Não te deixarei, nem te abandonarei.

Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito embaixo do céu Ec 3:1




Wilma Rejane


Por Deus, por sua imensurável graça, o tempo abriga seus segredos que procuramos desvendar a medida que vivemos. Ele nos envolve em dias, meses, anos e percorrendo caminhos tantos, faz de nós quem somos. O tempo, não nos chama pelo nome, às vezes parece um ilustre desconhecido que nos surpreende com bons e maus momentos , com chegadas que desejaríamos ser eternas, de tanta felicidade que nos traz. Mas o tempo e o hoje, é, e daqui a pouco deixou de existir,  sem nos dá certeza do que há de vir.

”Que lei rege as horas amenas da primavera, que permite que a terra se encha de flores e faz com que no fim do ano, o fecundo Outono amadureça as frutas?" ( Boécio, Consolação. Pg 6)

"Quem sabe amanhã"; dizemos na certeza de que o amanhã não falha. Fazemos planos, marcamos encontros, preenchemos nossas agendas e observando o calendário, contemplamos o futuro como se estivéssemos em uma estação de trem, com malas prontas para embarque. Nós e o tempo, um destino e um futuro que nos reserva o que sequer pensamos , no que diz o sábio pregador do livro de Eclesiastes:

“No dia da prosperidade goza do bem, mas no dia da adversidade considera: porque também Deus fez a este em oposição àquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele" Ec 8:14

Lançamento do livro Blogs evangélicos, coletânea de escritores nacionais e internacionais







Valmir Nascimento


BLOGS EVANGÉLICOS: O IMPACTO DA MENSAGEM CRISTÃ NA INTERNET (VCP)

Em virtude da sua simplicidade operacional, interatividade e facilidade de uso, nos últimos anos os blogs se transformaram em um dos principais meios de expressão e comunicação social. Essa nova ferramenta da cibernética tem sido responsável por uma verdadeira revolução na forma como se produz e compartilha conhecimento na rede mundial de computadores. 

Graças a essa nova interface, a publicação de conteúdo não é, nos dias atuais, monopólio das grandes empresas de comunicação e do jornalismo tradicional. Hoje, qualquer pessoa é capaz de produzir e distribuir informação para uma infinidade de pessoas em todos os cantos da terra. 


Após tragédia, Sociedade Bíblica do Brasil inicia distribuição de Bíblias na cidade de Santa Maria

Foto: Passeata pela paz em Santa Maria


Por Wilma Rejane

Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) em ação solidária aos afetados pela tragédia de Santa Maria (RS) está distribuindo material bíblico e fazendo corrente de orações para levar consolo e esperança aos que perderam entes queridos no incêndio.

A distribuição de literatura bíblica em Santa Maria está inserida no programa Fortalecer da SBB, e almeja através disso oferecer assistência espiritual e social. A entidade também lançou um apelo aos cristãos de todo o Brasil para que se envolvam na ação, por meio de orações e enviando mensagens escritas.

“Estamos distribuindo Bíblias, livretos e folhetos aos enlutados, para que encontrem consolo na Palavra de Deus. Em meio a uma tragédia que comove toda uma nação, é importante que se estabeleça uma corrente de orações, para que essas pessoas sejam sensíveis à mensagem de esperança do Evangelho”, relata Erní Seibert, secretário de Comunicação e Ação Social da SBB, em um comunicado compartilhado com o The Christian Post.

A distribuição do material bíblico está sendo realizada através de uma equipe enviada pela SBB e em conjunto com as igrejas cristãs da cidade.

Além de Bíblias, voluntários estão entregando também materiais de literatura bíblica como “Deus está presente”, “Deus é o nosso refúgio” e “Nada pode nos separar do amor de Deus”. Os voluntários estão visitando os hospitais de Santa Maria e região, que estão atendendo os sobreviventes do incêndio.

“Em situações desesperadoras como este incêndio que ceifou tantas vidas, esta ação é fundamental, porque a Bíblia traz uma palavra de esperança, que conforta e fortalece”, ressaltou Seibert.

A SBB planeja reunir líderes voluntários para tratar sobre o tema “Amparo de Deus no Luto”, tendo como base o conteúdo do livreto “Deus está presente”. O evento será no dia 7 de fevereiro, das 9h às 12h, na Igreja Batista Betel, localizada na av. Borges de Medeiros, no Bairro Salgado Filho.

O lenço e lençóis deixados para trás por Jesus

O Senhor Deus dá força ao cansado e guia por novos e seguros caminhos





Wilma Rejane


O Evangelho de João dedica alguns versos sobre o lenço e os lençóis que envolviam o corpo de Jesus no sepulcro


"Então Pedro saiu com o outro discípulo, e foram ao sepulcro. E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais apressadamente do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. E, abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia não entrou. Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis,E que o lenço, que tinha estado sobre a sua cabeça, não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu." João 20:3-8

Qual seria a intenção de João ao descrever esses detalhes do lado de dentro do sepulcro que acolheu o Cristo, Filho de Deus, por três dias? Há algumas afirmativas de que o lenço, devidamente dobrado à parte, sobre algum canto do sepulcro, teria relação com um costume judaico entre servo e Senhor. Os senhores que cuidadosamente deixavam o lenço dobrado sobre a mesa, após refeição, estaria confirmando que voltaria, que a ceia ainda não havia sido encerrada. Porém, não há confirmação sobre esse costume judaico. Não obstante a interpretação do lenço ser revestida de fé e esperança, ela carece de embasamento.

Por todo o Evangelho e até mesmo na última ceia realizada entre Jesus e os discípulos, não vemos nenhuma referência quanto a lenço dispostos sobre à mesa. O costume, na verdade, era o de lavar as mãos em talhas com água e depois enxugá-las com um lenço que deveria ser colocado sobre a mesa, ou almofada. Lembram de Jesus na festa de noivado? Ele transformou a água das talhas em vinho. Aquela água, era para lavar as mãos, os judeus eram muito cuidadosos sobre os costumes e observavam diligentemente essas normas. Daí vem Jesus, transformando água em vinho, usando as talhas. Como a dizer que o Evangelho era Nova Vida, Alegria, não tradição ou costumes, mas liberdade com novidade de vida! Não era o exterior que deveria ser limpo, mas o interior com a lavagem do sangue do Cordeiro de Deus.



"E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes. Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram. E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo. E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho." João 2:6-10


Mesmo aqui, quando as talhas são citadas, não há referência ao lenço ou guardanapo usado pelos judeus. O lenço era um elemento ligado a lei judaica e também está citado no Misná, livro de tradições judaicas:" Na hora da refeição deve-se abençoar o alimento e o vinho, lavar as mãos e enxugá-la com um lenço (guardanapo)" Mishnah. Lembremos que Jesus sempre fez duras criticas à tradição que "engessava" as pessoas em insensíveis padrões, fazendo-as escravas de regras e mais regras, agindo por obrigação e não com o coração. A tradição era um fardo que ao ser carregado desobstruía a consciência pelo cumprimento de um dever, porém fazendo esquecer do valor dos gestos despretensiosos e cheios de compaixão.

Voltando ao lenço e aos lençóis deixados no sepulcro. Eles não estavam jogados de qualquer forma, mas devidamente organizados, arrumados como se alguém tivesse tido o cuidado de assim deixá-los. Estavam lá, não foram esquecidos, mas deixados para trás com propósito. A palavra grega usada para o lenço, peça menor é: "soudarion ou sudário", pedaço de pano que envolvia o rosto de Jesus,  tipo bandana. Vejam, o lenço aqui não é o mesmo usado nas refeições, mas próprio para enrolar a cabeça, este tem sido objeto de muitas especulações.

Os lençóis dispostos no sepulcro, estavam dobrados sob o chão. Sabe de algo formidável? Pedro e João creram na ressurreição de Jesus, mesmo sem vê Lo. O lenço e os lençóis eram provas suficientes de que Ele havia ressuscitado! E desmentindo a tradição do sudário,  penso que nem lenço, nem lençol guardavam as marcas de sangue delineando a fisionomia e corpo de Jesus. Ele fora ungido com óleo, limpo , toda secreção removida, nada de sangue, tudo já estava estancado. Água e sangue era a composição do corpo de Jesus, uma anatomia diferente e sobrenatural que permitia sarar de forma eficiente. Não foi permitido lhe quebrarem os ossos e isso contribui para um bom estado de conservação. E outra: como é que o sudário dito real, dispõe a imagem até mesmo dos cabelos de Jesus avolumados se a pressão do lenço enrolado  na cabeça não permite tal fato? Reconstituição? Se for, já não se valida como prova original, mas manipulada pelo homem, portanto passível de questionamentos.

Quando o inesperado acontece - Tragédia em Santa Maria


Eclesiastes 7:2 "É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério!



Wilma Rejane


Me sinto diminuida diante da morte, porque essa é a maior dor que existe sobre a face da terra. Uma dor que ceifa os vivos levando-os à sepultura e abate os que ficam pela angústia da saudade,  perda e absoluta impotência. A vida só existe porque também há morte, inversos que tragicamente se completam para dar continuidade a espécie humana. Como o dia, em que brilha o sol, devolvendo o azul claro do céu, tão somente porque também existe a noite. E alegria só se torna possível porque há tristeza. A vida, pode parecer óbvia, mas é indecifrável pela presença do inesperado. 


Quero aqui, traçar um paradigma sobre o significado da palavra tragédia e o ocorrido em Santa Maria. " tragoedia" tem origem grega e era aplicada a festas em que o canto, a música, era a principal atração. Porém, e de repente, surgia entre os cantores, um animal chamado bode. "tragos = bode e oedia =canto". Portanto, tragédia se caracterizou como uma grande e alegre festa, de final triste, porque o bode era sacrificado como forma de punição por devastar as videiras dos deuses festivos. Tragédia é tudo que se opõe a alegria. É o elemento inesperado que devasta o riso (simbolizado pelo vinho, videira) é o sacrificio da vida que se remove em angústia pela perda.

O que era motivo de festa para esses jovens de Santa Maria tornou-se em sacrifício. Um sacrificio, também e principalmente para os parentes dos mortos que um dia se alegraram pelo nascimento de seus filhos e quem sabe, jamais imaginaram, morrerem dessa forma. Quero dizer aos que lêm esse artigo que Deus também chora nesses momentos, assim como chorou pela morte de Seu filho Jesus. O sacrificio do filho de Deus, veio para perpetuar o riso aos que choram, porque através Dele nos foi devolvida a vida eterna, foi decretada a morte da morte. 

A casa do outro lado da rua - É sobre cobiça

Êxodo 20:17 "Não cobice nada do seu próximo"




Wilma Rejane


Certa vez, Abraão teve um encontro com o  Rei de Salém,  este lhe ofereceu fazendas em troca de servos,   e ouviu como resposta: “Não tomarei coisa alguma do que é teu, para que não digas: Eu enriqueci a Abraão” Gn 14:23. Abraão era satisfeito com o que tinha, e sabia que poderia ser próspero e feliz colocando tudo sob os cuidados de Deus. Parte da infelicidade humana, tem origem na insatisfação entre ser e possuir. Um breve olhar ao nosso redor nos dirá o quanto de capital e consumo se exige dos homens, revestidos de pretexto de felicidade. E apesar da evolução comercial e tecnológica, novas e espantosas descobertas são realizadas no sentido de curar ou evitar o avanço das doenças consideradas comuns nessa era: bipolaridade, depressão, ansiedade, solidão, síndromes e síndromes. Mãos cheias e corações vazios. E esse  não é um dilema apenas dos “ricos”; quem possui sempre quer mais e quem não possui também. O problema aqui não é entre ricos e pobres, mas sobre cobiça.

Hebreus 13:5- "Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque Ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei”



A casa e o jardim do outro lado da rua, não são mais belos. Aquilo que amamos e cultivamos com a benção de Deus é o que nos traz felicidade e se a felicidade reside em nós, para que cobiça? Uma perfeita ilustração sobre o tema é a história do encontro de Jesus com o jovem rico em Mateus 19:16-30. O jovem queria saber o caminho da vida eterna, Jesus se apresenta como Tal e lhe faz o maior e mais importante convite que alguém pode receber em vida: “Vai, vende tudo o que tens e terás um tesouro no céu, vem e segue-me”. O jovem pesou na balança e considerou que suas conquistas materiais eram bem mais importantes que O Reino dos céus, a presença constante de Jesus em sua vida. E o texto termina dizendo que “o jovem partiu triste porque possuía muitas propriedades” Mt 19:22.  Mãos cheias e coração vazio. O problema do jovem era cobiça, avareza. E por essa causa, sua vida (inconsistente) consistia em possuir bens e ser possuído por eles. Felicidade e vida eterna não são questões de status social, Deus não faz acepção de pessoas, mas assim como o “jovem rico”, muitos podem se perder por depositar a vida nos bens terrenos.


Gratidão, submissão e dependência de Deus


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João Cruzué

Um dos mais lindos trechos da Bíblia é o da cura dos dez leprosos, em Lucas 17:11-18.  Dez pessoas que viviam excluídas da sociedade, vivendo longe da família por causa da praga da lepra. E naquele tempo, se uma pessoa contraísse lepra, tinha de morar fora dos muros ou na entrada da cidade. Naquele lugar não ia ninguém. Imagino que cada leproso arranjasse novos vínculos sociais entre outros mal-afortunados com a mesma lepra. E se não tivesse ninguém além dos muros, ficaria ali isolado, talvez conversasse sozinho com com um animal. E viajando para Jerusalém, Jesus Cristo entrou em uma aldeia, creio, na divisa entre Samaria e a Galileia. O que aconteceu na entrada daquela  aldeia nos mostra três coisas que Deus se agrada quando  estão presentes na vida de um cristão.

Eu sei que a maioria de nós ora; seja católico, crente ou espírita, nem sempre tem uma oração  respondida na hora. Mas Lucas, o escritor do Evangelho, anotou que o Senhor foi curto e claro: Ide e apresentai-vos aos Sacerdotes, os religiosos da aldeia que tinham a autoridade, entre outras funções, de verificar se um leproso estava curado, e se estivesse, daria a autorização para voltar para dentro da cidade, para o meio dos amigos, dos parentes  e da própria família.

E na ida até os sacerdotes, cada um dos dez leprosos foi curado. E apenas um parou, pensou e voltou para agradecer, antes de ir aos sacerdotes.  Os outros nove seguiram  diretamente à casa dos religiosos, pois não viam a hora de abraçar os familiares, os amigos,  beijar os filhos e entrar na própria casa.

A gratidão é uma atitude rara.

Tanto nos tempos de Jesus Cristo, quanto nos dias de hoje. Somos  por natureza egoístas. Começamos nossas orações geralmente, pedindo(me dá!), em lugar de agradecer (obrigado!), por causa da pressa. Ah! a pressa... sinônimo de ansiedade. Quando somos abençoados, a primeira pessoa a saber deve ser o Senhor. Ele é o criador, o sarador, o abençoador. Esta atitude de gratidão mostra o outro lado da virtude - a submissão. E a submissão significa: colocar a vontade de Deus em primeiro lugar.


Milagres de uma simples pregação: Esquecer para Crescer

Não deixe as frustrações dominar em você. Faça dos erros, uma oportunidade para crescer
Na vida, erra quem não sabe lidar com os fracassos. A. Cury



Do mano
Wallace Sousa


Eu morava em uma pequena cidade do interior do Mato Grosso, bem no meio da Amazônia Legal. Nunca cheguei a ver uma onça miando por perto, mas cheguei a ver rastros. Deus me enviou ali para me moldar, amassar o barro e me fazer um vaso novo. Nessa pequena cidade, eu atuei temporariamente como professor substituto em uma turma de administração da faculdade, que também foi o cumprimento de uma promessa divina, antes de eu chegar nessa cidade.


Mas, por descuido e falta de vigilância (Deus até havia me dado um sonho antes disso acontecer, mas não orei e nem vigiei o bastante), eu acabei por cometer um deslize e não pude continuar sendo professor da turma. Não foi algo grave, mas acabou comprometendo minha atuação profissional e impossibilitou minha permanência como docente. Isso me deixou um bocado abatido, não apenas pela rejeição que sofri, mas por ter sido culpa minha passar por aquela situação. Houve um dia em especial que isso foi muito forte.

Eu estava saindo de casa, após esses acontecimentos trágicos (para mim), e ao atravessar o portão que dava acesso a rua, descobri-me carregando um fardo horrível de vergonha e rejeição. Foi um sentimento muito estranho porque apesar de não haver ninguém na rua, naquele momento, eu me senti como se os olhares de todos estivessem cravados em mim, julgando-me e condenando-me. Então, olhei para o alto, contemplando as nuvens deslizando pelo céu e disse, mais ou menos nestes termos:

“Senhor, eu errei e estou pagando o preço por esse erro. Mas, eu não vou aceitar que essa vergonha pelo erro me oprima e me soterre com esse fardo de angústia. Eu não vou abaixar a cabeça para isso, mas andar de cabeça erguida e vou vencer essa situação, em nome de Jesus!”

Depois que disse isso e tomei essa firme decisão, a vergonha simplesmente desapareceu, como se jamais tivesse existido. Foi como se tivesse caído um fardo pesado de meus ombros. E aprendi que, muitas vezes, nossas atitudes acabam determinando nosso futuro, para o bem e para o mal, dependendo do que queremos, do que cremos e da forma que agimos diante das dificuldades que a vida nos impõe.

Guarde essa lição com você, e lembre-se dela nos momentos de maior dificuldade, que você encontrará forças para continuar lutando, mesmo quando tudo o mais parecer que está dando errado.

Culto especial

Alguns dias depois, fui a uma das cidades vizinhas, onde teve uma reunião de obreiros para tratar de assuntos administrativos e seleção de novos obreiros (a palavra não é bem essa, mas como explicação serve). Por uma questão puramente logística, já que a maioria dos obreiros estava na reunião tratando de outros assuntos, fui escalado para ser o pregador da noite. Era um sábado, igreja de madeira, pequena, apertada, quente e lotada. E eu pedindo misericórdia ao Senhor, porque eu precisava muito.

O texto que escolhi para pregar naquela noite versava sobre a história de José no Egito. Veja bem: era José NO Egito, e não José DO Egito. José estava NO Egito, mas José não ERA do Egito, tanto que pediu que seus ossos fossem levados para Canaã (após sua morte, claro… hehe). O texto, de apenas 3 versos, era este:

E nasceram a José dois filhos (antes que viesse um ano de fome), que lhe deu Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. E chamou José ao primogênito Manassés, porque disse: Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai. E ao segundo chamou Efraim; porque disse: Deus me fez crescer na terra da minha aflição. Gn 41.50-52 (grifos acrescidos)

Naquela noite, eu preguei sobre esquecer o que ficou para trás para poder crescer e avançar para as conquistas que estão adiante de nós. Então, contei minha experiência: o sonho que tive, a tribulação que se seguiu, junto com toda a vergonha e angústia. Contei também do dia em que fui sair na rua e senti vergonha, e da reação que tive, de não entregar os pontos e lutar para sair daquela situação.


Mãos de Marta e coração de Maria

E, quanto fizerdes por palavras ou por obras,
fazei tudo em nome do Senhor Jesus,
dando por Ele graças a Deus Pai. Colossenses 3:17





João Cruzué


Ontem, quando desci à sala para orar, um pensamento veio e eu pedi ao Senhor que falasse comigo. Ao abrir a Bíblia antes da oração, pude perceber que Deus falou. E como sempre gosto de fazer, vim até aqui para compartilhar. Pela primeira vez percebi um há um elo entre os fatos passados na casa de Marta e Maria e a parábola do bom samaritano.

-Senhor fala comigo pela sua Palavra, eu pedi. Há dias em que temos mais necessidades de orar que outros, e esta semana em especial, tem sido bem difícil, pois são vários os motivos para bater, buscar e pedir recurso onde se pode achar.

Meu antigo companheiro, auxiliar dos meus tempos de "pastor" está fazendo quimioterapia. A esposa de outro amigo de muitos anos, também colega de ministério, jaz em um leito de UTI, há três meses. Seu cérebro foi muitíssimo danificado com três paradas cardíacas. Isso ainda não é tudo. Um antigo Pastor, dos meus tempos de jovem, está há mais de 12 anos em uma cadeira de rodas, deprimido. Não mais lê, deixou a fisioterapia, disse-me que apenas fecha os olhos e ora constantemente. Depois de ter sofrido um derrame, teima que só voltará à Igreja depois de curado e de uma forma maravilhosa. E já se passaram mais de 12 anos. Como pode notar, eu não conseguiria mesmo estar com a minha alma tranqüila diante dessas coisas tristes.

Ao abrir a Bíblia pude ler a página inteira do final do capítulo 10 de Lucas. Primeiro o texto de Marta e Maria, continuando na parábola do bom samaritano. São palavras muito conhecidas, mas que ontem fizeram-se novas para mim.

A preocupação de Marta era o serviço: anda para lá, anda para cá; imagino: aranjando lenha, assoprando brasas do fogo, limpando as panelas, assando um pão, talvez depenando alguma ave, ou mesmo temperando um pequeno cordeiro. O tempo passava depressa, o dia ou noite chegando , e nada da ajuda de Maria.

Maria esquecera-se completamente do serviço. Assentada aos pés de Jesus, (não havia nem cadeiras nem mesas altas naquele tempo e naquela cultura) ouvia com o coração ardendo o falar do Mestre. O tempo passava e ela não se cansava, como vez em quando ainda acontece em nossos dias, quando a presença do Senhor se faz muito forte em algum culto.

Marta estava preocupada em servir, e Maria esquecera-se de tudo porque ouvia, e ouvia, e queria mais ouvir as palavras do Senhor. Marta receosa de não dar conta do trabalho deu ordens ao Mestre: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe servir sozinha? Dize-lhe, pois, que me ajude.

Comunicação é uma coisa boa; precisamos mesmo nos comunicar. Mas comunhão é algo muito mais profundo. Qualquer um pode comunicar-se, dizer bom dia, boa tarde, reportar o tempo; alguns podem orar acompanhados por uma hora, duas ou quem sabe até uma vigília inteira. Mas nem todos assuntos falados significam comunhão; isto é mais que sabido. Por exemplo: tenho duas filhas. Uma já se casou e a mais nova já tem namorado. Imagine que eu me assente à sala e passe a tarde inteira junto aos dois "segurando vela", como se diz em nossa cultura. Eles podem conversar assuntos os mais variados - mas nenhum deles vai ter a coragem necessária, por exemplo, para dizer "eu te amo".

Ano de 2013, século XXI - aqui estamos nós. Afadigados, preocupados, sem tempo, como diligentes Martas, quem sabe até dando ordens ao Senhor. É um corre-corre, um subindo-e-descendo, um ensaia-ensaia, um prega-prega, um canta-canta, um ensina-ensina... Domingo, segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado e chega o outro domingo. Estamos servindo? Sim! Estamos trabalhando? Sim! Estamos nos afadigando? Muito! Mas, por que estamos vazios e colhendo tão pouco?