Por que estou sofrendo?


 


Wilma Rejane

“Vocês me peguem e me joguem no mar, que ele ficará calmo. Pois eu sei que foi por minha causa que essa terrível tempestade caiu sobre vocês” Jonas 1:9

Profeta Jonas estava em meio a uma tempestade, não estava sozinho, com ele, haviam muitos tripulantes sofrendo as mesmas consequências. Aquela tempestade não era apenas um fator natural do tempo, era uma reação de Deus a desobediência de Jonas. E logo aqui aprendemos que há tempestades na vida que são igualmente consequências de desobediência a Deus, de pecados não confessados. Enquanto a tempestade acontece, Jonas dorme tranquilamente no porão do navio, até que alguém vai até ele e provoca sua consciência:

Diga: quem é o culpado de tudo isso? O que você está fazendo aqui? De onde você vem? De que país você é? Qual o seu povo? Que devemos fazer com você para o mar se acalmar?” Jonas 1: 8-11.

Jonas não tinha ideia da dimensão de seu erro até ser provocado por alguém que sofre com ele. E através dessa provocação o profeta confessa sua culpa, seu erro, e de modo nobre escolhe ser sacrificado em detrimento da salvação de uma maioria inocente que estava no navio. Grande Jonas! 

Relendo esse relato sobre Jonas compreendo mais uma vez a necessidade do arrependimento e do perdão, da importância de não menosprezar a tempestade que atinge sua família, seu País, ambiente de trabalho, enfim atinge sua vida. O que acontece “nesses barcos”, também é problema seu. 

A provocação interrogativa dirigida a Jonas é uma espécie de “exame de consciência” que muitas vezes somos levados a fazer por ocasião das tempestades. A fragilidade humana não assegura a descoberta das causas do sofrimento. Por que estamos “nessa tempestade”? A grande teia social em que vivemos faz com que direta ou indiretamente outras pessoas sejam atingidas por nossos sofrimentos. E da mesma forma, a sociedade cobra respostas: “o que devemos fazer com você para o mar se acalmar?”.

O que fazer com quem sofre? Geralmente, o sofrer humano é algo solitário. Haviam tantas pessoas no barco com Jonas, mas ninguém quis pagar o preço por (e com) ele, preferiram “se livrar” dele. “Que pague sozinho pelos seus erros”. Claro, Jonas precisava se consertar com Deus, essa missão era dele, pois a responsabilidade do pecado é individual (Ezequiel 18: 1-32 ). Porém, na tempestade vivida por Jonas naquele barco,  fica evidente a aversão humana ao sofrimento e a necessidade de se encontrar “um bode expiatório” para tal.

Qual o significado de dar pérolas aos porcos na Bíblia?

 


Wilma Rejane

"Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem." Mateus 7:6

Essa passagem Bíblica é intrigante porque de inicio parece nos dizer para não desperdiçar coisas valiosas com pessoas imerecidas. Como aplicar isso no dia a dia? Primeiramente precisamos compreender quem são: os cães, os porcos e as pérolas a que Jesus se refere. 

Cães:

A palavra cão aparece na Bíblia em vários significados: animal (João 10:12), homens (Salmo 22:16),falsos profetas (Filipenses 3:2). Estudando a raiz da palavra cão, temos uma surpresa, ela denota um tipo de personalidade:


cão no grego =  kunikos = cínico. Essa palavra surge na Grécia com uma corrente filosófica que defendia a indiferença, o escárnio, a falta de pudor e também de interesses materiais. Dois principais filósofos ficaram bem conhecidos por terem levado ao extremo o cinismo, são eles: Antístenes e seu discípulo Diógenes que morava em um barril e usava uma lanterna. Posteriormente a escola filosófica é que a palavra se propagou como adjetivo para descrever as características de homens detestáveis, dissimulados, indiferentes, escarnecedores. Na época em que a Bíblia foi escrita, os gentios (não judeus)  também eram chamados de cães (Mateus 15:21,28).

Como passagens Bíblicas que se referem aos cães, podemos citar ainda:

"Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas, mas, ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idolatras, e qualquer que ama e comete a mentira." Apocalipse 22:14-15 

"Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado; Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: o cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama."II Pedro 2:21-22


Porcos :

"o porco, embora tenha casco fendido e dividido em duas unhas, não rumina; considerem-no impuro. Vo­cês não comerão a carne desses animais nem tocarão em seus cadáveres; considerem-nos impuros." Levítico 11:7-8

No Antigo Testamento porcos eram considerados imundos. Judeus não se alimentavam de carne de porco em obediência a Levítico. Jesus, porém, era judeu e contrariou seus compatriotas ao dizer que não fazia mal comer carne de porco. Ele ensinou que o verdadeiro mal não reside nas coisas exteriores, mas no coração dos homens. A carne de porco não tinha poder para transformar o homem em puro, impuro, digno ou indigno, mas o que estava no coração dos homens sim, isso que tinha que ser considerado:

"Não percebem que o que entra pela boca vai para o estômago e mais tarde é expelido? Mas as coisas que saem da boca vêm do coração, e são essas que tornam o homem impuro. Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as imoralidades sexuais, os roubos, os falsos testemunhos e as calúnias. Essas coisas tornam o homem impuro." Mateus 15:17-20

Se comer carne de porco era lícito, então por que a proibição no Antigo Testamento? A carne de porco era uma instrução sobre saúde, higiene e não sobre santidade. Os judeus estavam relacionando o comer carne de porco com ser ou não santo e Jesus lhes revela a verdade, santidade não era um ritual, mas uma essência espiritual.


Pérolas: 

A principal referência sobre ela está no Evangelho de Mateus:

"O Reino dos céus também é como um negociante que procura pérolas preciosas. Encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou. "Mateus 13:45-46

Pérolas, portando, está na passagem como sendo O Reino dos céus. Para entender melhor vamos ver de que modo nascem as pérolas: A pérola é o resultado de uma reação natural do molusco contra invasores externos, como certos parasitas que procuram reproduzir-se em seu interior. Para isso, esses organismos perfuram a concha e se alojam no manto, uma fina camada de tecido que protege as vísceras da ostra. Para se livrar do perigo o molusco faz um pequeno ferimento em seu interior e desse ferimento nasce a pérola. 

Foi  a custo de dor, sofrimento e também trabalho que o Reino dos céus chegou até nós. Jesus verteu seu precioso sangue para que tivéssemos acesso a Ele. Ele é o que nos livra da morte (invasores), da destruição eterna. Mas Jesus também nos ensina a nos protegermos dos perigos e armadilhas desse mundo preservando essa pérola de grande valor.


Relacionando as passagens:

As setenta semanas de Daniel: o que se cumpriu e o que virá.


 A figueira floresceu


Joshua Munguti

A profecia de Daniel de setenta semanas é a espinha dorsal de todas as profecias bíblicas para o fim dos tempos. Nenhuma profecia em toda a Bíblia é mais crítica para a compreensão do Fim dos Tempos do que as setenta semanas de Daniel, ela é a base ( raiz ) de todas as profecias dos tempos do fim.

Quando Daniel foi apresentado com a profecia das setenta semanas, ele estava na Babilônia, tendo sido levado ao cativeiro quando Israel foi conquistado nos tempos do profeta Jeremias. Ele provavelmente estava há cerca de oitenta anos na Babilônia,  e ele sabia que os setenta anos do cativeiro de Israel na Babilônia estavam quase acabados de acordo com a palavra de Deus ao profeta Jeremias ( Jeremias 25: 8-11 ). Ele se voltou para Deus em oração.

No primeiro ano de seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros o número dos anos, dos quais veio a palavra do Senhor a Jeremias, o profeta, que ele cumpriria setenta anos nas desolações de Jerusalém. E dirijo o meu rosto ao Senhor Deus, para o buscar, com oração e súplica, com jejum, saco e cinza (Daniel 9: 2-3).

Enquanto ele orava, o anjo Gabriel veio até ele.

Dn 9: 20-21: E enquanto eu estava falando, e orando, e confessando o meu pecado e o pecado do meu povo Israel, e apresentando a minha súplica perante o Senhor meu Deus pelo monte santo do meu Deus. Sim, enquanto eu estava falando em oração, até mesmo o homem Gabriel, que eu tinha visto na visão no início, sendo levado a voar rapidamente, tocou-me na hora da oblação da noite.

O anjo Gabriel trouxe sabedoria e compreensão à questão ( Dan 9:22 ) e é isso que vamos obter deste estudo da profecia de Daniel de setenta semanas: a sabedoria que o anjo Gabriel trouxe a Daniel.

Profecia de Daniel de setenta semanas

Dn 9: 24-25: Setenta semanas estão determinadas sobre o seu povo e sobre a sua cidade santa, para acabar com a transgressão e pôr fim aos pecados e reconciliar-se com a iniquidade, e trazer a justiça eterna e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santo dos Santos. Saiba, portanto, e entenda, que desde a saída do mandamento de restaurar e edificar Jerusalém até o Messias, o Príncipe serão sete semanas e sessenta e duas semanas: a rua será construída novamente, e o muro, mesmo em tempos turbulentos .

Dn 9: 26-27: E depois de sessenta e duas semanas o Messias será cortado, mas não para si; ​​e o povo do príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário; e o fim dela será com um dilúvio, e até o fim da guerra desolações estão determinadas. E ele deve confirmar o pacto com muitos por uma semana: e no meio da semana ele fará cessar o sacrifício e a oblação, e para a difusão de abominações ele o fará desolado, até a consumação, e aquele determinado será derramado sobre a desolação.

Antes de interpretarmos esta profecia para a sabedoria e entendimento, você tem que entender o significado de algumas palavras usadas na Bíblia.

Semana conforme usada na Bíblia

A palavra semana em hebraico é ' Heptad ' que significa sete.

O uso bíblico da palavra 'semana' significa um período de 7 anos (Uma semana = 7 anos).

Portanto, setenta semanas nesta profecia de Daniel significa;

70 semanas = 70 x 7 = 490 anos

O plano de Deus dentro de setenta semanas

Deus declara que 490 anos (setenta semanas) são decretados para o povo (Israel) e a Cidade Santa (Jerusalém).

Esses 490 anos estão determinados para ( Dan 9:24 ): -

  • Acabar com a transgressão,
  • Acabar com os pecados,
  • Fazer a reconciliação pela iniquidade
  • Trazer a justiça eterna
  • Selar a visão e a profecia, e
  • Para ungir o lugar santo

Em hebraico essas coisas parecem um pouco diferentes, mas muito claras e perfeitas. Deus diz que Ele determinou;

  • Restringir a transgressão (também traduzido como rebelião)
  • Selar os pecados (como se os guardasse em um recipiente lacrado)
  • Fazer expiação (pagar a pena) por sua iniquidade
  • Trazer em um estado de justiça eterna
  • Selar a visão e a profecia
  • Ungir (consagra) o lugar Altíssimo (santuário)

Em linguagem simples, Deus diz que Ele acabaria a rebelião contra Ele, tiraria os pecados e pagaria as penalidades que eles haviam acumulado, levaria o povo a um estado de justiça perpétua, cumpriria as profecias restantes e ungiria o Templo dentro do período de 490 anos.

As semanas cumpridas da profecia das setenta semanas de Daniel .

Resultados de uma quarentena, Romanos 8:28

 


Wilma Rejane

Você acredita que todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus? (Romanos 8:28) Até mesmo uma quarentena forçada, em um estado de economia em declínio e de más notícias chegando de todos os lugares do mundo? Se manter esperançoso, confiante e com paz de espírito faz parte das promessas de Deus para tempos como este que vivemos. Testifico em nome de Jesus Cristo que tais promessas têm se cumprido na vida dos filhos de Deus, nesses dias apocalípticos.

Em minha casa, reunidos em família, temos lido a Bíblia diariamente. As crianças aprenderam a declamar versículos, orar com mais frequência e intensidade. Minha netinha autista, de cinco anos de idade, melhorou incrivelmente após descobrirmos e aplicarmos O Protocolo Coimbra como tratamento. Você conhece Protocolo Coimbra? Este é o nome dado ao tratamento Ortomolecular, criado pelo médico brasileiro Cícero Gallil Coimbra, descobrimos o protocolo após pesquisarmos sobre os benefícios da vitamina D contra o Covid19.

Entre tantas bênçãos da quarentena, que não cabem em apenas um post, afirmo que a maior de todas as bênçãos foi a de reafirmar a fé em um Jesus Cristo vivo e presente que cuida de seus filhos em meio às tribulações. 

Sabemos que estamos na eminencia de um governo global, os senhores do mundo estão trabalhando com afinco para implantarem um novo sistema econômico de moeda digital e rastreamento da população, a vacinação forçada faz parte desse plano, enfim, o que vemos é o cumprimento de profecias Bíblicas que apontam para uma próxima vinda de Jesus. Os conflitos políticos nos EUA irão se agravar e novos lock downs serão anunciados, as consequências não parecem otimistas.

Contudo, quero encorajá-los: aconteça o que acontecer, Deus continua o mesmo, pelos séculos dos séculos (Hebreus 13:8). Assim como Ele amparou seus filhos desde Noé, salvando sua família do diluvio, Ele continua a fazê-lo. 

Confiar no Senhor, não é o mesmo que procrastinar. É bom que pensemos no amanhã, fazendo reserva de capital, de uma certa quantia de alimento e água. Mas essas coisas não devem ser o centro de nossa atenção, não devem consumir todos os nossos esforços, pois, as promessas e as advertências Bíblicas são de que não devemos estar ansiosos, Deus cuida de nós (Filipenses 4:6,7). Meditemos no Salmo a seguir:

O Senhor conhece os dias dos retos, e a sua herança permanecerá para sempre. Não serão envergonhados nos dias maus, e nos dias de fome se fartarão. Salmos 37:18,19

Foi o mesmo Senhor que cuidou do profeta Elias enviando comida através de corvos quando este se achava aflito e perseguido. O mesmo Senhor que guardou os israelitas das pragas que consumiram os egípcios. 

É tempo de buscar a Deus por meio de Jesus Cristo. É tempo de confiar na providência Divina em dias tenebrosos, pois Deus é Luz que se sobrepõe às trevas. 

Esse lock down global também é um chamado ao lock down espiritual:  tempo de parar e refletir à vida, rever conceitos, relocar valores, manter Deus no centro de tudo!

Boa semana para todos, na paz e no amor de Jesus Cristo!

Descanse no Senhor

 

Autor:
Anastasios Kioulachoglou

É fácil nos distrairmos neste mundo. Ocupação é a enfermidade moderna da qual muitos sofrem. Descanso – é o oposto – e uma das coisas que o Senhor veio oferecer. Em Mateus 11:28-30 Ele disse: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." Mateus 11:28-30

Jesus Cristo é o único que pode dar descanso às nossas almas. Se você está atribulado, cansado, exausto e sentindo-se pesado, então você está lendo a passagem certa. Jesus veio para dar-lhe descanso! Você não descansará quando seus filhos crescerem. Ou quando se casar. Ou quando sua conta bancária estiver positiva. Você descansará apenas se encontrar-se com Jesus, somente se colocar seus fardos em suas mãos e tomar seu jugo suave e leve, somente assim encontrará descanso. Assim nos diz a palavra em Filipenses:

"Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus." Filipenses 4:6-7

Não estejais inquietos por coisa alguma!!! Seus filhos, seu trabalho, sua saúde, suas feridas, sua finança, suas outras preocupações estão todas aqui. Nada está excluído desta lista. Não há nada que deva nos deixar inquietos. E o texto vai além para nos dizer o que fazer em vez de nos inquietarmos. “antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” Paz!!! Você não tem que terminar este ou aquele projeto ou receber esta ou aquela bênção para alcançar a paz. Em vez disso, o que deve fazer é não se inquietar por coisa alguma, mas antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças! O trabalho de Deus é CUIDAR de você, enquanto você descansa NELE. E ao descansar NELE você terá força! Veja o diz Isaías no capítulo 30:15-18:

"Porque assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Voltando e descansando sereis salvos; no sossego e na confiança estaria a vossa força.” Isaías 30:15

Nossa força está em descansar no Senhor. No sossego e confiança! Vejamos como a palavra sossego é importante na vida de Jesus: Ele costumava levantar-se muito cedo pela manhã e ia sozinho orar no deserto. (Marcos 1:35)! Ele necessitava de um tempo a sós com o Pai. Necessitamos também. Não necessitamos encher nossa agenda com centenas de atividades para permanecermos firmes. Não encontraremos forças nas atividades, mas somente no sossego e confiança em Deus.

Os dez leprosos e a prática da gratidão

 


.João Cruzué

Um dos mais lindos trechos da Bíblia é o da cura dos dez leprosos, em Lucas 17:11-18.  Dez pessoas que viviam excluídas da sociedade, vivendo longe da família por causa da praga da lepra. E naquele tempo, se uma pessoa contraísse lepra, tinha de morar fora dos muros ou na entrada da cidade. Naquele lugar não ia ninguém. Imagino que cada leproso arranjasse novos vínculos sociais entre outros mal-afortunados com a mesma lepra. E se não tivesse ninguém além dos muros, ficaria ali isolado, talvez conversasse sozinho. E viajando para Jerusalém, Jesus Cristo entrou em uma aldeia, creio, na divisa entre Samaria e a Galileia. O que aconteceu na entrada daquela  aldeia nos mostra três coisas que Deus se agrada quando  estão presentes na vida de um cristão.

Eu sei que a maioria de nós ora; seja católico, crente ou espírita, contudo, nem sempre as orações são respondidas na hora. Mas Lucas, o escritor do Evangelho, anotou que o Senhor foi curto e claro: Ide e apresentai-vos aos Sacerdotes, os religiosos da aldeia que tinham a autoridade, entre outras funções, de verificar se um leproso estava curado, e se estivesse, daria a autorização para voltar para dentro da cidade, para o meio dos amigos, dos parentes  e da própria família.

E na ida até os sacerdotes, cada um dos dez leprosos foi curado. E apenas um parou, pensou e voltou para agradecer, antes de ir aos sacerdotes.  Os outros nove seguiram  diretamente à casa dos religiosos, pois não viam a hora de abraçar os familiares, os amigos,  beijar os filhos e entrar na própria casa.

A gratidão é uma atitude rara.

Tanto nos tempos de Jesus Cristo, quanto nos dias de hoje. Somos  por natureza egoístas. Começamos nossas orações geralmente, pedindo(me dá!), em lugar de agradecer (obrigado!), por causa da pressa. Ah! a pressa... sinônimo de ansiedade. Quando somos abençoados, a primeira pessoa a saber deve ser o Senhor. Ele é o criador, o Sarador, o abençoador. Esta atitude de gratidão mostra o outro lado da virtude - a submissão. E a submissão significa: colocar a vontade de Deus em primeiro lugar.


A dúvida da ciência e a certeza da fé

 


Wilma Rejane 


A fé tem uma inimiga declarada: a dúvida que em grego se traduz como “diakrino” (strong 1252) indicando "separar dois elementos, componentes ou valores", também sugere "hesitação entre esperança e medo".  Apostolo Tiago compara um coração duvidoso às ondas do mar, levadas de uma direção a outra pela força do vento Tiago 1:6. 

Na filosofia, dúvida é principio de sabedoria porque através dela são estabelecidos métodos de introdução  às respostas concretas. Descartes é o criador da  “duvida metódica” que sugere duvidarmos  de tudo para enfim chegarmos  a certeza das coisas: “penso, logo existo” é  a máxima do pensamento cartesiano  que coloca a razão no centro do viver. "Eu duvido, logo penso, logo existo".

O pensar em Descartes é concreto, pois remete à existência física.  Em Descartes temos, assim, um vislumbre do conflito que perdura por séculos por selecionar binariamente fatores sobre "pensar a existência a partir da própria existência, concreta, visível, palpável", mas o fundamento da fé é invisível, por isso deixará de ser concreto, pensado, racionalizado?  Fé se fundamenta no invisível: “ora a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” Hebreus 11:1. 

Enquanto a ciência necessita da dúvida para chegar ao concreto, a fé tem como principio a certeza em coisas não concretas, invisíveis, ainda não realizadas no plano físico. Ninguém precisa de fé para acreditar que os sinais de trânsito existem, eles são visíveis, estão dispostos nos cruzamentos e diariamente olhamos para eles. Entretanto, necessitamos de fé para confiarmos que Deus está nos ouvindo hoje, no sussurro de nossas palavras, pensamentos e que está cuidando de nós mesmo quando nos sentimos sozinhos.
 
Deus invisível é tão verdadeiro para os que têm fé que passa a ser concreto e se Ele é concreto é existência real, necessária. “De fé em fé se descobre a justiça de Deus, porque está escrito: o justo viverá pela fé” Rm 1:17. A fé se firma no túmulo vazio de Jesus, na cruz que outrora O sustentou, mas que agora se ergue sem Ele, que ressuscitou! Na fé, é Ele quem nos sustenta. A fé se fundamenta em promessas que parecem distantes, tão antigas que estavam presentes na fundação do mundo, tão modernas que estarão presentes também no final apocalíptico com a ciência multiplicada. É do túmulo vazio que ecoa a promessa eterna: " Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Derradeiro, o Princípio e o Fim" Apocalipse 22:13.

Aprendendo com o sofrimento de Jacó

 

Wallace Sousa

E Jacó ficou sozinho. Então veio um homem que se pôs a lutar com ele até o amanhecer. Quando o homem viu que não poderia dominá-lo, tocou na articulação da coxa de Jacó, de forma que lhe deslocou a coxa, enquanto lutavam. Então o homem disse: Deixe-me ir, pois o dia já desponta. Mas Jacó lhe respondeu: Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes. O homem lhe perguntou: Qual é o seu nome? Jacó, respondeu ele. Então disse o homem: Seu nome não será mais Jacó, mas sim Israel, porque você lutou com Deus e com homens e venceu“. (grifos acrescidos) Gênesis 32:24-28

Quem diria que uma leitura despretensiosa em uma reunião de oração comum, em mais um dia de trabalho normal, pudesse gerar uma lição tão complexa? Você já percebeu que, às vezes, é por meio das coisas mais comuns que podemos tirar grandes lições? Éramos apenas duas pessoas naquela reunião, claro, sem contar o Senhor, que disse que onde estivessem 2 ou 3 reunidos em Seu nome, ali Ele estaria também (risos). As coisas que aprendi naquele dia quero compartilhar com você, caro leitor.

Jacó, também conhecido por Israel, é um dos personagens mais intrigantes, singulares e ricos (material e psicologicamente falando) das Escrituras. Na verdade, o livro de Gênesis é todo ele um livro de uma tal riqueza literária que é até difícil apontar a história mais bonita ou interessante dentre as que são ali descritas. Um livro digno de abrir o rol da coletânea sagrada, inspirador, cativante e, por vezes, arrebatador (Enoque que o diga…). Cheio de histórias tristes, alegres, emocionantes e surpreendentes. Não é à toa que, mesmo tendo-o lido mais de dez vezes, ainda descubro coisas novas em suas páginas.

Jacó, um dos 3 patriarcas, ao lado de Isaque (seu pai) e Abraão (seu avô), é um dos personagens centrais da segunda metade do livro, e foi de uma pequena parte da vida desse homem de personalidade tão complexa que extraí as lições a seguir. Por favor, me acompanhe nesta fascinante e surpreendente jornada.

Novas revelações sobre o encontro de Jesus com a mulher samaritana


Wilma Rejane

“Jesus deixou a Judeia, e foi outra vez para a Galileia. E era-lhe necessário passar por Samaria. Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José. E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta. Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.”João 4:3-7 


Já escrevi vários artigos sobre a passagem Bíblica do encontro de Jesus com a mulher samaritana, aqui, porém, pretendo transmitir alguns elementos que não constam nos estudos anteriores. E o que escrevo é resultado de releituras sobre a passagem. Releituras feitas com o objetivo de compreender melhor alguns aspectos, como por exemplo:   o fato daquela mulher ir pegar água no poço ao meio dia, um horário de alta temperatura e em que a cidade estaria um tanto deserta; o que justificaria tal ação? A samaritana era uma mulher de reputação maculada, mal falada pela sociedade e por isso procurava evitar as pessoas, o convívio social? Se ela era uma pessoa descredenciada, por que se torna uma missionária tão bem-sucedida? Não seria um contraste rotular de descredenciada uma mulher que em pouco tempo de convertida consegue conduzir muitos habitantes de Sicar a certeza de que Jesus era o Messias?

Tudo indica que Jesus foi a Samaria com o propósito de encontrar aquela mulher. O encontro não se configura como algo aleatório, imprevisto. O verso 4 do Evangelho de João 4 diz: “Era-lhe necessário passar por Samaria”. Jesus passou por Samaria para cumprir uma necessidade, que necessidade era essa? A necessidade não era física, nem sede, nem fome, nem cansaço. O cansaço foi uma consequência de sua ida a Sicar e assim também se entende sobre a sede. Fato é que Jesus naquele dia deixa de seguir a rota diária tomada por todos os judeus. O caminho mais curto da Judeia para Galileia compreendia passagem por Samaria, os judeus, contudo, para não atravessarem Samaria, percorriam uma rota por fora da cidade. Eram décadas de conflitos e por essa causa os povos se evitavam.

Origem dos Conflitos

Dados históricos revelam que depois da deportação das dez tribos de Israel para Assíria,  Samaria foi repovoada por colonizadores gentios de várias províncias, fugitivos da judeia e de outros lugares. Samaria se tornara em território pagão, muitos deuses eram adorados ali. Samaritanos tinham sua própria versão do Pentateuco e reivindicavam ascendência israelita.

Me pergunto até que ponto o fato de Samaria ter sido designada como cidade refúgio para homicidas (Josué 24:32), contribuiu para os conflitos  . Nenhuma referência a isto é feita nos Evangelhos e historiadores ainda hoje divergem sobre  o fato de Siquém (cidade refúgio para homicidas), ser a mesma Sicar. Algumas fontes, contudo, admitem ser Sicar a mesma Siquém. Se assim for, penso que a animosidade além de ter raízes religiosas e raciais tem também origem no fato dos judeus considerarem samaritanos impuros por serem descendentes de homicidas. Para mim essa hipótese faz sentido. Faz sentido também ter sido Samaria durante muito tempo habitada por cananeus, povo expressamente repreendido por Deus no Antigo Testamento, o julgamento em relação aos cananeus, no caso, seria a fonte dos conflitos.

Não sei se você já leu a respeito, mas na época que Jesus esteve em Samaria, a rejeição a samaritanos era tanta que qualquer alimento ou produto preparado por Samaritanos não era aceito por judeus. Os judeus compravam produtos de Samaria, por exemplo: frutas, cereais, pois diziam ter origem na natureza, mas se um samaritano manuseasse qualquer dos produtos, estes já seriam considerados impuros, proibidos para consumo. Agora imaginem Jesus, naquele poço, pedindo água para a mulher samaritana. Ele estava quebrando paradigmas! Estava a dizer que aquela mulher era digna para lhe dar água e a água era igualmente digna para se beber. Mas havia uma água melhor, e que faria aquela mulher se tornar pura. Ele não falava de coisas exteriores, falava de interior, de ser, de vida e não de costumes! 

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...