Reflexões Cristãs Sobre Doenças Mentais





Nota  da Blogueira: antes de iniciar de fato o artigo, gostaria de compartilhar com vocês minha experiência com o tema que considero extremamente urgente para a igreja. Como cristãos não podemos negligenciar o mundo espiritual e sua influência, assim como não podemos ignorar a importância da medicina para cura e prevenções de doenças. Portanto, vale aliar fé e ciência na busca da superação dos problemas de saúde mental.

Recentemente tenho sido instigada para tratar desse tema no âmbito da escola. Deus me possibilitou parceria com o Conselho Regional de Psicologia , especialmente com Tanatologistas, que têm me conferido capacitação e auxilio para lidar com casos de auto-mutilação, depressão e tentativas de suicídio.Diariamente a direção da escola me apresenta alunos "problemas" com quem faço aconselhamento e encaminhamento psicológico e psiquiátrico (se for o caso). Nesse trabalho realizo também orações com os alunos-pacientes, procurando conscientizá-los da importância de cuidar do espírito. Esse é um trabalho que jamais imaginei fazer, contudo, só posso acreditar que Deus me direcionou a isso na medida em que tudo foi se encaminhando naturalmente e grandiosamente, sem que eu realizasse grandes esforços para isso. 

Relato de caso real na Escola

Ana Maria (nome fictício), é uma aluna do 1º ano do Ensino Médio, chegou a escola com os pulsos cortados e vomitando, havia ingerido de uma só vez 30 comprimidos calmantes, naquele dia, deveria ter ficado em casa ou internada na urgência de algum hospital. O hospital, contudo, havia liberado-a com a cartela de calmantes acreditando que ela ficaria bem se dormisse profundamente. Em casa, o tédio iria assolá-la uma vez que a mãe não sabia lidar com aquela situação. A escola foi o caminho que Ana encontrou para aliviar a dor de um relacionamento interrompido. E naquele dia triste e desesperançoso para Ana, fui chamada para assisti-la. Conversamos por mais de uma hora, ali mesmo liguei para uma amiga psicologa que prontamente a atendeu e marcou consulta gratuita. Oramos, pedimos a Jesus que consolasse corações e intervisse na situação. 

Os dias que se seguiram Ana vomitou muito, empalideceu o rosto, perdeu peso. Sua mãe me procurou para agradecer, pois, apesar de tudo, Ana havia apresentado melhora no quadro psicológico, estava frequentando as sessões de psicoterapia e havia retomado os estudos. Dias se passaram quando numa tarde encontro Ana com um boque de rosas na mão, sorridente, ela me abraçou e disse: obrigada, professora!  Em uma aula recente Ana caiu da carteira, ficou deitada no chão e disse não saber como aquilo tinha acontecido. Para mim, ficou claro que havia algo de espiritual naquele fato, algo ruim que ainda precisaria ser curado. O homem não é apenas mente, nem corpo, há um espirito sedento de Deus que urge por salvação. 

Aqui no portal da Secretaria de Educação do Estado vocês podem conferir uma pequena amostra do que tenho realizado (com a bênção e graça de Deus)A capacitação de que trata o link teve ampla repercussão e adesão de muitos profissionais da educação. 

Se puderem e lembrarem orem por mim e por minha família. 

Muito obrigada, Deus os abençoe.




Reflexões Cristãs Sobre Doenças Mentais


Heath Lambert

No mundo inteiro, milhões de pessoas lutam com a dor de um diagnóstico de doença mental. Sou um conselheiro bíblico e tenho caminhado com muitas pessoas na jornada árdua e escura em busca de respostas para esses problemas. Da distimia ao transtorno do pânico, existem na experiência humana poucas dificuldades que provocam tanta dor e isolamento, e são tão complexas quanto aquelas que a nossa cultura chama de doença mental.

Junto como muitos outros, tenho buscado dedicar minha vida para ajudar pessoas a superar a dor desse diagnóstico.  Há muitos desafios envolvidos nesse processo. Um deles é que quando usamos o termo “doença mental” poucos realmente compreendem sobre o que estamos falando.

A maioria dos cristãos simplesmente não têm um entendimento claro da natureza da doença mental. Entre os cristãos, acredito que a maioria use esse termo para falar de problemas difíceis e complicados, que produzem efeitos debilitantes significativos. Quando se defrontam com tais problemas, eles os percebem como tão intensos e perturbadores que acreditam que a situação requeira essencialmente algum tipo de medicação para corrigir uma condição física.

Os cristãos estão certos em querer providenciar toda a ajuda possível para esse tipo de problema. No entanto, se quisermos realmente ajudar, é importante saber sobre o que estamos falando quando usamos o termo doença mental.

O que é doença mental?

Definir a doença mental é algo difícil. O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), catálogo de doenças mentais criado pela American Psychiatric Association (APA), muda regularmente a definição de doença mental. Essas mudanças de definição têm por propósito manter o DSM atualizado de acordo com a mudança de opiniões no campo da psicologia e psiquiatria a respeito da doença mental. Muitas vezes, porém, as definições da APA discordam das definições dadas por outras entidades como a  The National Alliance of Mental Illness. Em artigo escrito para a revista Psychology Today, o psicólogo Eric Maisel aponta para o fracasso de seus colegas na tarefa de definir a doença mental como uma prova de que o fenômeno nem sequer existe.

Todos sabem que as pessoas que recebem um diagnóstico de doença mental têm problemas reais.  A questão diz respeito à natureza do problema. O DSM foi publicado pela primeira vez em 1952 para criar um sistema de linguagem para novos tipos de problemas. Os profissionais tiveram a boa intenção de criar categorias para problemas sérios, que sobrecarregavam as pessoas afetadas, mas para os quais eles não conseguiam encontrar evidências de patologia.

Patologia é aquilo que os médicos procuram quando diagnosticam uma doença. É uma anomalia física que se constitui na causa da doença. Por exemplo, as pessoas recebem o diagnóstico de cancer quando elas têm uma massa de células no corpo que se divide e se multiplica em ritmo rápido e incontrolável. Os cientistas conhecem essa patologia devido a repetidos testes e observações que comparam o crescimento celular normal ao crescimento celular anômalo. Os médicos solicitam análises clínicas que determinam resultados objetivos com relação a um padrão claro. Eles dão um diagnóstico clínico de doenças por meio de exames que demonstram evidências concretas de patologia.

A maioria das pessoas presume, erradamente, que as doenças mentais do DSM sejam caracterizadas por este mesmo nível de precisão clínica. Elas não são. Infelizmente, não existem exames clínicos para determinar a existência da maioria dos transtornos que constam no DSM.

Em geral, os transtornos listados no DSM têm várias características que os distinguem das doenças tratadas nos demais ramos da medicina. A seguir, listo três delas.

Não uma patologia, mas votos de uma comissão.

Ao contrário das doenças de outros ramos da medicina, as doenças do DSM são criadas por votos de uma comissão. Uma razão pela qual existem diferentes versões de DSM é porque diferentes comissões votaram para adicionar, subtrair e modificar os vários transtornos. Há muitos exemplos dessa prática na história do DSM.  Um exemplo flagrante é a homossexualidade.

Nas primeiras edições do DSM, a homossexualidade estava classificada como transtorno mental. Em 1974, a APA removeu a homossexualidade do DSM-II. A homossexualidade foi declarada normal pelo voto de uma comissão de 15 membros. Esta comissão não estava respondendo a qualquer informação científica nova, mas às pressões políticas dos ativistas dos direitos gays.

Nem todos os transtornos classificados no DSM são tão politicamente voláteis como a homossexualidade, mas todos são caracterizados pelo fato de que são criados, removidos e modificados pelos votos de uma comissão.  Esta prática de votações é completamente diferente da prática da ciência médica por trás de doenças como o câncer, o diabetes e o mal de Alzheimer.

Não uma patologia, mas descrições subjetivas de comportamentos.

A ciência médica objetiva diagnostica as doenças por meio de biópsias, exames de sangue, radiografias e outros exames que descobrem a patologia. A psicologia e a psiquiatria diagnosticam as doenças mentais de forma diferente. A mesma comissão que vota quais problemas são normais e quais não são, elege os comportamentos descritivos que determinam a doença. A depressão é apenas um entre tantos exemplos.

A comissão elaboradora do DSM-IV concordou em considerar as pessoas mentalmente doentes, atribuindo-lhes o diagnóstico de transtorno depressivo maior, se elas tiveram um humor deprimido por duas semanas e manifestaram cinco de nove critérios que incluem alterações no ritmo de sono, no interesse nas atividades e sensação de culpa. A comissão do DSM-V votou por mudanças significativas nesses critérios de forma que, atualmente, uma mulher em luto pela morte do marido pode receber esse diagnóstico.

As pessoas que atendem a esses critérios do DSM têm um problema para o qual necessitam de ajuda, e os cristãos devem estar desejoso de ajudá-las. No entanto, fazer um diagnóstico médico a partir de uma lista mutável de descrições de comportamentos subjetivos não é típico da prática médica, que investiga a patologia.

Não uma patologia, mas comportamentos morais.

Muitos dos comportamentos que o DSM descreve são categorias morais que Deus descreve.  Mencionei anteriormente a homossexualidade. Mas considere agora o Transtorno de Identidade de Gênero (TIG), descrito no DSM-IV como um transtorno mental. O TIG substituiu o transexualismo.[1] A DSM o definia como uma forte identificação com o gênero oposto e um desconforto persistente com o próprio sexo. As pessoas eram assim diagnosticadas por desejarem viver como membros do sexo oposto e usarem frequentemente roupas e maneirismos associados ao outro gênero. Os profissionais recomendavam diferentes tipos de tratamentos para o TIG, desde o aconselhamento para lidar com a dor de ter nascido com o sexo “errado” até a cirurgia de mudança de sexo.

É uma característica do DSM transformar em problemas clínicos os problemas morais – da disforia do gênero à ansiedade – que são tratados por Deus em Sua Palavra.

O que isso significa e o que não significa

Nenhuma dessas considerações diminui o sofrimento significativo presente na vida das pessoas diagnosticadas com doença mental. As pessoas que lutam com esses problemas precisam de ajuda complexa e multifacetada. Frequentemente, são pessoas que têm alguma patologia física para a qual necessitam de uma intervenção médica.

Esse entendimento leva-nos, porém, à necessidade de admitir que esses problemas são tipicamente diferentes de meros problemas clínicos. Se quisermos ajudar as pessoas com doença mental, é preciso ter um entendimento correto daquilo de que estamos falando.  Quando concluímos que as doenças mentais são equivalentes a algo como um linfoma não-Hodgkin em seu grau de patologia, nós estamos indo além até mesmo daquilo que entendem os profissionais seculares que escreveram o DSM.

Antropologia bíblica

Como cristãos, cremos que o ser humano possui corpo e alma. Isso é algo que a Bíblia ensina clara e repetidamente (Gn 2.7; Mt 10.28; 2Co 5.1; 1Tm 4.8).  A Bíblia ratifica tanto os problemas físicos quanto os espirituais, pois Deus criou o ser humano de forma que ele vivencia essas duas realidades.

Esse ensinamento bíblico, chamado de dicotomia, significa que biblicamente é tão correto tomar Paracetamol para uma dor de cabeça quanto lutar para depender de Deus nos momentos de dificuldade financeira. O ensino bíblico sobre dicotomia é também uma advertência para os cristãos. Visto que o ser humano possui corpo e alma, é pecado e ignorância reduzir todos os problemas a apenas problemas espirituais. O inverso também é verdadeiro: é errado reduzir todos os problemas a apenas problemas de natureza física.

Conforme já mencionei, acredito que os cristãos olhem para os problemas representados pelos termos de diagnóstico das doenças mentais e pensem que eles são tão intensos em sua natureza que devem ser problemas essencialmente físicos. Um entendimento bíblico do ser humano e da importância da alma demonstra que os problemas não precisam ser clínicos para serem intensos. A tristeza esmagadora de Jó, os ímpetos assassinos de Saul, o comportamento perturbado de Nabucodonozor e os delírios dos endemoninhados no Novo Testamento são todos exemplos de problemas espirituais intensos para os quais a intervenção médica nunca traria plena solução.  Os cristãos não devem presumir que todos os problemas graves sejam problemas essencialmente clínicos.

Nós gostamos de extremos. Nós nos sentimos confortáveis quando os problemas são todos da mesma espécie e nada mais que isso. O ensino bíblico sobre dicotomia mostra que os problemas podem ser fisicos, espirituais ou uma combinação de ambos. Cuidar de pessoas significa estar alerta para os problemas físicos que requerem tratamento médico e para os problemas espirituais que requerem Cristo e Sua Palavra. O entendimento de doença mental proposto pelo DSM não é tão útil para determinar a diferença entre esses campos como eu gostaria que fosse.

Minha oração é pelo avivamento de uma preocupação singularmente cristã para com as pessoas aflitas por aquilo que é comumente chamado de doença mental. Quando olham para as pessoas diagnosticadas com transtornos depressivos, transtorno de ansiedade, disforia de gênero, os cristãos não devem ver meros problemas clínicos. Questões médicas podem estar presentes, mas onde estão os cristãos prontos a fazer mais do que incentivar a medicação? Onde estão os cristãos prontos a suplicar para que aqueles que estão em grande luta com uma diversidade de problemas – da depressão à disforia de gênero – aproximem-se de Jesus Cristo, o Consolador da alma?

Quando olhamos para a “doença mental” e enxergamos apenas as categorias clínicas, deixamos de compreender devidamente esse termo e desonramos Jesus Cristo. Agindo desta forma, nós também privamos essas pessoas de receber a plena ajuda de que necessitam. Sim, as pessoas com problemas intensos muitas vezes precisam de medicação.  Mas mesmo quando a medicação é necessária, nenhum médico pode prescrever aquilo que só o Grande Médico pode oferecer.

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Original: Christian reflections on mental illness – The Gospel Coalition

Original em Português- Aqui

Heath Lambert é professor assistente de aconselhamento bíblico em Boyce College e The Southern Baptist Theological Seminary.

[1] NdT. No DSM-IV, a APA retirou dos seus diagnósticos os termos transexualismo e travestismo, e adotou o termo Transtornos da Identidade de Gênero (TIG), menos discriminatório. No DSM-V, o TIG foi eliminado e aparece agora a Disforia de Gênero, isto é, a condição de inquietude de que sofre uma pessoa que não se identifica com o seu sexo de nascimento.


Deus os abençoe.


Um comentário:

Unknown disse...

Trabalho em uma escola e recentemente socorri uma aluna com problemas iguais ao citado no início do texto.Estamos vivendo dias em que o inimigo tem tentando tocar em nossos jovens.Precisamos nos atentar e aprender para ajudá-los.

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