Wilma Rejane
Nunca será tarde para falar dessa tragédia e de outras tantas que apenas ao se tornarem públicas recebem atenção devida. E ao falarmos em tragédias, convêm também interrogarmos: “O que elas nos falam?” O caso do menino sírio chamado Aylan Kurdi, que morreu afogado após uma tentativa frustrada de entrar como imigrante na Europa, carrega consigo muitas outras tragédias que estão para além do fato das fronteiras europeias estarem ou não abertas para refugiados de outras nações. Temos aí uma imagem chocante que traz à tona a questão do negócio ilegal de transportar fugitivos de um continente para outro. São pessoas que estão lucrando muito dinheiro com o tráfico de imigrantes e ainda assim conservam embarcações inseguras e ultrapassadas como se a vida humana não tivesse valor. Temos a atrocidade da guerra roubando as expectativas de vida de gerações inteiras. Claro que os pais de Aylan pensaram em seu futuro longe da guerra, sonharam com uma vida de possibilidades longe das consequências dos conflitos armados no oriente. Só que a felicidade não estava naquele mar, naquele barco, tão pouco estaria na Europa, pois imigrantes muçulmanos na Europa vivem seus estigmas nem sempre simples de suportar.








