Wilma Rejane
O que é fé? Pessoas de várias religiões respondem de maneira diferente a essa indagação. Para o budista, a fé estaria no esforço para alcançar o Nirvana, na obediência à doutrina das boas ações e da harmonia nos caminhos da vida. Para o hindu, a fé é banhar-se no Rio Ganges acreditando que aquela água o tornará puro.
O que leva as pessoas a terem fé? Uma resposta satisfatória pode ser encontrada no desejo contínuo do ser humano por satisfação pessoal; a felicidade estaria condicionada a essa busca pelo sobrenatural. De outro modo, diria que a fé humana é a expressão do Deus Criador em nós: Deus criou a fé para que pudéssemos nos comunicar com Ele e, assim, compreendermos (ainda que de modo incompleto) Seu plano para a humanidade e para cada indivíduo de modo distinto.
Fé é acreditar que o invisível existente no mundo natural já é uma realidade no plano sobrenatural e que, a qualquer momento, esse sobrenatural se tornará concreto e real aos olhos humanos (Hebreus 11:1). Assim, para crer com esperança, contra toda esperança, é preciso ter fé.
E se a fé não é algo puramente humano, porque o homem em si não tem o poder da onisciência, da onipresença e da onipotência, julga-se necessário recorrer a um poder maior, dotado de capacidade sobre-humana. Esse poder se chama Cristo, para os cristãos; chama-se Shiva, para os hindus; chama-se Buda, para os budistas. Enfim, pode-se chamar do que a fé de cada um desejar. E aqui entra uma questão-chave: de onde emana minha fé? De um coração puro ou corrompido?
Se o coração é o centro da fé, um meio e um fim para alcançá-la, como pode um homem impuro ter uma fé pura? E por “fé pura”, entenda-se a fé na Verdade que é Cristo Jesus ( João 14, verso 6). Logo, fé e obras estão imbricadas.
Fé e obras são um conjunto de fatos que conduzem o homem não apenas a uma vida de santidade, como também às vias da salvação.
Para mim, soa estranha a questão da predestinação, pois ela anula (ou pretende anular) o sacrifício de Cristo Jesus no Calvário, a Obra central, a Pedra angular da salvação humana. Ora, ao dizer que somos salvos pela graça, por meio da fé, e não por obras, para que ninguém se glorie (Efésios 2, versos 8 e 9), penso que o sentido dessa Escritura está em afirmar que homem algum seria capaz de salvar a si mesmo com seus próprios méritos.
Cristo nos salvou, pois Sua obra foi a única realizada de modo completo por Deus e com Deus. Jesus foi o único de coração totalmente puro, sendo Ele mesmo a Verdade. A qual dos homens podemos chamar de puro? A qual dos homens (ou mesmo dos deuses) se pode chamar de Verdade? Somente Cristo é Princípio e Fim ( Apocalipse 22 verso 13). Somente em Cristo temos a vida, ressurreição e salvação, o perdão dos pecados e o novo nascimento que dá acesso à vida eterna com Deus, livre da condenação eterna ( João 1, versos 12 à 14).
Somente a graça concede aos homens a fé pela qual serão salvos. E de onde provém a graça? De Deus. Logo, compreensão alguma teríamos de salvação sem o auxílio do Alto. É nesse sentido que as obras humanas são insuficientes.
Agora, dizer que as obras humanas nada valem é como invalidar a fé. O menor (obras) existe por causa do maior (fé). Como alguém pode se designar cristão sem viver o Evangelho? E como viver o Evangelho sem praticar, ou, pelo menos, se esforçar para praticar, o que Cristo ensina?
A Obra de Cristo nos capacita a viver o que de modo algum viveríamos por mera força humana. E o que é viver? Vida é prática, é obra, é dormir e acordar na certeza de que este mundo é passageiro e o céu aguarda os salvos!
Jesus disse: “Aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mateus 24, verso 13). O que é perseverar? É ser constante, permanecer, conservar-se. Isto não é uma ação humana? Claro que é. É uma obra humana que se torna possível por causa de uma obra maior: Cristo em nós. Desse modo, compreendo que nossas obras têm função fundamental tanto para a santidade quanto para a salvação.
Em uma revista da Escola Bíblica Dominical, logo na introdução, estava escrito: “Se você acha que ser um bom pai, um bom empregado ou um bom filho te salvará, está enganado. Nenhuma boa obra pode te salvar, a não ser o sacrifício de Cristo”. Meu esposo leu isso e comentou: “Do modo como está escrita essa introdução, somos levados a pensar que não vale a pena ser bom ou se esforçar para andar correto na sociedade”.
É triste constatar pensamentos extremistas como o de quem escreveu aquela introdução. De fato, somente Cristo pode nos salvar; somente Sua Obra tem tal poder e autoridade. Contudo, devemos lembrar constantemente que é através das obras que demonstramos nossa fé.
Está escrito: “Vi os mortos, grandes e pequenos, de pé, diante do trono. Abriram-se livros, e ainda outro livro, que é o livro da vida. E os mortos foram julgados conforme o que estava escrito nesse livro, segundo as suas obras. O mar restituiu os mortos que nele estavam. Do mesmo modo, a morte e a morada subterrânea. Cada um foi julgado segundo as suas obras” (Apocalipse 20:12-13).
Você conhece um homem da Bíblia chamado Cornélio? Seu testemunho está eternizado no livro de Atos, capítulo 10. Lá diz que este homem dava esmolas aos pobres e orava sempre, de modo que suas obras agradaram a Deus. Apesar de bom, Cornélio não era salvo.
Deus, então, enviou Pedro para falar com ele a respeito da salvação; ele creu e foi salvo com toda a sua casa. Podemos dizer que as obras de Cornélio não tinham o poder e a autoridade de salvação, somente a Obra de Cristo poderia fazer tal coisa. Contudo, vemos aqui que o esforço humano por praticar o bem é algo que agrada a Deus e, uma vez salvo, as obras testificam sobre a fé.
É um erro pensar que, estando sob a graça, pode-se praticar toda sorte de pecados, arrepender-se e cometer novamente o mesmo pecado, sendo reincidente.
“Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?” (Tiago 2:14).
Pensemos nisso. Busquemos a santidade, pois, sem fé, é impossível agradar a Deus. E o que agrada a Deus não é a fé estática em si mesma, mas a fé ativa para praticar a Sua Palavra. Isso é obra, de Deus e dos homens.
Deus o abençoe, em nome de Jesus.
*Imagem cortesia Pixabay.

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