Era madrugada de domingo e ela acabara de chegar ao cenário que, a primeira vista, se apresentava desconcertante. Maria emudeceu. Diante do sepulcro aberto e vazio as dúvidas a atormentavam, seu coração palpitava e seus olhos encheram-se de lágrimas. Seu Mestre havia sido levado, pensava ela.É curioso notar que ao longo de três anos caminhando lado a lado com Jesus, ouvindo-o dizer inúmeras vezes que três dias após sua morte Ele ressuscitaria para cumprir o plano pré-determinado por Seu Pai, em nenhum instante Maria pensou nesta hipótese. A ideia de ressurreição para o judeu do século I era tão ou mais absurda do que é para nós, hoje, no século XXI. Fato é que nenhum daqueles que durante três anos andaram e ouviram Jesus de Nazaré estavam de campana em frente ao sepulcro em que Ele fora sepultado aguardando sua ressurreição naquele maravilhoso e histórico domingo na cidade de Jerusalém.
Lá estava Maria, perdida, atônita! Completamente dominada pela circunstância. Ela havia esquecido-se das palavras de seu Mestre. Esqueceu-se de crer. De repente, eis que surge a pergunta: Mulher, por que choras? Era Ele. O Cristo Ressurreto que escolhera revelar-se glorificado naquele exato momento pela primeira vez e a uma mulher, bendita mulher. Mas não foi suficiente. Mesmo diante do Rei dos reis, ressurreto e glorificado, ela não pôde ver. Confundiu-o com um jardineiro qualquer e aflita perguntou: onde puseram meu Senhor? Estava cega, havia perdido completamente o fundamento no qual tinha construído toda sua vida.








