
João Cruzué
O Reino dos Deus é o grande tema que atravessa todo o Novo Testamento como um fio de ouro reluzindo na escuridão, como João Batista clamando no deserto: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus!” (Mateus 3:2). Logo em seguida, o próprio Jesus inicia seu ministério com as mesmas palavras (Mateus 4:17).
Esse Reino não é, em primeiro lugar, um lugar no mapa, mas o governo ativo, vivo e poderoso de Deus permeando a história humana. É Deus dizendo: “Chegou a hora de eu reinar de forma nova e definitiva no meio do meu povo e, através Dele, sobre toda a criação”.
Jesus deixa claro que o Reino já chegou até nós na sua própria pessoa. Quando os fariseus o acusam de expulsar demônios por Belzebu, ele responde: “Se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então é porque o Reino de Deus já chegou até vós” (Mateus 12:28).
As curas, os milagres, o perdão dos pecados, a ressurreição de mortos — tudo isso são sinais concretos, visíveis e palpáveis de que o poder do mundo futuro já está operando no presente. O Reino irrompeu como uma explosão de vida no meio de um mundo de morte.
Ao mesmo tempo, Jesus ensina que o Reino ainda não chegou em sua forma final e gloriosa. Por isso Ele manda os discípulos orarem todos os dias: “Venha o teu reino” (Mateus 6:10). Ele fala de um dia futuro em que os justos “brilharão como o sol no reino de seu Pai” (Mateus 13:43) e em que o Filho do Homem voltará em glória para julgar as nações (Mateus 25:31-46).
Estamos vivendo, portanto, no “já” do Reino (ele já começou) e no “ainda não” (ainda aguardamos sua consumação). Essa tensão define a vida cristã: já somos cidadãos do Reino, mas ainda suspiramos pela sua manifestação total.






