Como Identificar Um Psicopata






Wilma Rejane

Esse é um assunto que me intriga e acredito ser de grande relevância para a sociedade. Tive a triste oportunidade de ver bem de perto o prejuízo causado por psicopatas em algumas vidas . Em 2005, uma jovem psicopata tornou-se líder de jovens da igreja que congreguei por algum tempo, fez um estrago tremendo! Dizendo-se estudante de Fisioterapia , atuante e comunicativa, foi aos poucos conquistando a confiança de todos. Da tesouraria (valores monetários) a valores humanos, tudo foi abalado. Os data shows usados para os cultos aos sábados e que aparentemente pertenciam a família da jovem, eram alugados e a conta já estava gigantesca. Um clube que foi alugado para realização de feijoada com objetivo de angariar recursos, nunca viu “a cor” do dinheiro: Toda a arrecadação desceu “pelo ralo”. No final , os representantes da Igreja (pastor, tesoureiro) foram parar na delegacia. Caos. Tudo porque uma psicopata estava na liderança.

Eles estão entre nós, mas como identifica-los?  Existem ex-psicopatas?  Como cristã, acredito em milagres e que a cura é possível, mas para especialistas na área, os medicamentos apenas minimizam os sintomas. Selecionei alguns artigos que considerei significativoa para ajudar no tema:

Descrita pela primeira vez em 1941 pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, do Medical College da Geórgia, a psicopatia consiste num conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos. Encantadoras à primeira vista, essas pessoas geralmente causam boa impressão e são tidas como “normais” pelos que as conhecem superficialmente. No entanto, costumam ser egocêntricas, desonestas e indignas de confiança. Com freqüência adotam comportamentos irresponsáveis sem razão aparente, exceto pelo fato de se divertirem com o sofrimento alheio. Os psicopatas não sentem culpa.

Frios, manipuladores, cruéis e destituídos de compaixão, culpa ou remorso. Utilizam-se de seu charme e de sua inteligência para impressionar, seduzir e enganar quem atravesse o seu caminho. Estão camuflados de executivos bem-sucedidos, bons políticos, bons amigos, pais e mães de família, não costumam levantar suspeitas sobre quem realmente são. Quando pensamos em um deles, logo imaginamos um sujeito violento, com aparência de assassino e que pode ser reconhecido em qualquer lugar. Não é tão simples quanto se pensa. A maioria nunca vai chegar ao extremo de cometer um assassinato e se passa por pessoa  “comum”.

Características  da Psicopatia Segundo a Associação Americana de Psiquiatria

1 - Incapacidade de adequação às normas sociais.
2 - Falta de sinceridade e tendência à manipulação.
3 - Impulsividade. Falta de planejamento prévio.
4 - Irritabilidade; agressividade
5 - Permanente negligência com a própria segurança e a dos outros.
6 - Irresponsabilidade persistente.
7 - Ausência de remorso após magoar, maltratar ou roubar outra pessoa.




A combinação de  três desses sintomas já é suficiente para levar muitos psiquiatras a considerarem o distúrbio.

Entrevista:

"O psicopata é como o gato, que não pensa no que o rato sente. Ele só pensa em comida. A vantagem do rato sobre as vítimas do psicopata é que ele sempre sabe quem é o "gato".  psicólogo canadense Robert Hare

O trabalho do psicólogo canadense Robert Hare, de 74 anos, confunde-se com quase tudo o que a ciência descobriu sobre os psicopatas nas últimas duas décadas. Foi ele quem, em 1991, identificou os critérios hoje universalmente aceitos para diagnosticar os portadores desse transtorno de personalidade. Hare começou a aproximar-se do tema ainda recém-formado, quando, trabalhando com detentos de uma prisão de segurança máxima nas proximidades de Vancouver, ficou intrigado com uma questão: "Eu queria entender o motivo pelo qual, em alguns seres humanos, a punição não tem efeito algum". A curiosidade levou-o até os labirintos da psicopatia – doença para a qual, até hoje, não se vislumbra cura. "O que tentamos agora é reduzir os danos que ela causa, aos seus portadores e aos que os cercam."


Um psicopata nasce psicopata?

Ninguém nasce psicopata. Nasce com tendências para a psicopatia. A psicopatia não é uma categoria descritiva, como ser homem ou mulher, estar vivo ou morto. É uma medida, como altura ou peso, que varia para mais ou para menos.

O senhor é o criador da escala usada mundialmente para medir a psicopatia. Quais são as características que aproximam uma pessoa do número 40, o grau máximo que sua escala estabelece?


As principais são ausência de sentimentos morais – como remorso ou gratidão –, extrema facilidade para mentir e grande capacidade de manipulação. Mas a escala não serve apenas para medir graus de psicopatia. Serve para avaliar a personalidade da pessoa. Quanto mais alta a pontuação, mais problemática ela pode ser. Por isso, é usada em pesquisas clínicas e forenses para avaliar o risco que um determinado indivíduo representa para a sociedade.

Todo psicopata comete maldades?

Não necessariamente com o intuito de cometer a maldade. Os psicopatas apresentam comportamentos que podem ser classificados de perversos, mas que, na maioria dos casos, têm por finalidade apenas tornar as coisas mais fáceis para eles – e não importa se isso vai causar prejuízo ou tristeza a alguém. Mas há os psicopatas do tipo sádico, que são os mais perigosos. Eles não somente buscam a própria satisfação como querem prejudicar outras pessoas, sentem felicidade com a dor alheia.

Até que ponto a associação entre a figura do psicopata e a do serial killer é legítima?

A estimativa é que cerca de 1% da população mundial preencheria os critérios para o diagnóstico de psicopatia. Nos Estados Unidos, haveria, então, cerca de 3 milhões de psicopatas. Se o número de serial killers em atividade naquele país for, como se acredita, de aproximadamente cinquenta, isso significa que a participação desses criminosos no universo de psicopatas é muito pequena. Por outro lado, segundo um estudo do psiquiatra americano Michael Stone, cerca de 90% dos serial killers seriam psicopatas.

É possível observar sinais que indiquem que uma criança pode se tornar um adulto psicopata?

Não há nada que indique que uma criança forçosamente se transformará num psicopata, mas é possível notar que algo pode não estar funcionando bem. Se a criança apresenta comportamentos cruéis em relação a outras crianças e animais, é hábil em mentir olhando nos olhos do interlocutor, mostra ausência de remorso e de gratidão e falta de empatia de maneira geral, isso sinaliza um comportamento problemático no futuro.


Os pais podem interferir nesse processo?

Sim, para o bem e para o mal, mas nunca de forma determinante. O ambiente tem um grande peso, mas não mais do que a genética. Na verdade, ambos atuam em conjunto. Os pais podem colaborar para o desenvolvimento da psicopatia tratando mal os filhos. Mas uma boa educação está longe de ser uma garantia de que o problema não aparecerá lá na frente, visto que os traços de personalidade podem ser atenuados, mas não apagados. O que um ambiente com influências positivas proporciona é um melhor gerenciamento dos riscos.


Os psicopatas têm consciência de que são diferentes?

A consciência, o processo de avaliar se algo deve ser feito ou não, envolve não somente o conhecimento intelectual, mas também o aspecto emocional. Do ponto de vista intelectual, o psicopata pode até saber que determinada conduta é condenável, mas, em seu âmago, ele não percebe quão errado é quebrar aquela regra. Ele também entende que os outros podem pensar que ele é diferente e que isso é um problema, mas não se importa. O psicopata faz o que deseja, sem que isso passe por um filtro emocional. É como o gato, que não pensa no que o rato sente – se o rato tem família, se vai sofrer. Ele só pensa em comida. Gatos e ratos nunca vão entender um ao outro. A vantagem do rato sobre as vítimas do psicopata é que ele sempre sabe quem é o gato.

É muito difícil identificar um psicopata no dia a dia?

Superficialmente, um psicopata pode parecer um sujeito normal. Mas, ao conhecê-lo melhor, as pessoas notarão que ele é um indivíduo problemático em diversos aspectos da vida. Ele pode ignorar os filhos, mentir sistematicamente ou apresentar grande capacidade de manipulação. Se é flagrado fazendo algo errado, por exemplo, tenta convencer todo mundo de que está sendo mal interpretado.

"Um psicopata ama alguém da mesma forma como eu, digamos, amo meu carro”

Um psicopata não sente amor?

Acredito que sim, mas da mesma forma como eu, digamos, amo meu carro – e não da forma como eu amo minha mulher. Usa o termo amor, mas não o sente da maneira como nós entendemos. Em geral, é traduzido por um sentimento de posse, de propriedade. Se você perguntar a um psicopata por que ele ama certa mulher, ele lhe dará respostas muito concretas, tais como "porque ela é bonita", "porque o sexo é ótimo" ou "porque ela está sempre lá quando preciso". As emoções estão para o psicopata assim como o vermelho está para o daltônico. Ele simplesmente não consegue vivenciá-las.

Que figuras históricas podem ser consideradas psicopatas?

É difícil dizer, porque seu comportamento é mediado por relatos de terceiros, e não por um diagnóstico psiquiátrico. Mas o ditador da ex-União Soviética Josef Stalin, por exemplo, era de tal forma impiedoso que talvez possa ser considerado psicopata. O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein é outro exemplo. Eu ficaria muito surpreso se ele não preenchesse todos os critérios para a psicopatia. Aliás, Saddam tinha um filho claramente psicopata (Udai Hussein, morto em 2003), dirigente de um time de futebol. Quando o time perdia, ele torturava os jogadores – ou seja, era sádico também. Já o líder nazista Adolf Hitler é um caso mais complexo. Ele provavelmente não era só psicopata.



Fontes: Silva, Ana Beatriz B. Mentes Perigosas, Objetiva 2008

6 comentários:

Luciana disse...

Ótima tua postagem. Acho tão difícil de entender essas coisas da psique.
Meu livro chegou hoje, muito obrigada amiga.
Bjos, Lú.

Wilma Rejane disse...

Oi Lú!!

É verdade, é muito complicado. Menina, o correio tá muito eficiente! Não completou nem 48 horas do envio, e olha que estamos bem distantes... geograficamente, nè?

Obrigada Lú. Deus a abençoe amiga!

Bjs!

Pastor Guedes disse...

Olá,

Paz!

Parabéns pelo blog e pelo artigo. Achei ótima a sua introdução e a entrevista. Como não sou psicólogo, sou curioso por assuntos relacionados à psique e, na verdade, fico com medo de me identificar com algum tipo de psicopatia (risos).

Parabéns outra vez.

Deus lhe abençoe.

Marta disse...

Mais psicopata é uma maldito evangélico acreditar que Jesus salva um traste desses. como pode ser tão ignorante e cegar que jesus tem tal poder. Aí é muito fanatismo, Deus não transforma, homossexual, traição conjugal, etc... deus não deveria deixar essas pragas nascer. Quero ver se alguma irmã da igreja deixaria algum "ex-psicopta" ser babá do filhinho, acreditando que esse tal Jesus salva. Se Jesus tivesse com essa bola toda, teria protegido o ministério dessa jovem que aprontou na igreja! não vem me dizer que foi plano de Deus pra provar algo kkkk aí é demais. Quer saber... tenho nojo de evangelico!

Wilma Rejane disse...


"Marta",

Sabe o que me chama atenção em seu comentário? É que você diz não acreditar em Deus, zomba de Jesus, mas escreve Deus (em maiúscula) e Jesus também.

Ou você é alguém que se revoltou com a Igreja, ex de alguma religião denominada evangélica ou algum blogueiro dito evangélico querendo provocar mal-estar.

Quem quer que seja, peço que Deus acalme seu coração e abençoe sua vida para que possas ser curado do que sentes.

É minha sincera oração, em Cristo.

Tania Marta disse...

Oi Wilma boa noite, vc disse tudo o que essa Marta aí precisava ouvir eu gostei, agora eu me pergunto.... como uma infeliz dessas pode viver sem acreditar no poder de Deus heim? Que Deus a perdoe! bjos

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