O irmão João e a Hypomone



Wilma Rejane 

"Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na aflição, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo." — Apocalipse 1:9

​João, o último dos doze apóstolos vivos, o discípulo que encostou a cabeça no peito de Jesus e presenciou a Glória no Monte da Transfiguração, não se apresenta às igrejas com títulos pomposos. Ele não diz "Eu, o Bispo Superior" ou "Eu, o Apóstolo Mais Experiente". Ele começa dizendo simplesmente: "Eu, João, que também sou vosso irmão".

​Nessa introdução há uma beleza profunda sobre o sofrimento que nivela a todos e elimina a vaidade. João se coloca ombro a ombro com cada cristão perseguido do primeiro século e com cada um de nós hoje.

Ele não fala de um patamar superior, mas da trincheira. É um abraço fraternal a todos os que atravessam tribulações, lembrando-nos de que a fé em Cristo nos une na mesma família, na mesma dor e na mesma viva esperança do Seu retorno.

​Quando João fala sobre ser companheiro na "paciência de Jesus Cristo", a tradução em português pode parecer suave demais, sugerindo uma mera resignação passiva. No entanto, o peso dessa palavra nas línguas originais revela uma virtude robusta:

​No Grego (Hypomone - ὑπομονή): Formada pela junção de hypo (debaixo) e meno (permanecer). Significa literalmente "a capacidade de permanecer firme debaixo de uma carga pesada". Não é aceitar a dor passivamente, mas uma perseverança vitoriosa, uma resistência ativa que se recusa a ceder mesmo diante de oposição esmagadora.

​No Hebraico (Tikvah / Kavah - תִּקְוָה): A raiz do conceito de paciência/esperança no Antigo Testamento liga-se ao ato de "aguardar com expectativa tensa", como uma corda esticada sob tensão. É a firmeza de quem espera pela intervenção de Deus sabendo que Ele não falhará.

​A paciência no reino de Deus não é esperar o tempo passar; é manter-se de pé enquanto o tempo passa, sustentado pelas promessas de Cristo.

​João escreve do exílio em Patmos — uma ilha rochosa, árida e inóspita, usada pelo Império Romano como colônia penal. Ele estava ali privado de liberdade, isolado e submetido ao trabalho duro por causa do testemunho do Evangelho.

Sede de Deus



João Cruzué

O salmo 42 retrata uma imagen linda da poesia hebraica: um cervo que anseia pelas correntes das águas, assim como a alma do salmista anseia pela presença de Deus. 

No versículo 6, o autor menciona as terras do Jordão, o monte Hermom e o outeiro de Mizar, situando suas recordações em uma região montanhosa ao norte de Israel. O Hermom, cujo cume alcança 2.814 metros de altitude, destaca-se por suas encostas rochosas, vales profundos e importantes nascentes e neve no inverno. 

Embora o Salmo não identifique o local exato de sua composição, essas referências geográficas permitem compreender o ambiente natural que poderia ter inspirado suas imagens poéticas.

Apesar de estar localizado no Oriente Médio, o monte Hermom recebe neve durante os meses de inverno, quando as temperaturas de suas partes elevadas frequentemente descem abaixo de zero. Com a chegada da primavera, o derretimento da neve contribui para alimentar a circulação subterrânea da água através das formações rochosas, favorecendo o abastecimento das nascentes do alto Jordão.

Entre os principais cursos de água dessa região encontram-se os rios Dan, Banias e Hasbani, que formam importantes tributários do Jordão. Assim, as águas que descem das montanhas e percorrem os vales compõem um cenário geográfico compatível com as referências naturais utilizadas pelo salmista.

Novo homem, velho grão




Wilma Rejane

"Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto". João 12, 24

Jesus falava aos gregos que estavam em Jerusalém; eles haviam implorado ao discípulo Felipe para se encontrarem com Jesus

O grão de trigo foi uma simbologia empregada a fim de explicar sobre vida e morte e também morte e ressurreição, tais temas eram motivo de contenda entre gregos e judeus que tinham visões distintas sobre estes assuntos.

O pedido dos gregos revela uma busca que continua presente no coração humano: o desejo de conhecer Jesus. Porém, o Evangelho nos conduz a compreender que ver Cristo não significa apenas contemplá-Lo exteriormente, ouvir falar sobre Ele ou aproximar-se de Sua presença por curiosidade.

No contexto de João 12, o pedido dos gregos acontece quando Jesus se aproxima da hora de Sua glorificação. É nesse momento que Ele fala sobre o grão de trigo, apontando para Sua morte e para o fruto que dela resultaria.

O grão de trigo, lançado em terra para ser transformado em planta, se despe de sua casca, se desnuda e ressurge  com nova aparência (por dentro e por fora). 

Carta de Abigail, às mulheres dessa geração



Nohemy Vanelli 

Amada irmã, sei que às vezes nos encontramos em situações difíceis, onde as nossas palavras e atitudes podem definir o futuro da nossa casa. Eu vivi isso.

O meu marido tomou uma decisão precipitada e insensata, trazendo perigo para toda a nossa família. E coube a mim agir com sabedoria e discernimento para apaziguar a situação e evitar um desastre. Nem sempre temos o controle sobre as escolhas daqueles ao nosso redor, mas podemos escolher como responder.

Eu poderia ter me desesperado, brigado ou simplesmente aceitado um destino ruim, mas escolhi confiar em Deus, buscar a paz e agir com prudência. E Ele honrou a minha atitude.

Sobre vencer o medo


Wallace Sousa 

Texto Bíblico: E disse o Senhor a Josué: “Não tenha medo! Não se desanime! Leve todo o exército com você e avance contra Ai. Eu entreguei nas suas mãos o rei de Ai, seu povo, sua cidade e sua terra. Josué 8:1

Você sabia que o medo é uma das armas mais poderosas que um inimigo pode utilizar para facilitar a vitória sobre seu oponente? E quando falo de luta não estou falando apenas de batalhas físicas, corpóreas como nas guerras comuns. 

Podemos falar de batalhas esportivas tais como disputas de várias modalidades como judô, boxe, caratê, esgrima e outras que envolvem contato físico até aquelas em que não há contato, por exemplo tênis, vôlei, dentre outras.

E tem as partidas que envolvem contato físico mas não necessariamente envolvem luta, como futebol, basquete e outras. Se eu fosse falar de cada modalidade teria que escrever um livro, então esses exemplos devem bastar para que você entenda o que quero dizer. 

Falando em sétima arte, o cinema,  lembro de uma cena do filme O Senhor dos Anéis em que o comandante do exército de Orcs coloca as cabeças dos soldados mortos e as catapulta dentro da muralha da cidade com o claro objetivo de incutir medo nos defensores. 

A velha casa

Wilma Rejane 


Sodoma foi destruída. Ló, esposa e duas filhas fugiram de lá, amparados por anjos. A esposa de Ló desobedecendo a instrução de Deus olhou para trás, para a cidade em ruínas e foi transformada em estátua de sal. 

Por que a esposa de Ló desobedeceu a Deus e olhou para trás? 

A família de Ló foi retirada de Sodoma por anjos para ser salva com grande testemunho do poder e fidelidade de Deus. Foi o agir sobrenatural que os resgatou. 

Como pode alguém segurar a mão de um anjo,viver uma experiência sobrenatural tão impactante e mesmo assim se perder como fez a esposa de Ló? 

Acompanhemos uma importante e essencial lição extraída da atitude da esposa de Ló quando da destruição de Sodoma.

"Mas a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal.”Gênesis 19:26

Séculos depois, o próprio Senhor Jesus transformaria esse episódio em uma advertência:

“Lembrai-vos da mulher de Ló.” Lucas 17:32

Essa pequena frase de Jesus é uma das advertências mais solenes das Escrituras. Ele não disse simplesmente: “Lembrai-vos de Ló”, nem “lembrai-vos de Sodoma”. Disse: “Lembrai-vos da mulher de Ló.”

Alargando à Tenda : entre a promessa e a realidade

 



Wilma Rejane

​Olá, queridos leitores!

​Como estão? Onde estiverem e como estiverem, através deste simples artigo, digo-lhes o quanto Deus é bom, fiel e misericordioso.

​Cada um de nós que está nesta terra atravessa dificuldades diversas. Não importa a nacionalidade ou as condições econômicas: as lutas existem, fazem parte da vida, moldam nosso caráter e o nosso relacionamento com Deus e com o próximo.

​E nas lutas, das lutas, nasceu o Tenda na Rocha. Ele é bem mais que um espaço em uma rede social que muitos consideram ultrapassada: o Blogger. Contudo, é aqui, neste modesto espaço, que tenho visto e vivido mais do extraordinário de Deus.

Um segredo para dias de chuvas torrenciais

 




Wilma Rejane


"E desceu a chuva, e correram rios, e sopraram os ventos e deram contra aquela casa." Mt 7: 25. 
 
Há momentos em nossas vidas, que as circunstâncias se assemelham a um céu nublado e cinza a esconder o olhar de Deus sobre nós. Pensamos que Ele não nos vê, que uma tempestade se forma sem previsão para o aparecimento do sol e da terra enxuta. Encharcar os sapatos de lama, não é nada agradável para quem sonha em ir longe e firme na caminhada.
Jesus ensinou para seus discípulos uma parábola sobre tempestades, Ele nunca disse que elas não viriam e contou-lhes um segredo para enfrentá-las:  o segredo estava no alicerce da casa (ser, vida).
"Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática é como um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. E desceu a chuva, e correram rios, e sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. Mas quem ouve estas minhas palavras e não colocá-los em prática é como o homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, e correram rios, e sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu com um grande estrondo." - Mateus 7:24-27


A semente


João Cruzué 


O Reino dos Deus é o grande tema que atravessa todo o Novo Testamento como um fio de ouro reluzindo na escuridão, como João Batista clamando no deserto: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus!” (Mateus 3:2). Logo em seguida, o próprio Jesus inicia seu ministério com as mesmas palavras (Mateus 4:17). 

Esse Reino não é, em primeiro lugar, um lugar no mapa, mas o governo ativo, vivo e poderoso de Deus permeando a história humana. É Deus dizendo: “Chegou a hora de eu reinar de forma nova e definitiva no meio do meu povo e, através Dele, sobre toda a criação”.

Jesus deixa claro que o Reino já chegou até nós na sua própria pessoa. Quando os fariseus o acusam de expulsar demônios por Belzebu, ele responde: “Se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então é porque o Reino de Deus já chegou até vós” (Mateus 12:28). 

As curas, os milagres, o perdão dos pecados, a ressurreição de mortos — tudo isso são sinais concretos, visíveis e palpáveis de que o poder do mundo futuro já está operando no presente. O Reino irrompeu como uma explosão de vida no meio de um mundo de morte.

Ao mesmo tempo, Jesus ensina que o Reino ainda não chegou em sua forma final e gloriosa. Por isso Ele manda os discípulos orarem todos os dias: “Venha o teu reino” (Mateus 6:10). Ele fala de um dia futuro em que os justos “brilharão como o sol no reino de seu Pai” (Mateus 13:43) e em que o Filho do Homem voltará em glória para julgar as nações (Mateus 25:31-46). 

Estamos vivendo, portanto, no “já” do Reino (ele já começou) e no “ainda não” (ainda aguardamos sua consumação). Essa tensão define a vida cristã: já somos cidadãos do Reino, mas ainda suspiramos pela sua manifestação total.