Um breve crônica sobre Aylan Kurdi




Wilma Rejane

Nunca será tarde para falar dessa tragédia e de outras tantas que apenas ao se tornarem públicas recebem atenção devida. E ao falarmos em tragédias, convêm também interrogarmos: “O que elas nos falam?” O caso do menino sírio chamado Aylan Kurdi, que morreu afogado após uma tentativa frustrada de entrar como imigrante na Europa, carrega consigo muitas outras tragédias que estão para além do fato das fronteiras europeias  estarem ou não abertas para refugiados de outras nações. Temos aí uma imagem chocante que traz à tona a questão do negócio ilegal de transportar fugitivos de um continente para outro. São pessoas que estão lucrando muito dinheiro com o tráfico de imigrantes e ainda assim conservam embarcações inseguras e ultrapassadas como se a vida humana não tivesse valor.  Temos a atrocidade da guerra roubando as expectativas de vida de gerações inteiras. Claro que os pais de Aylan pensaram em seu futuro longe da guerra, sonharam com uma vida de possibilidades longe  das consequências dos conflitos armados no oriente. Só que a felicidade não estava naquele mar, naquele barco, tão pouco estaria na Europa, pois imigrantes muçulmanos na Europa vivem seus estigmas nem sempre simples de suportar. 


O que aqui pretendo abordar com mais ênfase é o fato da tragédia do menino Aylan também ter me falado de outras tragédias que estão fora do circuito de imigração para Europa. O primeiro sentimento que tive ao ver o pequeno Aylan, cuidadosamente bem vestido, morto na praia foi o da história por trás da imagem: “Quem é ele? Por que morreu naquelas condições?” E depois de fixar meu olhar alguns segundos naquela imagem pensei: Aylan representa a infância perdida. Quantos crianças não morrem diariamente vítimas do tráfico de drogas? São pequenos que tem a infância perdida por estarem envolvidos direta e/ou indiretamente com o tráfico.  Quantas crianças não têm a infância perdida para a pedofilia? Quantas morrem tragadas pelo “mar” da estupidez humana? Aylan parece ter sido cuidadosamente deixado naquela praia e naquelas condições para que o mundo soubesse que não está tudo bem. E não está tudo bem inclusive com a infância de muitas crianças.

Há quem culpe a Europa pela tragédia,  a ONU, o Islamismo, a guerra, os governantes, há quem culpe Deus. Mas não é encontrando culpados que essa tragédia se tornará amena, o que poderá acontecer depois dessa tragédia é uma reorganização de políticas e de acordos sobre imigrantes. O que poderá acontecer depois de a foto de Aylan ser reproduzida exaustivamente associada a mensagens de solidariedade e revolta; é o esquecimento. O esquecimento de que a tragédia do outro também é a nossa. Que mesmo não sendo nós culpados há um dever cristão e moral que urge por justiça. Aylan é ainda o retrato de quem não tem pátria. Qual de nós temos? Somos todos estrangeiros nessa terra e mesmo vivendo sob territórios politicamente organizados, regidos por constituições, cada um busca uma pátria que está além da mortalidade. Essa pátria para os cristãos e pequeninos como Aylan é o céu. Onde estava Deus quando o pequeno Aylan deu seu último suspiro naquele mar tenebroso? Deus estava na pátria céu recebendo o pequeno Aylan. Um lugar melhor que a Europa, melhor que qualquer lugar onde habite homens sedentos por poder. Um lugar onde não há guerra, nem fronteiras. Ele está em um bom lugar. Na praia restou apenas um frágil e pequeno corpo símbolo da infância perdida, de um mundo passageiro onde todos somos estrangeiros.  


Deus nos abençoe.

Obs: Após concluir o artigo encontrei aqui a imagem que considerei perfeita para ilustrá-lo.

Um comentário:

Ericson Freitas disse...

A paz do Senhor amada!
Fato!!!infelizmente,perdemos muitos aylan,para esses ex,que nossa irmã tem se referido,o que me chama realmente a atenção é o fato de ser mais um numero!infelizmente!!!
Imagino eu o quanto aquele garoto estava sufocado,a ponto de arriscar sua própria vida por uma dia melhor(liberdade).Sufocado(tristeza)Talvez porque já não conseguia enchergar o Amor entre os seres humanos,vivemos um mundo de ganância, onde as pessoas dormem e acordam, pensando em conquistas(carros,casas...)e esquecemos do principal de todas as coisas,a essência da vida,o segundo maior e grande mandamento,"ame o teu proximo como a ti mesmo"....
Enfim, temos assunto ai pra noite a dentro,rs!
Mas quero mais uma vez lhe agradecer pelo publicado...Que Deus continue te usando dessa forma única!
Que o Senhor abençoe vc,e toda sua familia,Amem!!

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