um chamado a santidade: somos transformados pelo Espírito Santo de Deus (Água), na comunhão com Jesus. Dessa forma se caminha por lugares que não envergonham nem provocam quedas. Um só discípulo de pés limpos tem condições de abençoar multidões.

O texto inicia com o caminhar de um esposo e aqui estamos a falar dos passos de um discípulo. Um esposo discípulo. Par de sapatos perfeito para esposas que amam a Deus. Assim era o caminhar de José e Maria, o admirável casal que inspira relacionamentos fieis e duradouros.


Em nenhum momento os Evangelhos citam desavenças, desconfiança ou discussões entre os dois, e eles viveram tensões: uma gravidez sobrenatural no período de noivado (ou esponsais), perseguições. Imaginem ter que cuidar de Jesus, filho de Deus, saber que Ele não lhes pertencia, que morreria para salvar a humanidade, guardar segredo e não se envaidecer por tão grandiosa missão. José é o esposo da lamparina nos pés: “Lampada para meus pés é a Tua Palavra, Luz para meus caminhos” (Salmo 119:15)

Por outro lado, analiso um casal, também citado na Bíblia, que não teve os pés lavados. O caminhar de um foi a desgraça do outro. Ambos sujaram os sapatos na mentira, inveja e ambição. Ananias e Safira . Primeiro morreu Ananias, na porta do templo e Pedro ao presenciar Safira vindo de encontro ao esposo já morto declara: “Eis ai à porta os pés dos que sepultaram o teu marido e eles também te levarão” (Atos 5:1-11)


Há ainda uma ilustração também triste e trágica sobre sapatos e caminhos, ela chega em forma de uma fotografia que guardei por muito tempo em meus arquivos, porque muito, muito mesmo me fez refletir sobre o lugar que pisam nossos pés. É uma caixa de sapatos, recolhidos na boate kiss, depois do incêndio em janeiro de 2013. Não é uma crítica que faço aos que ali morreram, longe de mim tal atitude! A pergunta que fica é: quantas outras vidas não morreram com os donos desses sapatos, mesmo não estando naquela boate? São familiares tomados de luto e intensa tristeza. Essa foto nos fala sobre sapatos e caminhos...


Casados ou solteiros, todos temos o compromisso de lavar os pés, calça-los em preparação para um lugar onde um dia não será mais preciso tirar a poeira dos pés. Na eternidade com Deus não haverá espinhos, cardos, depressões, cansaço, vaidade. Seremos um com Deus e nossos sapatos de uma vez por todas será o amor do Salvador. Nele repousaremos os pés e o espírito.

Acaso não vê Deus os meus caminhos e não conta todos os meus passos? Jó 31:4

Deus o abençoe.

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