Um breve crônica sobre Aylan Kurdi




Wilma Rejane

Nunca será tarde para falar dessa tragédia e de outras tantas que apenas ao se tornarem públicas recebem atenção devida. E ao falarmos em tragédias, convêm também interrogarmos: “O que elas nos falam?” O caso do menino sírio chamado Aylan Kurdi, que morreu afogado após uma tentativa frustrada de entrar como imigrante na Europa, carrega consigo muitas outras tragédias que estão para além do fato das fronteiras europeias  estarem ou não abertas para refugiados de outras nações. Temos aí uma imagem chocante que traz à tona a questão do negócio ilegal de transportar fugitivos de um continente para outro. São pessoas que estão lucrando muito dinheiro com o tráfico de imigrantes e ainda assim conservam embarcações inseguras e ultrapassadas como se a vida humana não tivesse valor.  Temos a atrocidade da guerra roubando as expectativas de vida de gerações inteiras. Claro que os pais de Aylan pensaram em seu futuro longe da guerra, sonharam com uma vida de possibilidades longe  das consequências dos conflitos armados no oriente. Só que a felicidade não estava naquele mar, naquele barco, tão pouco estaria na Europa, pois imigrantes muçulmanos na Europa vivem seus estigmas nem sempre simples de suportar. 


Comunhão com Deus




Wilma Rejane

“ Quando Abraão tinha noventa e nove anos, o Senhor Deus apareceu para ele e disse: Eu sou o Deus todo poderoso. Viva uma vida de comunhão comigo e seja obediente a mim em tudo” Gênesis 17:1.

Comunhão. Qual seria o significado dessa palavra? 

No idioma grego comunhão é Koinonia (uma referência muito presente no Evangelho) e se traduz em: compartilhamento, uniformidade, associação, parceria, sociedade, companheirismo, intimidade, união (Strong 2842)

Abraão viveu em comunhão com Deus ou seja: “  Ele se aproximou, fez uma parceria, se tornou íntimo, companheiro, unido, próximo de Deus”, por isso, vamos ler lá na epístola de Tiago: “...E Abraão foi chamado amigo de Deus” (Tg 2:23)

Podemos olhar para Abraão e pensar que Deus o escolheu para ser seu amigo e por esta razão não houve nenhuma dificuldade para tal. Não é verdade. A condição humana de Abraão era de fraqueza, fragilidade. Um homem comum com lacunas sentimentais, um anseio latente por ser pai e limitado quanto a capacidade de realizar esse anseio. E não apenas isso, Abraão falha em alguns momentos de sua caminhada com Deus. O diferencial existente no homem Abraão era: ele tinha fé. Vivia por meio da fé, a comunhão com Deus era sua força, pois por meio dela era transformado.

Assim, aprendo que comunhão não é capacidade, habilidade, mérito. É um relacionamento que se torna possível quando o homem reconhece a impossibilidade de viver sem Deus. Essa questão de comunhão pode não parecer tão simples quando está aliada a outras questões como: mérito e predestinação:

O resgate na genealogia de Davi


E a Jacó nasceu José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama Cristo. Mateus 1:16


Wilma Rejane

A Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento preserva a cultura da genealogia de parentesco ainda muito valorizada pelos judeus nos dias atuais. Algumas escolas judaicas antigas  até desenvolveram certas superstições rigorosas em relação as genealogias, o que fez com que Paulo comentasse  em suas epístolas:

"Como te roguei, quando parti para a Macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns, que não ensinem outra doutrina,Nem se deem a fábulas ou a genealogias intermináveis, que mais produzem questões do que edificação de Deus, que consiste na fé; assim o faço agora. Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida." 1 Timóteo 1:3-5

Genealogias haviam se tornado um meio de apregoar contendas, provavelmente a questão do parentesco estava sendo supervalorizada em detrimento da conduta,  isso desagradava a Deus, especialmente porque esse materialismo exacerbado não se fundamentava no amor . Era a letra matando e o coração esfriando. Mas esse fato me chama atenção: se os judeus eram tão metódicos e rigorosos em observar as genealogias, a fim de reconhecerem o Messias Salvador, por que então não o fizeram quando chegou a hora? Por que não viram em Jesus o verdadeiro Rei de Israel? 


Os desapegos da vida...



Wilma Rejane

O sacrifício de Isaac é relembrado como um gesto de fé de Abraão que obedecendo a uma instrução de Deus, viaja cerca de 90 km, por três dias, de Berseba até o Monte Moriá, para oferecer o filho em holocausto.  Abraão comprovou ter uma fé inabalável porque acreditou que Deus era poderoso para ressuscitar seu filho, caso viesse a ser sacrificado (Hebreus 11:18). Ele caminhou por três dias movido pela fé de que Moriá não seria uma tragédia, mas um meio de contemplar a glória de Deus: o que de fato aconteceu.

Teve um outro momento na vida de Abraão que não é relembrado com tanto entusiasmo por comunidades de fé judaica e cristã: a separação entre ele e Ismael. Imagino quanta dor não deve ter sofrido Abraão por mandar embora de sua vida - de uma vez por todas - o filho Ismael e sua mãe Agar. Considero esse também um grande sacrifício! Não o digo em concordância com a fé muçulmana que acredita ser Ismael o filho do sacrifico, digo pelo amor que sentia o pai pelo filho.

Meditar sobre essas renúncias de Abraão é motivo de grande aprendizado, pois há momentos em nossas vidas que somos confrontados a deixar para trás ou se dirigir ao Moriá entregando coisas que consideramos tão necessárias para nossa felicidade. Há momentos em que temos que desapegar para crescermos e contemplarmos a glória de Deus em nossas vidas . Não sei se você já parou algum dia para pensar no desapego de Deus ao enviar Seu filho Jesus até a terra, renunciando a  glória celeste para ser humilhado.

O que fazer em tempos de crise?



João Cruzué

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Você sabe o que fazer quando uma grave crise se abate  inesperadamente sobre você ou sua família? Esta é uma pergunta cuja resposta você só descobre depois de passar pela tempestade. Geralmente, ninguém tem um plano "A" para coisas inesperadas. Neste post, eu gostaria de deixar algumas experiências aprendidas em tempos de crise. Minha expectativa é que isto, talvez, seja útil para quem, pelo caminho das coincidências, venha a passar por aqui. Bem-vindo e bem-vinda!

Vou começar, relatando algumas formas de crises.

Em 1993, quando eu me vi desempregado, não sabia que aquele problema iria durar por 11 longos anos. Pai de família, duas filhas pequenas e uma tremenda mudança. Como nos dias do profeta Elias,  as águas do ribeiro foram secando, secando...a chamada crise financeira.  Mas há crises piores.

Não faz muito tempo, em uma visita a trabalho que fiz, em uma cidade do Grande ABC, conheci uma senhora de uma Igreja evangélica tradicional. Ela dirigia uma instituição dedicada a cuidar de autistas. Ela ainda era jovem, mas mostrou-me seu filho, autista, com 30 anos, que nunca havia falado. Ela relembrava sua adolescência rebelde e achava que sua crise tinha a ver com o passado. Eu tenho certeza de que não era isto. Ela passava pelas mesmas provações de Jó, quando alguém (o diabo) tentava colocar pensamentos em sua mente como se fossem os dela.

A janela 10/40 do Brasil

Qilombolas no Piauí - Foto de Regina Santos



Wilma Rejane


Olá queridos leitores,

Hoje vos trago uma postagem sobre o Estado em que moro: Piauí. Em um vídeo produzido pelo missionário Juliano Son é possível se ter um panorama do que acontece por aqui. O interior de Betânia (que aparece no vídeo) é um lugar muito pobre, de maioria quilombola. Lhes afirmo que a situação em outros interiores não é tão diferente, infelizmente a seca e a negligência de políticas públicas maltratam essas regiões.  Aliado a tudo isso existe a idolatria crônica; figuramos como o Estado menos evangelizado do País. Na capital, Teresina, temos um crescimento acelerado do setor imobiliário e um acrescimo de pessoas com alto poder aquisitivo oriundos do serviço público (Municipal, Estadual e Federal). Porém, e espiritualmente falando, interior e capital carecem de orações constantes.

Como educadora , convivo diariamente com centenas de jovens, cujos históricos familiares são desanimadores. É inquietante conhecer de perto as consequências de vidas distantes do Evangelho de Cristo e fazer tão pouco. Contudo, sei que esse pouco será significante se dirigido por Deus.

No último Sábado pela manhã, tive a oportunidade de conversar com algumas dezenas de pais de alunos e um caso que me chamou àtenção foi de um aluno que estava faltoso ultimamente. Sua avó me disse que ele fora preso por furto e depois da soltura, sentiu vergonha de ir às aulas . Me permitam aqui acrescentar mais um caso: o do skatista Mateus. 

Ah, esses constrangedores anti-heróis da Bíblia...



Wallace Sousa

“Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” 2 Coríntios 4.7.

Quando pensamos nos personagens bíblicos, geralmente só nos lembramos daqueles mais ousados e de seus grandes feitos. Dificilmente nos vêm à mente suas falhas, insucessos ou rebeldias. Acredito que, se alguns de nós fôssemos elevados à categoria de editores bíblicos, muitas passagens comprometedoras seriam apagadas, reescritas ou mesmo censuradas! Eu, por exemplo, tentaria “editar” (suprimir) alguns fatos constrangedores da vida de Davi, tais como o adultério, o homicídio e o polêmico recenseamento.

Meu herói Davi não combina com aquilo lá. Deve ter sido um engano, só pode! Quem derrotou um gigante de mais de 3 metros não sucumbiria a tais atrocidades (será que foi por causa disso que Michelangelo fez uma estátua de Davi de mais de 4 metros?). Mas por que mesmo Deus ficou tão irado? Por causa do recenseamento? Ah, hoje isso é tão comum. Aliás, já estamos esperando o próximo pra saber quanto é o novo percentual de evangélicos na população, para estufarmos o peito de orgulho. Por que o aumento no número de evangélicos não é seguido por uma sociedade melhor? Será porque estamos crescendo ou apenas inchando? Jesus não falou acerca de termos cuidado com fermento em um de seus discursos, ou estaria eu enganado?

Biografias defeituosas

Você já leu a biografia de alguém? Sabe que existem as autorizadas, aquelas que o biografado deu seu aval ao biógrafo, as não-autorizadas, que foram feitas à revelia do biografado, e as autobiografias, aquelas em que a pessoa do biografado e do biógrafo se confundem, ou se mesclam, ou se combinam, ou algo parecido com isso? Geralmente, na maioria das biografias, exalta-se o biografado, seus feitos, seu caráter, etc, etc, etc. Se há algum defeito, não é mencionado, falhas são convenientemente suprimidas, insucessos esquecidos, porque afinal, é uma biografia. E biografias devem ser assim, porque (quase) todas são assim. A não ser que sejam escritas sem autorização, e ainda mais por um desafeto. Mas uma combinação dessas é muito rara, e sua vendagem, muito provável, lamentável. Logo alguém diz que é inveja, dor-de-cotovelo, difamação ou coisa parecida.


A incontestável Presença Invisível

Ester desmaia na presença de Assuero
Arte de Julia Margaret Cameron

Wilma Rejane

Quem sabe se não foi para um momento como este que você chegou à posição de rainha? Ester 4:14

O livro de Ester é um bálsamo para alma, contemplar a inevitável presença de Deus e Seu agir através de situações aparentemente simples é intensificar a fé, Amá-Lo por todo o invisível mundo que nos cerca. O nome de Deus não é citado em Ester, mas costumo dizer que é na ausência que certas presenças se tornam mais percebíveis, eis um caso. Toda a história é marcada pela providência Divina que faz com que uma linda orfã chegue ao palácio real e ascenda ao cargo de rainha, salvando os judeus da morte e ainda proporcionando ao primo Mardoqueu um cargo de elevada confiança na corte de Assuero.

Assuero foi um rei persa, durante 20 anos governou 127 províncias desde a Índia até a Etiópia, sucedendo Dario I em 485 a.C. Seu nome verdadeiro era Xerxes ou Artaxexes, “Assuero” era um título que significava “Rei  venerável”. Logo no primeiro capitulo de Ester, Assuero é citado em uma grande festa de cento e oitenta dias  ofertada aos governadores das províncias. Após esses dias, viriam mais sete dias de festa com a participação popular dos moradores de Susã. Um acontecimento importante e de grande repercussão. Porém, a rainha Vasti, constrange o rei e dá um remate trágico ao evento, quando se recusa a atender o chamado para fazer corte aos convidados.

Assim, temos no livro de Ester um paradoxo: O desprezo e punição dados a uma rainha (Vasti) que recusa se apresentar perante o rei e a exaltação de uma jovem órfã (Ester) que devota sua vida a presença do rei. Magnífico em todo o contexto é a presença de Mardoqueu, primo de Ester. Ele a inscreve em um concurso de beleza para escolher a rainha substituta de Vasti e com plena certeza da vitória da prima, ele frequenta dia e noite às portas do palácio em vigilância e constante oração . Mardoqueu era convicto da providência Divina trabalhando em favor de seu povo e de toda nação, através do acesso de Ester ao palácio.

Ester foi um nome colocado por Mardoqueu, significando ”estrela”, ele sabia que ela tinha brilho e havia nascido para iluminar, era bela de presença e de coração. O nome verdadeiro de Ester, era “Hadassa” ou murta, uma planta vistosa, mas com espinhos. Não era assim que Mardoqueu a via. Aqui temos uma linda lição de amor revelada na educação familiar, Mardoqueu investiu em Ester acreditando em sua capacidade e sabedoria, acreditando que a vida de Ester poderia ser transformada pelo cumprir da missão que Deus reservara para ela. Sem pai, sem mãe, contudo acolhida por um primo que temia a Deus e tinha uma vida de obediência e oração.

A porta e as provas  (Porque uma porta grande e eficaz se me abriu; e há muitos adversários.I Coríntios 16:9)

Escolhida entre mais de 400 candidatas ao reino, Ester havia ganho a confiança e o carinho dos serviçais do palácio. Ela ouvia atentamente os conselheiros a fim de aprender e crescer como ajudadora do rei. As virtudes de Ester iam além da beleza física, ela era sábia e humilde. Alguém que adentra em um ambiente de extrema competição e luxo, mas não se ensoberbece, continua sendo fiel ao primo Mardoqueu e a sua consciência de serva de Deus.:” Quando chegou a vez de Ester, filha de Abiail, tio de Mardoqueu, que a tinha adotado como filha, ela não pediu nada além daquilo que Hegai, oficial responsável pelo harém, sugeriu. Ester causava boa impressão a todos os que a viam.” Ester 2:15.


O casamento e o cordão de três dobras




A Bíblia diz em Eclesiastes 4.9-12 que “melhor é serem dois do que um”, mas termina falando sobre o cordão de três dobras e revelando que é melhor serem três do que dois. Fica implícito que a conta de uma terceira dobra no cordão está mostrando que o “time” aumentou.

“Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.” (Eclesiastes 4.12)

Salomão afirma que se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão. Isto mostra que um cordão dobrado oferece maior resistência. Porém, ao acrescentar-se uma terceira dobra, ele fica ainda mais resistente! Se há benefícios em ser dois, há muito mais em ser três!

Como já afirmamos, Salomão não fez esta afirmação direcionada exclusivamente ao casamento; ele fala de relacionamento de um modo geral. E, em qualquer relacionamento, a terceira dobra poderia ser mais uma pessoa. Porém, quando examinamos a revelação bíblica acerca do casamento, descobrimos que, no modelo divino, deve sempre haver a participação de uma terceira parte. E isto não fala da presença de algum filho e nem tampouco de um (abominável) triângulo amoroso! Fala da participação do Senhor no casamento.

A presença de Deus é a terceira dobra e deve ser cultivada na vida do casal. Adão e Eva não ficaram sozinhos no Éden, Deus estava diariamente com eles e, da mesma forma como idealizou com o primeiro casal, Ele quer participar do nosso casamento também!

Vemos esta questão do envolvimento de Deus na união matrimonial sob três diferentes perspectivas:

1. Deus como parte do compromisso do casal;

2. Deus como fonte de intervenção na vida do casal;

3. Deus como modelo e referência para o casal.

UMA DUPLA ALIANÇA

Como já afirmamos no primeiro capítulo, o casamento é uma aliança que os cônjuges firmam entre si e também com Deus. O Senhor, através do profeta Malaquias, referiu-se ao casamento como sendo uma aliança entre o homem e a sua mulher:

“Porque o Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança”. (Malaquias 2.14)