Outras revelações sobre A Parábola do Filho Pródigo

 

Wilma Rejane


Reunido com publicanos, fariseus, escribas, trabalhadores comuns da Judeia e mendicantes, Jesus lhes conta uma série de parábolas. Essa parecia ser uma forma simples de se fazer compreender: despertava a curiosidade e atenção dos ouvintes que aguardavam o desfecho, ao tempo em que eram profundamente tocados pela autoridade das Palavras de Jesus. A Parábola do Filho Pródigo faz parte dessa série e está descrita no Evangelho de Lucas 15: 11 a 32. Presumo que você já conheça a parábola, mas se não conhecer, pode ler Aqui 

Os dois filhos são uma referência aos que ouviam a parábola: os religiosos configuravam o filho mais velho, estavam em casa, ou seja, obedeciam aos rituais, julgavam-se filhos fieis de Abraão.

O filho mais novo é uma clara referência aos que se reconheciam na condição de pecadores, distantes do Reino de Deus e necessitados de salvação. É uma referência aos filhos salvos pela graça, pelo sangue da Nova Aliança derramado na cruz do calvário.

O filho mais novo reivindica  herança antecipada e o pai não faz qualquer objeção, acata sua decisão e divide os bens. Pela lei o primogênito teria direito a uma parte maior dos bens ( dois terços), enquanto o mais novo (um terço).

O que acontece depois da partilha de bens e do abandono ao lar pelo mais novo é uma série de infortúnios. Ele passa a sobreviver de esmolas, enfrenta fome, frio e sofre bastante até decidir  voltar para casa.

O que teria acontecido se ele  continuasse com  sua vida miserável?  Se não tivesse retornado para  casa e experimentado o amor incomparável de seu pai?  E se o orgulho tivesse tomado conta de seu coração?

Mas a parábola revela que “ele caiu em si e disse: vou voltar para casa de meu pai” (verso 17).

A não objeção do pai em repartir a herança sugere Deus nos dando a liberdade para decidirmos, escolhermos. O pai não interferiu na escolha pessoal de seu filho mais novo, porém,  sofreu por ele. Aguardou seu retorno para casa e quando isso aconteceu perdoou totalmente tratando-o com alegria e amor.
 
O pródigo precisou viver a falta de tudo para poder valorizar aquilo que nunca lhe faltou. 

Nossa vida não é uma predestinação de coisas más ou boas. Assim como fez o pródigo, é preciso “cair em si”. Voltar para casa é uma decisão. Deixar os chiqueiros do pecado é uma decisão. A  justiça e o mérito não terá sido nosso, mas de quem nos recebeu em perdão, de quem nos abraçou no retorno, de quem abriu as portas para que pudéssemos entrar. Deus tem o mérito de toda bondade, sendo Ele mesmo a maior e melhor herança. A herança material não é o verdadeiro tesouro, mas a espiritual.

Havia um tempo determinado para o retorno do filho? Era o tempo do arrependimento, da comoção própria, da humilhação da alma diante do Criador. Sem esse tempo o pródigo teria continuado sua viagem para o abismo.

Os pródigos

Quantos pródigos temos no mundo hoje, cheios de orgulho por heranças materiais que um dia acabarão? Quantos vivendo em redutos emporcalhado  se recusando a repensar à vida? Cair em si é um retorno a Deus, à Criação, é um caminho de volta, é nascer de novo pela graça concedida por Cristo Jesus.

“Arrependei-vos”! Dizia João o que batizava no Jordão:

Arrependei-vos = metanoeo (Strong 3340) = mudança de meta, de objetivo, de alvo.

Somos eleitos para viver da graça que nos elegeu e essa graça amorosa também é justa para realizar as consequências das desgraças que escolhemos.

O filho mais velho

É tão triste constatar que ele também estava perdido. Vivia em casa, mas era incapaz de amar, de compreender o amor do Pai. Fariseu, precisava “cair em si”, arrepender-se, mudar de direção.

O filho mais velho pode merecer nossa indignação, mas ele não agiu diferente de muitos de nós que atribuí graus de recompensa e balanças injustas conforme a limitada visão do Reino de Deus. Uma visão que muitas vezes ignora que um assassino, marginal, bêbado possa “cair em si” compreendendo e acreditando no plano de Salvação dado aos homens do qual ele pode desfrutar, tendo sua dívida paga.
 
O filho mais velho, ao perceber que seu pai havia preparado uma festa para o retorno de seu irmão, ele procurou um servo da casa para conversar e demonstrar indignação (Lucas 11:25 à 28). Ele não procurou seu pai, mas um trabalhador de seu pai. A lição que extraio desse fato é que o filho mais velho não cultivava uma relação de intimidade e confiança com seu pai. É uma figura dos que seguem mandamentos, mas não têm comunhão, proximidade, relacionamento com Deus. A salvação requer essa busca por conhecer a Deus e fazer Sua vontade,
  
A mesma casa

“cair em si” foi o ponto chave de mudanças para o filho mais novo. Ele precisou voltar para casa e essa volta também não deve ter sido fácil visto que estava em estado de mendicância. Mas ele se dispôs, sabia que tinha errado o bastante. O caminho de volta era o mesmo, a casa, o pai, o irmão, mas ele havia mudado.

O pródigo sabia que as consequências (ou inconsequências) de sua sobrevida eram resultado de suas escolhas e não da família. Eram os frutos podres que causavam toda a lama na qual se afundara .

Para refletirmos: 
 
Em Galátas 5:26 está escrito: "Não nos deixemos possuir de vanglória". Vanglória no grego está com o mesmo significado de orgulho "Kenodoxia" =  vaidade, fútil sede por glória.  A glória que o filho pródigo buscava, acarretou-lhe vazio na alma. O humilde arrependimento é que lhe devolveu a alegria de viver e a paz no coração.
 
Com qual dos dois filhos nos identificamos? Temos feitos escolhas dignas de alegrar nosso Pai? A graça, abundante, nos diz que há perdão e nova vida para os que vão se distanciando de casa e abandonando o Pai. A graça diz que Deus, esse Pai, aguarda o retorno de seus filhos sem acusá-los pelas escolhas erradas, mas festejando A escolha correta de "cair em si" e se entregar-se aos Seus cuidados.
 
A Parábola revela que sem arrependimento não há mudança de vida, não há salvação. As escolhas erradas trazem consequências, porém, por mais difícil e complicada que seja a situação, há uma saída que gera vida e renovação. A saída é ao mesmo tempo a chegada, o retorno, o repensar à vida para deixar de caminhar sozinho para caminhar guiado e amparado por Deus. 

Deus nos abençoe, em nome de Jesus.

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Fontes: Evangelho de Lucas, cap 15 na Bíblia de Estudo Plenitude, SBB, 1995 e Sobre o significado de orgulho consultei artigo de: Cristiano Santana "Curiosidades Léxicas, a ironia por trás da palavra orgulho em Galátas" / Imagem cortesia Vecteezy
 

 

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