A picada do basilisco




Wilma Rejane

" Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. Pois ao final te morderá como a cobra e picará como o basilisco." (Provérbios 23: 31,32)

Os versos em questão falam sobre os efeitos nocivos da bebida alcoólica, correto? À primeira vista pode parecer que sim, mas em uma análise mais completa do capítulo 23 de provérbios, veremos que essa atrativa taça de vinho e a consequente ressaca diz respeito também a  prostituição.

Provérbios 23:

26 Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos.
27 Pois cova profunda é a prostituta, poço estreito, a alheia.
28 Ela, como salteador, se põe a espreitar e multiplica entre os homens os infiéis.
29 Para quem são os ais? Para quem, os pesares? Para quem, as rixas? Para quem, as queixas? Para quem, as feridas sem causa? E para quem, os olhos vermelhos?
30 Para os que se demoram em beber vinho, para os que andam buscando bebida misturada.
31 Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente.
32 Pois ao cabo morderá como a cobra e picará como o basilisco.
33 Os teus olhos verão coisas esquisitas, e o teu coração falará perversidades.
34 Serás como o que se deita no meio do mar e como o que se deita no alto do mastro
35 e dirás: Espancaram-me, e não me doeu; bateram-me, e não o senti; quando despertarei? Então, tornarei a beber.

Carta para os ansiosos





De: Kyle Borg
Traduzido por:
Daniel TC em
Reforma 21

Caro Sr. Ansioso,

Olá amigo! Eu queria te agradecer por sua carta. Tenho que admitir, entretanto, que lamento saber de suas muitas e penosas ansiedades. Elas são uma carga que você não deveria carregar. Você não está sozinho. O mundo está cheio de gente ansiosa. Eu não me refiro às pessoas que estão ansiosas pelas coisas de Deus – pecado e tentação ou o estado de suas almas. Ah, se tivéssemos mais desse tipo de ansiedade e menos das preocupações mundanas! Não, nós nos preocupamos com todo tipo de coisas – dinheiro e saúde, casamento e filhos, escola e trabalho, reputação e aparência, hoje e amanhã; nos preocupamos com o que vamos comer, beber e vestir – e essa lista poderia continuar pra sempre. Em meu caso, preciso admitir, de vez em quando a ansiedade cobre a minha cabeça como uma sombra negra que parece quase impossível de escapar.

Ainda assim, Sr. Ansioso, creio fortemente que um cristão tem tanto direito de se preocupar quanto tem de roubar, mentir ou matar. Isso é, ele não tem esse direito – é ilegal! Ansiedade é descrença, é ser dominado pelas circunstâncias, é uma desconfiança das promessas de Deus. Nos preocupamos, e preocupação é pecado. A ordem é clara, “Não andeis ansiosos” (Mateus 6.25), e “Não andeis ansiosos de coisa alguma” (Filipenses 4.6). Entretanto, alguns cristãos parecem, ao menos pra mim, que são as pessoas mais ansiosas que eu já conheci. Não era pra ser assim! Não é a ansiedade quem paga as contas, nem é ela quem coloca comida na mesa. Preocupar-se não melhora sua saúde nem prolonga seus dias. Nem um pouquinho. Como o salmista disse, “Nas tuas mãos, estão os meus dias” (Salmo 31.15).

Mensagem de ano novo



Wilma Rejane


“O que é já foi, e o que há de ser também já foi, Deus fará renovar o que se passou” Eclesiastes 3:15

Há uma sucessão natural na vida, circunstâncias que são frutos de ações e reações intermináveis na rotina do tempo. Todas essas coisas obedecem a uma ordem estabelecida por Deus.  O futuro poderá ser uma reprodução do passado e esse passado já foi presente um dia e a mesma coisa se diz do futuro.  Deus criou esse tempo, para Ele eterno, para nós limitado a contagem de horas, dias,anos. Há leis que regulam a existência.

“O céu tem o direito de oferecer dias planos de luz e depois fazê-los desaparecer nas trevas da noite. O ano tem o direito de cobrir por um período a terra de flores e frutos, e depois torná-la irreconhecível enviando chuvas, secas e geadas. O mar tem o direito de um dia ser amável, apresentando uma superfície calma, e noutro agitar as ondas sublevadas pela tempestade” ( BOÉCIO pg.6).

Quem poderia reger toda essa roda do tempo no universo, sem eliminar a existência? Deus. Há uma perfeita harmonia no tempo em que se vive e até em que se morre. Não há acasos ou circunstâncias desconhecidas para Deus. Para nós humanos é que sempre há expectativas e tempos com boas e más surpresas. Insuficientes e frágeis quanto ao poder para alterar essa ordem natural, o que nos cabe é viver. E viver de modo a tornar nossa rotina um lugar de renovos.

A oração do piloto ateu





De Mark Ellis
Tradução:
Wilma Rejane


Ele não tinha nenhum lugar para Deus em seu coração, até que  ficou sem combustível em uma tempestade no Alasca, a quilômetros de seu destino.

"Eu era um zombador de Deus", diz Mark Rose, fundador do Gênesis vivo , e autor de O Último dos Hunters, a história dos pilotos que voam o Alasca Ártico. Aprendi a voar aos 16 anos e aos 22 já havia me tornado um piloto experiente cuidando de uma frota de helicópteros no oleoduto do Alasca. Meu ego andava a 101 metros além da superfície. Um dia eu voava sobre um grande rio no Ártico, mas em meu voo de regresso, transportando um passageiro, várias coisas deram errado. Primeiro manadas de renas ocuparam os locais escolhidos como primeira e segunda opção de pouso. Então comecei a ficar sem combustível, verifiquei o tempo em um pequeno aeroporto perto de Kotzebue, na Península de Baldwing. O operador disse que eu poderia ir que o tempo estava favorável. 

Resolvi ir mesmo sem saber se o combustível iria aguentar, mas em seguida, o inesperado acontece: as condições climáticas mudaram drasticamente. Enfrentei uma tempestade de neve durante toda a noite sem conseguir ver o terreno, me guiei por uma faixa cinzenta que seria um rio. Descobri então que o operador de voo do aeroporto de Kotzebue tinha me dado um mau conselho.

Aprendendo com o sofrimento



Wallace Sousa


Foi bom para mim ter sido castigado, para que aprendesse os teus decretos.  Salmos 119:71 (versão NVI)

Às vezes, quando as coisas parecem estar muito acomodadas, acontece alguma coisa e nos sacode completamente. E isso aconteceu comigo recentemente. Há cerca de três meses atrás, fui acometido de uma crise violenta no nervo ciático que me deixou prostrado. Se você não sabe o que é isso, dê graças a Deus, porque você não está perdendo nada.

Consulta vai, exame vem, diagnóstico sai, o médico-cirurgião jogou a bomba no meu colo: seu caso é de cirurgia. Era um “problema de junta” (tudo e joga fora). Fiquei sem chão, saí do consultório com a cabeça rodando, afinal saber que queriam colocar parafusos na sua coluna não deveria ser nada agradável, certo? Mas, depois de viver essa situação, o que aprendi com tudo isso?

1. Precisamos entender que existem boas coisas a serem aprendidas com o sofrimento. Infelizmente, nem todos sabem ou se dão conta disso, mas podemos crescer mesmo em meio ao sofrimento, dificuldades e problemas difíceis. E triste daquele que não sabe ou não quer aprender e amadurecer com os sofrimentos que experimenta.

A fábrica de pérolas do Senhor

Pérola de grande valor
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João Cruzué

Eu pensava que uma pérola era produzida a partir de um grão de areia no interior de uma ostra, tal como uma pedra em nosso sapato. Pode ser que algum caso isto aconteça, mas não é assim naturalmente.  Desejei escrever esta mensagem, aproveitando este 25.12.14, para compartilhar e também ouvir, pois as  palavras de uma mensagem falam primeiro com seu autor. Como o azeite da viúva do capítulo do II Livro de Reis, as palavras têm o poder de encher as botijas das almas quando emborcadas na posição de dar.

"A pérola é  o resultado de uma reação natural do molusco contra invasores externos, como certos parasitas que procuram se reproduzir no seu interior. Para isso, eles perfuram a concha da ostra para se alojar no manto, uma fina camada de tecido que protege as vísceras da ostra. Ao se defender do intruso, a ostra o ataca com uma substância segregada pelo manto, chamada nácar ou madrepérola. O nácar é composto de 90% de um material calcário - a aragonita (CaCO3) -, 6% de material orgânico (conqueolina, o principal componente da parte externa da concha) e 4% de água. Depositada sobre o invasor em camadas concêntricas, essa substância cristaliza-se rapidamente, isolando o perigo e formando uma pequena bolota rígida. As pérolas perfeitamente esféricas só se formam quando o parasita é totalmente recoberto pelo manto, o que faz com que a secreção do nácar seja distribuída de maneira uniforme. "O mais comum é a pérola ficar grudada na concha, como uma espécie de verruga." Mundoestranho.abril.com.br.


Em Ramá, do outro lado das festas de natal.

Foto:Marcel Gauteroth- que lugar é esse onde não estou?



Wilma Rejane

Vivemos um paradoxo nessa época do ano. Enquanto famílias se reúnem em ceia comendo e bebendo, muitas outras famílias não sabem o que é ser família porque estão separadas, desestruturadas. Muitas, não sabem o gosto que tem um peru bem temperado assado no forno, porque amargam desemprego e miséria. Enquanto famílias se reúnem alegres e bem vestidas, outras estão separadas pelo ódio, pelos desencontros da vida, com roupas usadas o ano inteiro,por falta de dinheiro. Para muitas famílias e anônimos, solitários, as festas de natal revelam um lado impiedoso e nada solidário da humanidade: quem se importa com quem não pode viver essa festa em todos os seus pormenores? Quem se importa com quem está dormindo na rua,sem cobertor e distante da luminosidade suntuosa das imensas árvores coloridas, aquecidas por luzes que piscam? 

Um paradoxo...Liguei a televisão e ao ouvir o jornal da noite uma notícia me deixou comovida: muitas famílias na cidade de São Paulo estão desabrigadas pelas fortes chuvas. Muitas famílias tiveram que esvaziar suas geladeiras por falta de energia: sem ceia, sem casa, sem festa. Contudo, em muitas mesas haverá tanta comida que sobrará e o lixo se multiplicará nos toneis. Um paradoxo...Enquanto champanhes são abertos, lágrimas são disfarçadas, enxugadas em faces enrugadas, maquiadas. Tudo se tornou mais grave do que antes porque no silêncio dos sinos, dos tinos, a dor aumentou. O outro lado das festas de natal pode ser cruel,tão cruel quanto a escuridão que pairava no céu naquela noite em Belém da Judeia,até que veio a estrela guiando os sábios para um Salvador. Era um menino, uma criança de dois anos que escapará da matança de um rei enfurecido. Mães choravam seus filhos, era luto em Ramá, mas o broto de esperança havia sido preservado: Jesus.


Natal, o melhor presente!




Wilma Rejane

"E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo:Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura.E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo:Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens. (Lucas 2:10-14)


O coral de anjos foi o primeiro evento comemorativo do nascimento de Jesus. Havia uma atmosfera festiva de louvor a Deus pela encarnação do Verbo, do Filho de Deus entre os homens: Jesus, a melhor notícia já anunciada para humanidade. Naquela noite em Belém não haviam banquetes, nem  luzes coloridas piscando pela cidade, não haviam trocas de presentes. O que havia era a chegada de um novo tempo em que Deus estaria pessoalmente entre os homens para lhes falar sobre Amor. Deus amando aos homens e ao mundo terreno de tal forma que lhes presenteava com o que havia de mais nobre, valioso, generoso e justo: Jesus (João 3:16)


Quando a esperança vence a dor



Wilma Rejane


"Eu sai inteira, mas o Senhor me trouxe para casa vazia "Rt 1:21


A declaração é de uma israelita chamada Noemi. Sua história acontece na época dos juízes, cerca de 1150 a 1100 a.C. quando houve grande seca em Israel e ela parte de Belém de Judá, para as terras de Moabe acompanhada do  esposo Elimeleque e dos  filhos, Malon  e Quiliom . Ela deposita esperanças na partida, estava inteira, completa, ao lado das pessoas que amava e quando estamos com quem amamos, nos sentimos mais fortes e seguros. 

O casal já vinha enfrentando dificuldades econômicas uma fase que se reflete nos nomes dos filhos: Malon = Fraco, doentio e Quiliom =  Tristeza. Apesar disso a família era feliz, especialmente porque Noemi era uma mulher de fé que não se curvava a deuses estranhos, mas adorava ao Deus de Israel. Entre Belém e Moabe muitas coisas acontecem na vida de Noemi. O primeiro fato doloroso é a morte do marido Elimeleque. Viúva, distante de sua terra natal, só lhe resta agora a companhia dos filhos e das esposas moabitas: Rute e Orfa. Mas, os filhos também morrem sem deixar herdeiros. Orfa fica em Moabe e Noemi retorna a Belém na companhia de Rute.

Um mundo desabando, sendo desmontado em todos os seus termos. Noemi estava como que sem chão para pisar, sem ar para respirar. Para todos os lados que olhava a morte acenava, Moabe não lhe retribuiu a fé, nem a esperança, a terra sequer dava frutos e ainda lhe roubara todas as sementes. Noemi não consegue enxergar o futuro, não há sonhos. Era voltar para Belém e amargar a solidão dos dias, esperando sua própria morte: "Não me chamem de Noemi (agradável) me chamem de Mara (amarga) porque O Senhor Deus tem lidado amargamente comigo. Cheia parti e o Senhor me trouxe para casa vazia" Rt 1:20-21