Melissa Troutman
As Escrituras nos apresentam o retrato de um homem que conheceu a dor profunda e a privação: Jó. O livro que leva seu nome começa descrevendo não a sua riqueza, mas o seu caráter:
"Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este homem era íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal." — Jó 1:1
Embora fosse extraordinariamente rico, a narrativa prioriza quem Jó era por dentro. Ele era completo em sua moralidade, reto e temente a Deus. Logo em seguida, conhecemos sua família numerosa — sete filhos e três filhas, símbolo de plenitude e bênção naquela cultura — e, por fim, seus imensos bens materiais, que o tornavam o maior homem do Oriente (Jó 1:2-3). Jó tinha tanto caráter quanto prosperidade. Ele tinha tudo.
Até que, com a permissão divina, Satanás o testa. Em um único dia, Jó perde seus filhos, seus servos e todos os seus bens, reduzidos a cinzas. Pouco depois, perde também a saúde.
O que chama a atenção é como Deus o descreve após essas perdas devastadoras:
"Então o Senhor disse a Satanás: 'Observaste o meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Ele se mantém firme na sua integridade...'" — Jó 2:3
Deus usa exatamente as mesmas palavras do início da história (Jó 1:8). Isso nos mostra que o caráter de Jó permaneceu inabalável. Fosse desfrutando da abundância ou assentado sobre as cinzas da escassez, ele continuava sendo o servo fiel de Deus.
Se alguém tinha motivos para sofrer uma crise de identidade, era Jó. Ele deixou de ser empresário, pai, líder e homem saudável. Seus amigos mal o reconheceram tamanha era a sua desfiguração. Jó chorou, lamentou e fez perguntas profundas nascidas de uma dor agonizante. Contudo, mesmo na escuridão, ele adorou e se apegou ao seu Redentor. O que permitiu a Jó erguer mãos vazias em adoração foi o fato de sua identidade estar firmada unicamente em Deus.
Ele era a árvore plantada junto aos ribeiros (Salmos 1:3), a casa construída sobre a rocha (Mateus 7:24-27). Ele foi atribulado, mas não esmagado; perplexo, mas não desesperado (2 Cor 4:8-9). O fogo da provação revelou que sua essência estava ligada àquilo que jamais poderia ser perdido (Mateus 6:19-20).
Onde Depositamos Nosso Valor?
Em sua carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo utiliza a metáfora do fogo que prova a qualidade dos materiais de uma construção (1 Coríntios 3:12-15). Embora o texto trate de nossas obras, o princípio se aplica perfeitamente à nossa identidade: onde encontramos nosso valor e significado?
Nenhum de nós possui uma única faceta. Somos pais, filhos, profissionais, amigos, escritores ou artistas. Essas funções são dádivas de Deus para serem administradas para a Sua glória. O perigo surge quando qualquer uma dessas identidades secundárias — ou as limitações impostas por circunstâncias difíceis, como uma enfermidade crônica — assume o lugar de destaque em nosso coração.
Antes de tudo, somos filhos de Deus (Jo 1:12), comprados pelo sangue de Jesus (Ef 1:7) e feitos nova criação (2 Cor 5:17). Esse deveria ser o nosso principal documento de identidade. Quando compreendemos que somos completos em Cristo (Cl 2:10), nossa essência permanece segura, não importa o que mude ao nosso redor.
Jó começou com um relacionamento com Deus e muitos bens; depois, restou-lhe apenas Deus; e, no fim, Deus lhe restituiu tudo em dobro. Às vezes, o Senhor nos permite passar pelo deserto e pelo esvaziamento para nos lembrar de que a nossa identidade Nele é a única base verdadeiramente essencial. Quando as perdas nos despojam de papéis e títulos, somos conduzidos a organizar nossas prioridades espirituais.
Que possamos ser como Jó: alguém que, em vez de buscar a própria força nas ruínas de sua história, ajoelhou-se em meio à dor, agarrando-se firmemente ao que o fogo não pôde consumir.
Qual tem sido a sua identidade fundamental? Você tem depositado seu valor em estruturas passageiras que podem queimar e deixá-lo de mãos vazias, ou Naquele que preenche a sua vida e o sustenta debaixo de Suas asas?
Deus o abençoe, em nome de Jesus.
* Texto retirado do blog " Há Graça no Vale". Traduzido e resumido com auxílio do Gemini.

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