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Não deixe as frustrações dominar em você. Faça dos erros, uma oportunidade para crescer
Na vida, erra quem não sabe lidar com os fracassos. A. Cury |
Do mano
Wallace Sousa
Eu morava em uma pequena cidade do interior do Mato Grosso, bem no meio da Amazônia Legal. Nunca cheguei a ver uma onça miando por perto, mas cheguei a ver rastros. Deus me enviou ali para me moldar, amassar o barro e me fazer um vaso novo. Nessa pequena cidade, eu atuei temporariamente como professor substituto em uma turma de administração da faculdade, que também foi o cumprimento de uma promessa divina, antes de eu chegar nessa cidade.
Mas, por descuido e falta de vigilância (Deus até havia me dado um sonho antes disso acontecer, mas não orei e nem vigiei o bastante), eu acabei por cometer um deslize e não pude continuar sendo professor da turma. Não foi algo grave, mas acabou comprometendo minha atuação profissional e impossibilitou minha permanência como docente. Isso me deixou um bocado abatido, não apenas pela rejeição que sofri, mas por ter sido culpa minha passar por aquela situação. Houve um dia em especial que isso foi muito forte.
Eu estava saindo de casa, após esses acontecimentos trágicos (para mim), e ao atravessar o portão que dava acesso a rua, descobri-me carregando um fardo horrível de vergonha e rejeição. Foi um sentimento muito estranho porque apesar de não haver ninguém na rua, naquele momento, eu me senti como se os olhares de todos estivessem cravados em mim, julgando-me e condenando-me. Então, olhei para o alto, contemplando as nuvens deslizando pelo céu e disse, mais ou menos nestes termos:
“Senhor, eu errei e estou pagando o preço por esse erro. Mas, eu não vou aceitar que essa vergonha pelo erro me oprima e me soterre com esse fardo de angústia. Eu não vou abaixar a cabeça para isso, mas andar de cabeça erguida e vou vencer essa situação, em nome de Jesus!”
Depois que disse isso e tomei essa firme decisão, a vergonha simplesmente desapareceu, como se jamais tivesse existido. Foi como se tivesse caído um fardo pesado de meus ombros. E aprendi que, muitas vezes, nossas atitudes acabam determinando nosso futuro, para o bem e para o mal, dependendo do que queremos, do que cremos e da forma que agimos diante das dificuldades que a vida nos impõe.
Guarde essa lição com você, e lembre-se dela nos momentos de maior dificuldade, que você encontrará forças para continuar lutando, mesmo quando tudo o mais parecer que está dando errado.
Culto especial
Alguns dias depois, fui a uma das cidades vizinhas, onde teve uma reunião de obreiros para tratar de assuntos administrativos e seleção de novos obreiros (a palavra não é bem essa, mas como explicação serve). Por uma questão puramente logística, já que a maioria dos obreiros estava na reunião tratando de outros assuntos, fui escalado para ser o pregador da noite. Era um sábado, igreja de madeira, pequena, apertada, quente e lotada. E eu pedindo misericórdia ao Senhor, porque eu precisava muito.
O texto que escolhi para pregar naquela noite versava sobre a história de José no Egito. Veja bem: era José NO Egito, e não José DO Egito. José estava NO Egito, mas José não ERA do Egito, tanto que pediu que seus ossos fossem levados para Canaã (após sua morte, claro… hehe). O texto, de apenas 3 versos, era este:
E nasceram a José dois filhos (antes que viesse um ano de fome), que lhe deu Azenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. E chamou José ao primogênito Manassés, porque disse: Deus me fez esquecer de todo o meu trabalho, e de toda a casa de meu pai. E ao segundo chamou Efraim; porque disse: Deus me fez crescer na terra da minha aflição. Gn 41.50-52 (grifos acrescidos)
Naquela noite, eu preguei sobre esquecer o que ficou para trás para poder crescer e avançar para as conquistas que estão adiante de nós. Então, contei minha experiência: o sonho que tive, a tribulação que se seguiu, junto com toda a vergonha e angústia. Contei também do dia em que fui sair na rua e senti vergonha, e da reação que tive, de não entregar os pontos e lutar para sair daquela situação.