A Tentação de Jesus - Quando o Bem Vence o Mal


Wilma Rejane

Nos capítulos Três e Quatro do Evangelho de Mateus, encontra-se a descrição perfeita do que caracteriza os ministérios do bem e do mal, de Deus e do diabo.

È no deserto da Judéia que aparece João Batista, proclamando as Boas Novas do Evangelho, o inicio da nova aliança na pessoa de Cristo Jesus. João, o “reparador de veredas” é um homem simples no vestir e no viver. Sua convicção sobre o Reino da Salvação, contudo faz dele um orador de mensagem atraente a ponto de reunir para si discípulos e enfurecer opositores. João é o modelo de servo perfeito, aquele que fez Jesus afirmar: “Em verdade vos digo que entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior que João o Batista, mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele” Mt 11:11.

É no mesmo deserto da Judéia que Jesus, após ser batizado por João - o servo- é tentado pelo diabo: “Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” Mt 4: 1. Você alguma vez se perguntou por que o Espírito conduziu Jesus a tal situação? Vejo que sem a ação do Espírito Santo, seria impossível vencer tamanho “bombardeio” do inimigo. A palavra ‘conduzir’ no grego pode ser traduzida como ‘levar para dentro’, ‘introduzir’. No latim, o verbo ‘ducere’ deu origem aos termos: ‘educar, produzir’. Temos, então, Jesus sendo introduzido no deserto a fim de produzir frutos: Para morte ou para vida. Graças a Sua obediência e perseverança, Ele venceu! Também estamos capacitados a vencer, através do Espírito Santo de Deus que nos educa e fortalece.

O Ministério de Lúcifer:

No deserto da Judéia o diabo apresenta várias propostas para Jesus. Notemos que a cada investida, há uma tentativa de plantar dúvida no coração de Jesus. As palavras vindas do céu aberto, do próprio Deus, quando do batismo, ainda ecoavam na lembrança de Jesus: ‘Este é meu filho amado em quem me comprazo’ Mt 3: 17. O diabo tentou arrancar essa certeza: ‘Se tu és o filho de Deus, transforma estas pedras em pão” Mt 4:3, “Se tu és o filho de Deus, lança-te daqui abaixo” Mt 4:6.

O Dia das Pequenas Coisas




Wilma Rejane


Essa fotografia retrata o Japão após terremoto. São bombeiros e uma civil recolhendo roupas  em meio aos escombros. Guardei-a em meus arquivos para que ficasse bem nítida em meu coração a mensagem que ela me transmitiu: o valor das pequenas coisas. Temos o triste hábito de esquecer rápido as bênçãos, ou mesmo nem percebê-las e dar proporção gigantesca as derrotas.  Aconteceu com os Israelitas quando peregrinaram no deserto, com os discípulos que auxiliaram Jesus em Seu ministério, acontece comigo e com você. Não costumamos agradecer a Deus pelas nossas unhas dos pés (como?) saudáveis, até que uma delas fique encravada e a dor nos incomode a tal ponto de não conseguirmos desfrutar do simples gesto de calçar um sapato fechado.

A imagem me diz que roupas esquecidas em algum lugar do armário têm valor inestimável quando tudo o mais fora arrastado pela água ou soterrado. Aprendo que devo me alegrar até mesmo pelo que é impercebível, pelo desprezível. Que graça teria a vida, sem o conhecimento da dor da morte? O encontro, sem o sofrer da despedida? Não anseio pelo lado obscuro da vida, mas sem ele, sequer perceberia o surgir da luz, da adorável Luz que adentra na escuridão do túnel nos resgatando da solidão e morte.

Em alegoria pergunto: quantas roupas temos esquecidas em nosso armário? Será preciso uma catástrofe para que percebamos o valor que elas têm? 


Mulher virtuosa, quem a achará?






Wilma Rejane


“Mulher virtuosa, quem a achará?” PV 31:10

Essa mulher é descrita através de um poema, de autoria do Rei Salomão no livro de Provérbios. Cada estrofe se inicia com uma letra do alfabeto hebraico, ao todo 22 letras, as mesmas dadas por Deus a Israel por ocasião da Tora. No acróstico, Salomão então atribui à mulher personalidade sublime, Divina.


Virtuosa é uma tradução do “chavil” em hebraico (ou Havil) de acordo com o Wordbook Teológico, “chavil” no Antigo Testamento é usado para denotar: força, poder, em uma variedade de maneiras. Força de Deus (Sl 59:11) e força Física (Ec 10:10). Essa palavra foi usada pela primeira vez no Antigo Testamento para descrever Rute: “Agora, pois, minha filha, não temas; tudo quanto disseste te farei, pois toda a cidade de meu povo sabe que és mulher virtuosa”. A Septuaginta traduz o hebraico "Chavil" de Ruth 3:11, como "dunamis" que significa "poder".

É interessante notar que essa mulher virtuosa, um misto de dona de casa, esposa, e serva de Deus, tem origem no relacionamento com seu par. Ela tem força própria, identidade marcante, porém não seria virtuosa sem o relacionar-se com Deus e com o seu marido. Boaz elegeu a Rute como parceira por ter percebido nela uma companheira que o completava: cheia de força para o trabalho, para a vida, e de conselhos - por ser tão ligada ao Deus de Israel.

Rute Nos Campos de Boaz





"O Senhor retribua o teu feito; e te seja concedido pleno galardão da parte do Senhor Deus de Israel em cujas asas te vieste abrigar" Rt 2:12.

A história de Rute, se passa aproximadamente entre 1350 à 1100 a.c. Conta a vida de uma familia de emigrantes que fugindo da seca, deixa Belém da Judéia e seguem em direção aos campos de Moabe. Poucas pessoas, Noemi (esposa), Elimeleque (esposo), Malon e Quiliom (filhos). Elimeleque, já não acreditava que Deus visitaria o lugar curando a terra e proporcionando abundância. Instou com Noemi, até convencê-la do novo destino que envolvia sonhos e expectativas de mudanças.

Noemi, sempre fora confiante no Deus de Israel, em qualquer lugar e situação que estivesse. Partiu em oração, com poucas roupas e objetos na bagagem e com o coração repleto de saudades e fé. Dez anos se passaram. Em Moabe, dor e sofrimento para Noemi. Perdeu esposo e filhos. Ganhou duas noras, trabalhadoras e bondosas: Rute e Orfa. Noemi, não quer atrapalhar o futuro das jovens, por isso, decide voltar para Belém, ouviu falar que "O Senhor tinha visitado o seu povo" (Rt 1:6). Orfa, retorna para sua família, Rute, porém, demonstra um grande amor e apego a Noemi:


Marta e Maria


 

Jesus, estava a caminho de Jerusalém. Muitos discípulos com Ele. Ao chegarem na aldeia de Betânia as pessoas se agitam. Correm para vê-Lo. Muitos ali  já conheciam o Mestre. Haviam presenciado milagres, testemunhos de curas e transformações que faziam de Jesus um visitante muito aguardado. Mas, era na casa de Lázaro que Ele costumava passar mais vezes. Tinha se tornado, amigo da família. Marta, a mais velha, era a primeira a recebê-Lo.

Maria, embora ansiosa por Sua chegada, não se adiantava, à porta. Ao ver Jesus, tudo em Maria mudava. Seu rosto se tornava mais alegre. Seus gestos, transmitiam amor e carinho. Maria, anelava por aquela presença. Certa feita, ungiu a Jesus, com unguento precioso. Os longos cabelos de Maria, deslizavam nos pés do Mestre. O perfume, podia ser sentido de longe. Quanta gratidão havia em Maria. Quanta devoção. Quanto amor. Maria, representa, os verdadeiros adoradores. Os que encontram felicidade na presença de Jesus. Os que se entregam sem medida, na certeza de uma nova vida. Maria, prioriza o Reino de Deus. Ele, em primeiro lugar. Jesus, se alegrava com Maria.


Raabe



"Assim, deu josué vida a prostituta Raabe, e a família de seu pai, e a tudo quanto tinha; e habitou no meio de Israel até o dia de hoje, porquanto escondera os mensageiros que Josué tinha enviado a espiar Jericó" .Js 6:25


Essa passagem bíblica, sempre me leva a uma outra do livro de Atos 16:30,31: "Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? E eles disseram: Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e a tua casa".

Os israelitas procuravam um lugar estratégico de onde pudessem estudar a cidade de Jericó para, posteriormente conquistá-la. Chegaram a Sitim, um lugar de Moabe bem em frente a Jericó, especificamente à casa de Raabe. Lá havia um fluxo constante de pessoas, o lugar era público e bem localizado.

O que, no entanto, parecia acaso nada mais era do que providência Divina. A gentia Raabe era a única na cidade que cria no Deus de Israel, ela falou aos espias israelitas: "bem sei que o Senhor vos deu essa terra e que o vosso Deus é Deus em cima e em baixo da terra"Js 2:9,11. Ela buscara o Deus de que tanto ouvira falar.


A Rainha Ester e o Cetro de Justiça





No capitulo cinco do livro de Esther lê-se que a rainha, disposta a implorar o favor do Rei Assuero, "se vestiu com trajes reais e se pôs no pátio interior da casa do Rei" Et 5:1. Ela não disse palavra alguma. Seu maior desejo era chamar atenção do Rei. Ela sabia que nas mãos de Assuero estava sua vida. Cetro estendido, vida. Cetro recolhido, morte. Ninguém mais, além de Esther poderia interceder pela nação de Israel. Esther, nas mãos de Assuero. Israel, totalmente dependente do sucesso da Rainha diante do Rei.

Li um documento apócrifo que relata: “Ester desmaiou de tanto temor quando Assuero a olhou caiu sobre os ombros da criada que a acompanhava" Et 15:9, 10. Como todo apócrifo, esse documento está sujeito à negação, não pude, contudo, através deste relato, deixar de perceber a intensidade do momento. Ester foi ousada. Em Deus, foi ousada. Por confiar que o Senhor estava a lhe guardar.

Por três dias, Esther e todos os judeus jejuaram e se vestiram com sacos. Ester era pranto e dor, seu semblante estava abatido. Quando, porém, decidiu se "vestir com trajes reais e se colocar no pátio, defronte do aposento do rei" Et 51, a rainha estava radiante: Sua melhor roupa, jóias e melhor perfume. Rosto rosado, face reluzente. O Rei se encantou . Quanta beleza! Quanta ousadia! "O que queres, rainha Ester, ou qual é a tua petição? Até metade do reino se te dará" Et 5:3


A Mulher Samaritana e o Bramido da Corça


  "Assim como a corça brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti ó Deus”. Sl 42:1.

A corça é um animal de pequena estatura, arisco e de costume migratório. E uma característica interessante: a corça não suporta o confinamento. É um animal dotado de olfato privilegiado que lhe possibilita sentir cheiro de água a quilômetros de distância. É capaz ainda de perceber, metros abaixo da superfície, a existência de um lençol de água.


Em regiões desérticas da África e do Oriente Médio, empresas construíram quilômetros de aquedutos sob a superfície terrestre. E as corças sedentas, ao pressentirem a água jorrando pelo interior dos dutos, correm por cima das tubulações na tentativa de encontrarem a nascente, ou então um possível local por onde essas águas pudessem ser alcançadas. A sede de Davi, pelo Senhor era comparada ao anseio de uma corça pelas águas. 

Como é que a corça suspira e anseia pelas águas? É com desespero. Gritando, correndo, buscando, farejando. Com sede. Com olfato privilegiado para localizar a fonte certa. Continuamente, todos os dias. Não se permitindo acomodar e fugindo do confinamento. A corça pode ser encontrada facilmente junto às margens dos rios, é um ambiente seguro para fugir de seus predadores. A água é para a corça: vida, proteção.

Poema de Deus



“Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nela” Ef 2:10. A palavra feitura vem do grego poieo, pode ser comparada a poema, poesia. Uma obra feita com esmero, como um artista fabricando seu produto. Deus é o projetista Mestre do universo. Somos tão especiais que Ele nos deu a vida, como se estivesse escrevendo um poema. O mais puro e intenso verso de amor. Somos o poiema que nem mesmo o mais nobre escritor sob a face da terra consegue expressar.

Um poema único, nomeado, com musicalidade sobrenatural, como a individualidade de nossas impressões digitais: Cite-me uma igual a sua, e direi que o verso é imperfeito. Impossível. Apesar das Marias, Joãos e tantos outros homônimos, a singularidade impera. Somos poema, derivados do Verbo, que se fez carne. Esse encontro do humano com o Divino entranha-se nas linhas do universo provocando uma santa melodia, a poiema que transcende a objetividade das coisas. O Inexplicável torna-se começo, recomeço, de uma história. O mesmo poema, escrito pela pena de um ágil Escritor.