Raquel e os ídolos roubados







Wilma Rejane


Por que Raquel rouba as estatuetas de seu pai Labão?  Que valor era atribuído a elas para que fossem objeto de disputa familiar e até de juramento de morte? (Gn 31:32). As referências sobre as estatuetas são feitas no capitulo 31 do livro de Gênesis que narra a fuga de Jacó, Raquel, Léa , descendentes e toda caravana de criados e bens. A família parte de Padã Arã para Canaã, terra natal de Jacó, é o cumprimento de uma promessa Divina: “Eu sou o Deus de Bétel, onde tens ungido uma coluna , onde me tens feito o  voto, levanta-te agora, vai-te dessa terra e torna a terra de tua parentela” (Gn 31: 13). Fugir se fez necessário já que o sogro de Jacó, (Labão) o tratava com rispidez e sob contenda viviam. Os bens de Jacó cresceram sobremaneira e já não cabiam no mesmo pedaço de chão que pertencia a Labão. Este, por sua vez, se mostrava egoísta e ambicioso a ponto de atrapalhar o sossego das filhas e de toda família. Herança e paz, questões cruciais que influenciaram a fuga de Jacó.


“ Furtou Raquel os ídolos que seu pai tinha” Gn 31:19


A palavra ídolos está no original em hebraico como “terafins, teraphim”  eram estatuetas de deuses familiares de muita importância para herdeiros. Conforme lei vigente em Arã e cercanias , os filhos, especialmente os mais velhos, tinham por direito herdar os “terafins” bem como toda propriedade ligada a eles. Os ídolos, eram portanto, como uma escritura de propriedade, uma garantia de herança. Ao carregar os ídolos na fuga, Raquel estava a reivindicar seu direito de propriedade. Antes de partir para Canaã, é ela mesma quem diz a Jacó: “ Porque toda riqueza que Deus tirou de nosso pai é nossa e de nossos filhos” (Gn 31:16).

Ao sentir falta das estatuetas, que eram documentação importante em assuntos de partilha de bens, Labão fica furioso. Aliás, a fúria não era apenas pelo sumiço dos terafins, mas especialmente por não aceitar o visível e grandioso enriquecimento do genro Jacó. E não fora Deus, aparecer em sonhos para abrandar o ódio de Labão, desgraças teriam acontecido nessa disputa familiar. Mas Deus ordenou a Jacó que partisse e não iria deixá-lo sozinho. Quando Deus ordena, Ele cuida. A situação parecia complicada, mas a viagem não poderia ser interrompida, nem Jacó impedido de viver independente do ambicioso Labão. É muito bom saber que Deus cumpre Seus propósitos na vida de seus filhos  e  ainda que as tempestades se levantem, Ele as acalma porque é fiel à Sua Palavra. Aleluia!

“Fiel é o que vos chama, o qual também o honrará” I Ts 5:24




E Labão segue, em direção a Canaã e alcança a Jacó.  Deus já havia preparado o encontro e os corações já estavam receptivos um ao outro que conversam amigavelmente.  Não seria justo Jacó partir para ter paz e viver atormentado pelo ódio e inimizade do sogro. Seria assim como alguém que vive a mudar de lugar para encontrar a felicidade, mas não a encontra porque não resolve os fantasmas do passado, os males do coração, as questões cruciais e espirituais. Tudo se transforma no relacionamento sincero com Deus. Quando Ele está na história, sendo ouvido e aceito no coração, portas se abrem e até o mais temível dos obstáculos ( o duro coração de Labão por exemplo) se desfaz.



Tudo bem, a paz é firmada entre sogro e genro, filhas, netos e tudo o mais. Porém, ainda faltava a Labão encontrar os terafins: “Jacó, por que furtaste os meus deuses? Não, não fui eu  quem furtou, mas com quem achares, esse não viva” (Gn 31: 30-32). Ora, Jacó não tinha a minima desconfiança de que Raquel estava com os deuses, caso contrário, não teria determinado sentença de morte. “Mas tinha tomado Raquel os ídolos e os tinha posto na albarda de um camelo, e assentara-se sobre eles e apalpou Labão toda a tenda e não os encontrou” (Gn 31:34). E é sobre essa atitude de Raquel que quero enfatizar de forma especial nesse estudo. Essa atitude me fez ouvir de Deus: “Wilma, que ídolos você esconde na albarda de camelos, sob quais ídolos se assenta?.  Eu, Senhor? Creio que tenho negligenciado algumas coisas e..."  Bem, não se consegue argumentar ou justificar o injustificável diante Daquele que conhece todas as coisas, então procurei rever e me arrepender de atitudes que poderiam estar desagradando a Deus, atrapalhando a comunhão com Jesus. É isso, todos nós vamos nos acomodando em algumas áreas e sequer percebemos onde e como estamos, até que algo nos "sacuda" .


Raquel furtou não apenas os deuses familiares, mas as tradições familiares. Ela fugia, mas não se desprendia da velha vida de contendas que vez ou outra inflamava os ânimos de todos em disputa por bens. Os deuses de Labão, eram os fantasmas de Raquel. Ela não confiou suficientemente na providência Divina, não acreditou que poderia ser feliz sem a sua parte da herança material. Raquel saiu de casa, mas carregava a casa de seus pais com ela. E não eram lembranças agradáveis, não eram exemplos a serem seguidos, pois Labão era um homem nada espiritual e absolutamente comercial. Ao enganar Jacó e pôr a felicidade das filhas em questão, ele demonstra que riqueza para ele, não necessariamente está ligada a honra. Os deuses de Raquel  eram  males que precisavam ser lançados fora, quebrados, esquecidos. Amado leitor, quais deuses eu e você escondemos “na albarda de camelos, sob os quais nos assentamos?”. Ninguém percebeu que os deuses estavam com Raquel, estavam ocultados, escondidos. No momento do confronto, ela se viu incomodada com eles porque sua vida estava em questão.


Os deuses de Raquel, furtados de Jacó me fizeram lembrar também do jovem rico de Mateus 19. Aquele que foi ao encontro de Jesus se achando justo porque seguia a lei, porque era politicamente correto e vem Jesus e diz: “você tem deuses escondidos, precisa se desfazer deles, vem e segue-me” e o que respondeu o jovem?

"Disse-lhe Jesus: se queres ser perfeito, vai vende tudo o que tens, dá aos pobres e terás um tesouro no céu. Vem e segue-me. E o jovem, ouvindo essa Palavra retirou-se triste, porque possuía muitas propriedades” Mt 18:21,22.

O jovem foi incapaz de renunciar, de abandonar os deuses, de confessar sua culpa. Ele tristemente “se assentava sobre seus deuses”. Propriedades, muitas propriedades ele tinha e todas eram deuses para ele. As propriedades de Labão, também eram deuses para Raquel. A herança que lhe cabia por direito, era o que não lhe cabia no Reino de Deus onde o amor a Deus deve ser maior que tudo! E assim, nós, mesmo sendo cristãos (ou não) negamos a Deus e não nos encontramos por dignos de Seu Reino por “esconder deuses nas albardas dos camelos”. Aquilo que nos afasta da comunhão com Deus, que O desagrada, que Toma Seu lugar em nosso coração precisa ser lançado fora. É questão de vida e morte. No reino de Deus não existe meio termo, ou é sim ou não. O jovem rico tinha que decidir: sim ou não. Seguir ou não seguir Jesus. Não podia Segui-Lo sem renunciar.


"Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim, e não, não; para que não caiais em condenação."Tiago 5:12



É isso, os terafins roubados implicam em sentença, se estão conosco, não veem de Deus porque Seu reino não permite outros deuses. Os “deuses roubados”, podem ser o trabalho, amizades, hábitos, tradições, quem sabe sonhos, bens, religião, relacionamentos, orgulho, falta de amor, tantas coisas grandes que parecem pequenas ou pequenas que se tornam grandes... Façamos essa reflexão e se adoramos algo em nossas vidas que nos afasta da comunhão com Deus, renunciemos. Jacó fugiu para Canaã e Deus o amparou na mudança. Ele amparará a todo que escolher Lhe ser fiel.

Deus os abençoe.




9 comentários:

Ns Cr disse...

Amada, Wilma Rejane:

Já li vários estudos publicados em seu blog. Confesso que tenho sido edificado e cresço no conhecimento do SENHOR. Continue com esse lindo trabalho, pois o SENHOR continuará a capacitá-la.

Nelson

Sarah Iwabuchi disse...

Irmã Wilma> Muito obrigado !

Wilma Rejane disse...



Nelson e Sarah,

Graça e paz de Jesus, amados!


Deus abençoe a cada um de vocês, porque somente Ele é capaz de nos conhecer tão bem a ponto de nos corrigir exatamente onde precisamos.

Maurício disse...

Wilma Rejane,
parabéns pelo seu blog, acabei de conhecer e já virei frequentador assíduo. Esta meditação sobre Raquel rendeu uma boa dinâmica no nosso grupo de oração: antes de as pessoas chegarem, coloquei várias figuras embaixo dos assentos, aleatoriamente, representando idolatrias, pecados ocultos, etc. Depois de discutirmos sobre a atitude de Raquel, surpreendi as pessoas pedindo para que, um a um, olhassem debaixo de seus assentos. Assim, cada um falou sobre o que aquilo representava e tivemos uma conversa muito edificante. Obrigado pelas ótimas mensagens, que Deus abençoe sua vida.

Wilma Rejane disse...


Oi Mauricio, graça e paz de Jesus!

Fiquei muito feliz com seu comentário!

Criatividade aliada a mensagem Bíblica, tenho certeza que a Palavra não voltou vazia.


Deus os abençoe.

Ivone Sarmento disse...

muito boa essa ministração! lembrei-me de que Raquel morre ao dar á luz á Benjamim. Terá sido essa a punição pela sua atitude e consequente sentença de Jacó?

Simone Santos disse...

Amem. Palavra abençoada. Amei!

Vera furigo disse...

A paz do Senhor!, Eu havia falado sobre isso com meu esposo,que Jacó sem saber decretou a morte da mulher amada!

Fl@sh disse...

Excelente estudo.
Bela visão escriturística.
Você captou e transmitiu muito bem a lição da Palavra de Deus.
Fui muito edificado!
Deus te abençoe!

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