"Abraão sorriu de alegria, sara de incredulidade" Gn 17, 18
Encontrei Sara em uma rua da cidade. Ela tinha cabelos grisalhos, rosto formoso e um ar de serenidade. De mãos dadas com Abraão, os olhares entrelaçavam-se cada vez que uma criança corria nos arredores. Um misto de tristeza e esperança pairava no ar. Algum dia receberiam a dádiva de serem pais? O riso de Sara era cortado, contido, pensado. Em sua mente e coração as lembranças de algo que nunca existiu, podava sua alegria. Ter um filho era um desejo profundo do coração do casal, mas como? Ventre adormecido, avançados em idade, seria loucura ainda sonhar com um pequenino a alegrar-lhes a vida?
“Sara tinha o ventre amortecido” Rm 4:19
Abraão com cem anos, Sara na menopausa e uma promessa para se cumprir: “Olha, agora, para os céus e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhes assim será a tua semente” Gn 15:5. Cada noite que chegava e as estrelas brilhavam no céu era um convite a fortalecer a fé. Era hora de sentar com Sara, do lado de fora da tenda, sentir o vento frio do deserto tocar suas faces e abraçados sonhar mais uma vez com um herdeiro correndo por entre os carvalhos de Manre. Abraão demorava a dormir, Sara sempre se recolhia primeiro. Ele ficava marejando os olhos de lágrimas, conversando com Deus e sorrindo baixinho: “Senhor, são tantas estrelas, não consigo contá-las”. O velho Abraão, amigo de Deus enchia o coração com os sonhos de Deus para vida dele.
“O qual em esperança, creu contra a esperança que seria feito pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência. E não enfraqueceu na fé, nem atentou para o seu corpo já amortecido (pois era de quase cem anos), nem tão pouco para o amortecimento do ventre de Sara. E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé dando glória a Deus” Rm 4:18-20.
Ele Guardou a promessa...