Quando eu era menino... I Coríntios 13:11




 Euriano Sales

“Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.” (1 Coríntios 13.11)

Quando eu era menino, imaginava um Deus parecido com o coordenador da minha escola, alguém que estava me vigiando a todo momento, vendo as coisas de errado que fazia, me julgando mais do que amando. O medo de ir para o inferno sempre foi maior do que a vontade de ir pro céu, até porque eu não entendia (nem posso dizer que entendo) como seria o céu e minha visão humana limitada só me permitia saber que não haveria video game, sorvete ou coca-cola.

Quando menino, eu pensava que a oração era recitar o pai nosso antes de dormir. Mas depois aprendi que oração é falar com Deus do meu jeito, sem palavras bonitas, mas com palavras sinceras, e que não precisam ser feitas apenas antes de dormir, mas a qualquer momento. Aprendi que uma vida de oração não é passar o dia de joelhos virado pra parede, mas é em todas as situações estar conectado com Cristo, pedindo orientação e agradecendo.

Quando menino, eu pensava que a qualquer vacilo perderia a minha salvação. Imaginava Deus com o livro da vida aberto, uma borracha gigante e um lápis que quando errava, apagava meu nome e, quando acertava, escrevia novamente.



Quando cresci descobri que a salvação é um dom e que os dons não são conquistados, mas dados por Deus (Efésios 2.8-9) e que todo dom é irrevogável (Romanos 11.29). Portanto, descobri que, se algum dia eu me tornar a ovelha perdida, Cristo, o bom pastor, irá me resgatar (Lucas 15).

Quando menino eu pensava que faltar no culto era pecado e que só poderia ter amigos “crentes”, mas observando a vida de Jesus, vi que não é bem assim. Entendi que me relacionar com os irmãos da fé é importante, tanto quanto com os que não são. Vi que Cristo comia na casa de pecadores, mas Ele ia além da diversão, Ele levava palavras de vida eterna. Então, eu entendi que posso ter amigos “descrentes”, mas o meu objetivo para com eles não deve ser de trazê-los para a minha religião e torná-los um número na minha contagem de almas ganhas. Meu objetivo é ser amigo, é ajudá-los e lhes oferecer o que eu tenho de bom, o que inclui Cristo, afinal, o que eu teria de bom se não fosse Cristo?

Quando eu era menino aprendi a separar 10% do que eu ganhava dos meus pais para “pagar o dízimo”. Quando cresci aprendi que a fidelidade de Deus não está ligada ao valor, aprendi que não adianta devolver o dízimo de 10% do que eu ganho, se eu não consigo administrar bem os 90% que ficam comigo, quando esses montante é tomado por um “capitalismo selvagem” ao ponto de tornar Deus sócio dos meus negócios e falcatruas, confiando no cartão de crédito na hora de comprar e cobrando de Deus na hora de pagar. Aprendi a devolver ao Pai por gratidão, e não por obrigação ou medo de ser consumido.

O apóstolo Paulo continua seu texto dizendo:

“Agora, pois, vemos apenas um reflexo obscuro, como em espelho; mas, então, veremos face a face. Agora conheço em parte; então, conhecerei plenamente, da mesma forma como sou plenamente conhecido.” (1 Coríntios 13.12)

Tenho aprendido que eu conheço Deus em parte, então eu não posso ter a arrogância de achar que o que sei sobre Deus é tudo, porque não é. Deus é muito maior do que eu posso imaginar. Ele é Senhor de tudo e de todos, e não posso condenar ninguém ao céu ou ao inferno, pois isso não cabe a mim.

E o apóstolo Paulo conclui:

“Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor.” (1 Coríntios 13.13)

Tenho aprendido com Cristo a amar. Jesus resumiu 613 mandamentos do Velho Testamento em apenas dois: Amar a Deus acima de tudo e, ao próximo, como a mim mesmo. Portanto, minha missão é amar, e olhando para essa missão é que eu devo guiar minha vida, dispondo dos meus dons e talentos para servir a Deus e ao mundo.

A cada ano eu aprendo mais de Deus e sei que ainda tenho muito mais para aprender, por isso agradeço por tudo aquilo que Ele tem me revelado até aqui.

Dentre as coisas que eu vivo aprendendo, a que mais me confronta todos os dias é saber que, como humano, tenho muitos desejos e vontades, mas o melhor para mim é me deleitar no Senhor e deixar que a vontade dEle prevaleça sobre a minha. (Salmos 37.4)

Euriano edita o blog Minha Vida Cristã de onde foi retirado este artigo.

4 comentários:

Celso Silva disse...

Amém, que Deus seja louvado!!!

Celso Silva disse...

Gloria a Deus!

m disse...

Amem

Anônimo disse...

como eu me quebranto lendo esse post!!

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