
Elaborei outros estudos sobre a primeira multiplicação de pães e peixes, porém, desta vez, abordarei detalhes não explorados anteriormente. Pretendo aqui examinar o milagre sob o ângulo : “o que Jesus nos ensina sobre economia?”
Para alguns é um contraste falar em fé, milagres e economia. Há quem considere mercados e capitais coisas terrenas e materiais. Ora, gerenciar bem os recursos terrenos é uma questão de mordomia, termo absolutamente Bíblico.
Mordomia: Manejo responsável dos recursos do reino de Deus que foram confiados a uma pessoa ou a um grupo.
Existem muitas passagens Bíblicas sobre mordomia, para simplificar o estudo, escolhi apenas uma:
“ E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. “Lucas 14:27-30
O discípulo na passagem acima é alguém que planeja, alicerça, edifica e realiza sem desperdícios. É alguém que arca com as consequências das renúncias feitas com base na fé em Cristo. As ações revelam mordomia, pois, não são aleatórias e irresponsáveis.
Em Lucas 9, versos 10 à 17 é descrita uma multidão com mais de cinco mil pessoas que acompanhava Jesus em um monte recoberto de relva em Betsaida (casa da pesca). Anoitecia e era provável que ao voltarem para casa, alguns dos presentes desfalecesse de fome e sede, afinal, estavam o dia inteiro ouvindo Jesus e vendo-O realizar maravilhas.
Os doze primeiros discípulos de Jesus sugeriram despedir a multidão, não havia condições de alimentação. André, valorosamente, lembra que entre eles, há um garotinho com cinco pães e dois peixes, mas, o que seria aquela ínfima quantidade de alimento para tantos?
O milagre:
Jesus recebe os pães e peixes do garoto e miraculosamente multiplica-os até sobejar! Não sabemos se o garotinho estava ali vendendo pães e peixes, se carregava o alimento para adultos de sua família, não é dito. O que é dito é que André localizou o garoto, indicando-o como um destaque por obter recurso alimentar entre a multidão.
Muitas vezes o ato do garoto é exaltado para transmitir a mensagem de partilha, doação, generosidade. Contudo, o cerne, o principal do ocorrido é o fato de Jesus operar grandes coisas a partir de pequenos recursos. Deus pode transformar escassez em abundância, pode multiplicar e abençoar sobremaneira o que se coloca em Suas mãos.
A partir desses aspectos podemos compreender que houve uma conversão de situação naquele monte. O cansaço, a fome e a escassez deixaram de existir dando lugar a saciedade, abundância, providencia, renovar de ânimo.
Depois que todos se alimentam, Jesus orienta os discípulos a recolherem todas as sobras em uma clara lição de cuidado e economia. Ele tinha o poder de multiplicar, por que então se importar com tão pouco?
Porquê foi justamente sobre o pouco que o milagre aconteceu.
Economia e gerência no monte da multiplicação:
Economia: É a ciência que estuda a escassez de recursos
Gerência: ação de gerir, dirigir e administrar
Identifiquei pelo menos seis lições de economia e gerência praticadas por Jesus naquele monte, são elas:
1-Não desconsiderar o pouco: os discípulos queriam despedir a multidão faminta e cansada, consideravam que cada um devia cuidar de si, pois, nem eles nem Jesus tinham condições de alimentar as pessoas. Estavam enganados.
Jesus ensina que o pouco pode se tornar muito quando é valorizado. Cada centavo que parece ser insignificante, pode e deve ser poupado. Jesus ensina a enxergar no problema a solução. Não havia meios de alimentação naquele monte, mas, Ele valorizou o pouco que estava com o menino e multiplicou
De grão em grão seu dinheiro pode render. Os poucos cortes de gastos, a retirada de pequenas despesas diárias pode vir a gerar um lucro significante no final do mês.
O pouco foi valorizado do começo ao final da estadia no monte quando Jesus pediu para que os discípulos reunissem as sobras de comida nos cestos. Todos já estavam satisfeitos, mesmo assim, Jesus prosseguiu ensinando a importância do pouco.
A economia deve persistir mesmo com abundância de recursos. Não desperdiçar mesmo quando se tem bastante é uma regra de mordida.
2- Ter organização – Jesus organizou aquela multidão. Ele não se desesperou com tantas pessoas dependendo dEle, não se deixou absorver pelo problema. Ele orientou os discípulos a organizarem grupos de cinquenta em cinquenta e isso oxigenou o ambiente.
A organização é essencial em tudo na vida. Uma casa limpa e arrumada, um pequeno negócio que atende bem os clientes, não desperdiça recursos. A organização oxigena pequenas e grandes tarefas, faz fluir o andamento, a vida das coisas.
Acumular dívidas, sujeiras, adiar resolver negócios ou fugir da responsabilidade é entrave, atraso. Mesmo que a causa pareça impossível, Jesus ensina que é importante se organizar.
Isso significa: resolver por partes, uma coisa de cada vez. Eleger prioridades e agir.
3-Ter paciência: Observemos que houve um tempo entre a fome e o milagre. Jesus recebeu os alimentos (cinco pães e dois peixes), orientou os discípulos, organizou a multidão, orou, multiplicou, dividiu, enfim, planejou.
O desespero diante da fome e cansaço da multidão não valorizaria o pouco, possibilitando o milagre. O desespero dispensaria a multidão o que seria catastrófico. Jesus advertiu os discípulos de que as pessoas já estavam famintas e cansadas, como enfrentariam o caminho de volta? Poderiam desfalecer.
Às vezes, na pressa de resolver escassez financeira, a pessoa recorre a empréstimos que não poderá honrar. Recorre a situações ilícitas que colocaram sua vida e dignidade em risco. Recorrem a pessoas que não são confiáveis e não têm cuidado nem consideração com o próximo.
Naquele monte onde houve milagres, Jesus ensinou o valor da oração, de colocar o pouco sobre Seus cuidados. Ensinou que mais importante que se livrar do problema é encarar com paciência.
4-Não se distanciar de Jesus: sem Jesus naquele monte nada de extraordinário teria acontecido. A solução não estava em despedir a multidão, mas em aproximá-la de Jesus. Por pior que seja a situação, não abandonemos a fé em Cristo, Ele é a nossa salvação em todo o tempo, nos montes e nos vales.
Salmo 23:4 “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.”
Que Deus nos ajude a sermos mordomos fiéis, compreendendo a necessidade de administrar os recursos que estão disponíveis para nós, pois, desde a criação do homem esta foi a ordem: “sujeitai a terra que vos dei” Gênesis 1:28.
Na economia ocorrida no monte foi a divisão, a generosidade que proporcionou a multiplicação. Não houve lugar para egoísmo ou ganância. Jesus e os discípulos ficaram felizes em doar, em alimentar aquela multidão.
Há uma lição espiritual inquestionável no milagre da multiplicação: Jesus é o Pão da vida, é o provedor, o abençoador. Na economia do monte, esta verdade não pode ser poupada, precisa ser vivida.
Deus nos abençoe.
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O pouco com Deus é muito
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BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Plenitude, Tradução João Ferreira de Almeida, São Paulo, Sociedade Bíblica do Brasil, 1995.
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BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Plenitude, Tradução João Ferreira de Almeida, São Paulo, Sociedade Bíblica do Brasil, 1995.
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