Trago uma entrevista com alguém muito especial : Irmão João Batista Cruzué. Nossa amizade começou através da UBE
(União de Blogueiros Evangélicos), ele (por indicação do
Eliseu e do
Sammis) me fez o convite para participar do projeto e após várias negativas de minha parte, insistiu e de forma muito impactante me convenceu que há necessidade de obreiros para a seara virtual e que Deus tem propósitos para os que servem com amor. Cruzué é um escritor talentoso e fala profundamente aos leitores de seus blogs entre os quais destaco
Blog Olhar Cristão. Obrigada pela disposição em responder a entrevista, querido João e por compartilhar conosco seu admirável testemunho de vida.
Se eu fosse você não perderia uma linha dessa conversa.
Entrevista por Wilma Rejane
Quero inicialmente agradecer a oportunidade à Irmã Wilma Rejane, jornalista cristã, Educadora, e cumprimentar os leitores do Blog “A Tenda na Rocha”, editado por ela. Um Blog com excelência, que vem publicando conteúdo com propósito, responsável e genuinamente cristão. Diferentemente dos de outros blogs atingidos pelos ventos narcisistas, onde a difamação e a fofoca evangélica levam a um “sucesso” fácil, mas que derrubam pontes em lugar de construí-las; assustam os sedentos de Deus com textos difamadores, que vêem apenas a malícia e hipocrisia em tudo e todos, em lugar de terem um olhar cristão. Parabéns pelo trabalho, irmã Wilma, e mais vez: muito obrigado pela oportunidade.
Me chamo João Batista Cruzué nasci em Ponte Nova, Minas Gerais, moro em São Paulo, congrego na Igreja Evangélica Assembleia de Deus desde 1977, sou presbítero, casado há 27 anos com a Cléo, tenho duas filhas, um neto e trabalho na auditoria do Tribunal de Contas de São Paulo.
João, nos fale um pouco sobre sua infância
Minha infância foi muito pobre, mas alegre e divertida. Nasci e vivi no campo, ia para a escola a pé até os 12 anos. Minha mãe era uma professora de escola rural, que veio de uma família muito focada em educação. Eu tinha muitos primos para brincar de “tapinha” (pega-pega) “pique”, birosca (bolinha de gude), “tiradeira” (estilingue), pião na roda, pesca de anzol e peneira, e tomava muito banho no rio – para o pavor de minha mãe. Tinha só dois brinquedos: um caminhãozinho de madeira e uma pequena bola de borracha vermelha.
Mas essas brincadeiras eram coisas de domingo, pois de segunda a sábado o negócio era: estudar, estudar e estudar. Tenho vivo em minha memória uma cena: minha mãe carpindo o arrozal comigo ao seu lado com um caderno na mão. Era muito cobrado e invariavelmente tirava as primeiras notas da classe. Meu pai, já falecido, não conseguia fechar as mãos, cheias de calos, dormentes, de tanto usá-las em um cabo de enxada, mas hoje, eu leio, falo, traduzo e escrevo em inglês e sou auditor concursado. Valeu a pena.
Não eram apenas brincadeiras e estudos, eu trabalhava também. Desde muito pequeno lavava as “vasilhas” do almoço, carregava água para o banho de bacia e socava arroz no pilão para as refeições da casa. Isso tinha uma explicação: tanto meu pai quanto minha mãe ficavam praticamente o dia inteiro trabalhando na roça, plantando, capinando e colhendo. Eles eram muito pobres, econômicos, honestos e muito trabalhadores. Aspiravam a uma vida melhor e mais confortável – o que conseguiram lá pelos meus 14 anos.