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A maioria das palestras sobre namoro cristão se resume em falar de "santidade", que o casal de jovens não pode isso, não pode aquilo, e que devem fugir do pecado sexual, ou seja, cair em fornicação. Os conselhos são os mesmos de qualquer irmão ou obreiro da igreja, porém, por serem explanados no microfone, parecem sair mais da boca de Deus do que do homem. Estes conselhos são o óbvio de um namoro cristão: não pecar. (Por acaso o cristão pode pecar em outras situações da vida, que não seja durante o namoro?) São congressos de jovens, reuniões, encontros, que "chovem no molhado" no fator conteúdo.
No fim do evento, pergunte a cada um dos jovens o que eles aprenderam da bíblia, do significado de santificação, de como por em prática o que ali foi pregado, e se espante com o incrível silêncio. Não aprenderam absolutamente nada! Só ouviram líderes e preletores advertirem para os jovens não pecarem. E todos da igreja saem repetindo comentários que o tal congresso "foi uma bênção" por uma determinação retórica da liderança.
O pastor e os obreiros afirmam sem cessar: "Que bênção foi aquele congresso!!!" Quem irá discordar? Para o membro da igreja evitar discussões ou olhares recriminadores, será mais conveniente repetir: "Sim, foi uma bênção!" Afinal, o que foi uma "bênção" no tal evento? A quantidade assustadora de pessoas?? O barulho de uma multidão inquieta, andando pra lá e pra cá, falando, conversando, indo a cantina... Parece que as definições sobre um evento ser "abençoado" ou não está mais na quantidade de pessoas do que na qualidade.
O conteúdo de algumas pregações em muitos destes congressos para jovens chega ser engraçado pela maneira ingênua, (ou mais cômoda), de alguns preletores desejarem alertar os jovens contra o pecado. "Jovem, não peque". "Jovem, você não pode pecar". "Juventude, não caia no pecado". Para os pais estes são conselhos maravilhosos, e eles glorificam a Deus, imaginando que seus filhos estão ouvindo estas mensagens, e concluindo: "Poxa vida, não vou pecar!" Que bênção se fosse assim.
Na verdade para 90% daquela turminha que está ali sentada estas pregações "entram por um ouvido e saem pelo outro". Após todo aquele dispendioso evento, convite aos jovens, cantores, divulgação, conselhos "santos", passado alguns meses descobre-se moças do grupo jovem grávidas do namorado, rapazes que foram à uma festa e beberam, se prostituíram, afastaram-se da igreja, etc. Parece que toda aquela gritaria com os jovens não passou de uma tremenda festa barulhenta!
Com mensagens recriminando as opções de lazer, que não sejam as programações evangélicas, muitas igrejas sempre tentaram criar um certo desencantamento pelo "mundo", numa tentativa de afastar os jovens de uma possível apostasia da fé. Há denominações que o tempo todo pregam contra o lazer, o passeio, a diversão, etc. Um grave erro, que cria mais repúdio a ideia de ser crente do que incentivo a santidade. Quem se converteu teve uma transformação de vida tão grande, tão maravilhosa, que não quer mais ir para "o mundo", por opção própria, e não porque alguém proibiu.