Ao produzir o
estudo sobre a derrota de Israel para os moradores da cidade de Ai, fiquei a meditar em como nós, cristãos, temos o hábito de tantas vezes nos julgarmos especiais, escolhidos, abençoados. Revestidos desses adjetivos, corremos o sério perigo de nos tornar soberbos. Além do fracasso pessoal, essa situação toda acarreta mal testemunho e afasta outros do Reino dos céus.
Não é difícil conhecer pessoas que têm verdadeira ojeriza à cristão, justamente por se sentirem inferiores na presença destes que, impiedosamente, criticam o semelhante até mesmo por terem sido vitimados por um resfriado:
- Atchim!
- Que é isso rapaz, tu não tem fé não?
- O gripado meio sem entender, ainda limpando a secreção do nariz, pergunta assustado: Por quê?
- Ah, se vós servísseis o deus que sirvo não estaria doente
Ai, ai, ai. Oh céus! Onde foi parar a misericórdia do irmão? Anos de igreja e sapato de fogo assim pra nada? É triste, porém é muito mais comum do que pensamos. Fala a verdade: Você não conhece alguém assim? Não já foi criticado por estar sofrendo? É por estas e outras que encontrar um conselheiro fiel é tão raro quanto agulha em palheiro.
Mas ninguém está livre desse “complexo de ungido”. Vez por outra também sou traída pelo sentimento de exclusividade que outrora assolou Israel. Semana passada fui à Previdência receber minha carteira médica, eram três guichês e em cada um havia um cliente. O motivo da fila tão curta era: Sistema fora do ar. Logo me vi sozinha ali, com as três funcionárias fechando gavetas, desligando o ar condicionado, daí perguntei: