Onde está Deus? Quero falar com Ele.

Além de nós, além do mundo...



Wilma Rejane


Um dia precisei de respostas e nenhum homem foi capaz de respondê-las. Nenhuma palavra humana curava minha dor. Seis meses doente da vista, de médico em médico e nada funcionava. Um hábito tão simples como dormir havia se tornado impossível para mim, a infecção ocular provocava prurido, desconforto, medo. Também vergonha: pela cegueira, pela perda do emprego, distância da família e essas coisas que quando temos não percebemos o valor. É que sem relacionamento intenso com Deus, gratidão se torna algo difícil de praticar. 

A sede de Verdade, de preencher o vazio da alma foi se tornando gigantesca, dia após dia: onde estaria a felicidade, a salvação? Deveria haver algo além de mim, das pessoas, do mundo, que me acolheria: Deus, onde Ele estava? Aos prantos fiz essa pergunta e nenhuma resposta para resolver a questão. A Bíblia, eu tinha uma em casa, empoeirada, no escritório junto a tantos outros livros.  Me voltei para ela com muita determinação. Acordando mais cedo, dormindo mais tarde e esse ato foi como Bálsamo refrescante me envolvendo em esperança para o futuro.

Li que Isaac havia padecido de problemas na vista, tão grave que o fez confundir os próprios filhos, Jacó e Esaú. E Deus o amava tanto, deveria me amar também! Li sobre Saulo que havia se tornado Paulo, em um encontro com Jesus, havia ficado cego temporariamente,  pelo resplendor da luz na estrada de Damasco. Seria a minha cegueira o resplendor do Senhor? Estas coisas foram me dando ânimo, Deus estava falando comigo! Mas eu não sabia como falar com Ele, como ter a certeza de que Ele estaria me ouvindo.


Bem aventurados os fiéis no relacionamento!

Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne
poeta quando o Amor toma conta dele.
Platão



Wilma Rejane


A criação de laços entre duas pessoas no processo de evolução humana teve inicio quando mulheres  fiéis começaram a escolher bons provedores para serem seus pares, esse foi o resultado de um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), republicado no Brasil pela Revista Exame em 01/06/2012. O autor do estudo Sergey Gavrilets, defende que homens fisicamente inferiores se beneficiaram quando as mulheres optaram pelos "melhores provedores" ao invés dos "mais fortes". Eles então concentraram seus esforços para conseguir dar melhores condições de sustento a mulher amada e isso resultou em aumento das proles.

Sergey é um biólogo evolucionista que se utilizou de modelos matemáticos para validar sua pesquisa. É claro que não concordo com modelos evolucionistas, essa teoria contraria a fé em um Deus único e soberano que criou todas as coisas e o homem a Sua imagem e semelhança. Contudo, não jogaria na lixeira esse estudo cientifico sobre  fidelidade, porque comprovadamente 10 entre 10 mulheres sonham com um parceiro fiel e dedicado a família. Acredito que os homens não pensam diferente, afinal a fidelidade é questão urgente e necessária em se tratando de relacionamentos, e não apenas amorosos.

Fidelidade é uma palavra que coroa os nobres, os valentes que persistem em amar o amor de quem se ama por opção de caráter. Ser fiel é um desafio diário. Enquanto se rema para a montanha familiar que se firma em solo fértil e seguro como memorial, um abrigo que acolhe circunstâncias e circunvizinhanças o mar lança bravas ondas para te fazer naufragar. Ser fiel é também uma questão de fé em todos os seus princípios terrenos e celestial. Fé e fidelidade.

Encontramos pelo menos dois referencias no idioma grego para a palavra fidelidade: "emunah e pistis".

Emunah: firmeza, estabilidade, lealdade, fidelidade. Essa palavra pode ser encontrada no famoso verso do Antigo Testamento, livro de Habacuque 2:4 "O justo, pela sua emunah viverá". Isto é pela sua fé firme, estável, inabalável. Também no livro de Provérbios 28:20: "O homem emunah (fiel) abundará em benção".

Um namoro abençoado por Deus





Então, o que é o namoro? Uma vez que a Bíblia aparentemente não fala sobre isso, podemos praticá-lo como quisermos?

Pois é, nós não encontramos a palavra “namoro” na Bíblia. Todavia, a Palavra de Deus fala de compromissos pré-nupciais (noivado) e pós-nupciais (sexo/casamento).

Um bom exemplo que temos é o relacionamento entre José e Maria. Eles eram noivos e não se conheciam sexualmente (Mt 1.18 e Lc 1.27). Havia um compromisso sério entre eles, que, na época, eram provavelmente adolescentes. Casamentos aconteciam cedo há dois mil anos atrás. Diferentemente de nosso tempo.

O namoro é um traço de nossa cultura que não existia na época bíblica. Os cristãos dão ao namoro o mesmo peso do noivado, entendendo-o como uma preparação para o casamento. Para os cristãos, namoro não é curtição, mas preparação.

Cristãos não namoram para se conhecer. Cristãos namoram porque já se conhecem o suficiente para caminhar um tempo, rumo ao matrimônio. Eu costumo colocar o namoro na mesma categoria do noivado. A Bíblia não me dá a categoria “namoro”. Logo, eu a defino com aquilo que há de mais próximo dela, o noivado.

A Bíblia não reconhece um relacionamento entre cristãos que não estejam se preparando para o casamento. Há muitos que afirmam: “será que todos os casais cristãos namoram para casar?” Realmente, eu não sei. Mas, deveriam! Se não podem pensar em casar, não devem nem começar a namorar.

O que a Bíblia diz sobre a pessoa com quem o cristão deve namorar? Será com qualquer um?

Quando Deus criou o homem, ele disse: “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2:18). Deus nos criou para que nos relacionássemos com outras pessoas. E o primeiro relacionamento que Deus proporcionou ao primeiro homem, foi o relacionamento com uma mulher.

Nos portões de Samaria se ouviu uma oração.





Wilma Rejane

Jesus já havia passado muitas vezes pelos portões da cidade de Samaria onde os leprosos se acomodavam em cabanas e habitações feitas com exclusividade para eles. Leprosos eram obrigados a viverem isolados: “Enquanto tiver a doença, estará impuro. Viverá separado, sua habitação será fora do arraial” Lv 13:46. Por esse motivo, era comum ver leprosos em grupos, como pedintes, fora da cidade. No livro de II Reis capitulo 7, há uma afirmação de leprosos à porta da cidade. Estes doentes sofriam não apenas pelas chagas de seus corpos, mas também pelas feridas ocultas que os outros carregavam na alma e vez por outra afloravam em forma de preconceito.


Lepra, do hebraico "tsara'at" denota uma variedade de doenças de pele: psoríase, favo, leucodermia e hanseníase.

O Evangelho de Lucas narra o encontro de Jesus com dez leprosos nas redondezas de Samaria e Galileia. Poucos versos Bíblicos em que fica especialmente evidente lições sobre fé e gratidão,  judeus e gentios, Antiga e Nova Aliança, sobre eu e você. Consideremos que lepra estava relacionada a pecado e  exclusão social, uma doença corrosiva, estampada como maldição física e espiritual. Leprosos à porta das cidades, era como uma parábola a pessoas fora da comunhão com Deus, sem acesso ao Reino. Lepra era sentença contra o pecado: II Rs 5:20 -Números 12:1-2 II Crônicas 26.


Um dia diferente


“Ao entrar num povoado, dez leprosos dirigiram-se a ele. Ficaram a certa distância  e gritaram em alta voz: Jesus, Mestre, tem piedade de nós! Ao vê-los, ele disse: Vão mostrar-se aos sacerdotes. Enquanto eles iam, foram purificados. Um deles, quando viu que estava curado, voltou, louvando a Deus em alta voz.  Prostrou-se aos pés de Jesus e lhe agradeceu. Este era samaritano.  Jesus perguntou:Não foram purificados todos os dez? Onde estão os outros nove?  Não se achou nenhum que voltasse e desse louvor a Deus, a não ser este estrangeiro? Então ele lhe disse: Levante-se e vá; a sua fé o salvou .” Lucas 17: 11 a 19.

Quando Deus nos depara com o impossível




Jon Bloom

Deus não se contenta que apenas entendamos a ideia de que nada é impossível para o Senhor (Jeremias 32:17). Ele deseja que nós tenhamos a maravilhosa alegria de experimentar esta realidade. Mas o período, por vezes angustiante, entre sua promessa e sua provisão, pode nos levar para além da fronteira do que pensamos que podemos acreditar, assim como Ele fez com Abraão e Sara.
[Esta conversa imaginativa ocorre pouco depois de Gênesis 17:22]

Abrão adentrou a tenda, com seus olhos ao chão e sua mente vagando a quilômetros de distância. Respirava ofegante. Sarai estava consertando um manto.  Ela o observava enquanto ele caminhava de um lado para o outro da tenda. Até que ele caiu sobre as almofadas suspirando.

“O Senhor falou com você de novo, não foi?”

Houve uma pausa.

“Sim.”

Costumava levar um tempo para que Abrão pudesse falar sobre esses encontros, então Sarai levantou para perto sua costura para que pudesse ver melhor. Outra lembrança do seu corpo envelhecido. Mas agora suas mãos estavam tremendo. Abaixou-as, então, de volta ao seu colo.

“O que o Senhor falou?”

“Ismael!” O nome atravessou Sarai como uma flecha. Ela então olhou pela aba da tenda e viu Agar entregar a seu filho suprimentos para carregar ao fogo para cozinhar. O menino tinha treze anos e começava a aparentar já como um homem. Ele era o deleite de seu pai, carne de sua carne. Mas não o deleite dela. O Senhor tinha prometido a Abrão uma descendência. Mas isto era uma profunda e desconcertante tristeza, pois Ele o tinha dado por Agar, sua própria criada. E tinha sido sua própria ideia.

“Sara”

Ela olhou para Abrão. Como ele acabara de lhe chamar?

“Sim, eu lhe chamei de Sara. O Senhor mudou seu nome.”

O Senhor falou dela? Seu coração acelerou como se fosse sair pela boca, repleto de esperança.

Primavera de Sara está agradando o público jovem nos blogs de Literatura

Aprendi com a primavera a me deixar podar e voltar sempre inteira, e mais forte



 Wilma Rejane


O livro  será lançado em Julho e diante da divulgação feita pela editora Dracaena/Oxigênio junto aos blogs de literatura, o público jovem já demonstra boa receptividade ao livro Primavera de Sara. Estive visitando alguns desses blogs e me surpreendi com os comentários.



O segredo de José

O segredo de José só não é mais simples porque a dificuldade está em colocá-lo em prática


Wallace Sousa


Inegavelmente, a história de José – aliás, o livro de Gênesis é um dos mais ricos e belos da Bíblia – é um primor de literatura, e sua história ainda hoje rende pregações inflamadas e hinos inspirados. Não é à toa, se você prestar atenção nas ricas experiências pelas quais José passou e as lições que aprendeu.

José, um exemplo de servo de Deus, dotado de rara inteligência e sabedoria, era o que se podia chamar hoje de “visionário” (sonhador), alguém que enxergava o futuro (profeta) e que sabia administrar como ninguém, mas, sua principal característica era a fidelidade a Deus em meio às maiores provações. Ele foi alvo da inveja homicida de seus meio-irmãos, jogado no fundo do poço e tirado de lá para ser vendido como escravo… tudo por causa do amor e admiração que seu pai lhe nutria e dos sonhos que tinha.

Com tantas qualidades, tanto como homem público como homem imerso em sua vida pessoal, torna-se até difícil eleger a principal virtude de uma personagem tão marcante das Escrituras. Todavia, à guisa de opiniões divergentes, julgamos que a principal razão dele ter sido alguém que não apenas teve seu lugar marcado na História, como foi um protagonista de sua própria história, quando tudo conspirava para que ele fosse um mero coadjuvante por onde passava, era seu carácter irrepreensível e sua convicção em permanecer fiel a Deus onde quer que fosse ou o que fizesse, fosse na casa de seu senhor, fosse na casa de sua servidão, mandando ou sendo mandado.

Hoje em dia, é difícil achar alguém como José, com a qualidade de saber ser servo e, após exaltado, não querer se exaltar e fazer justiça com as próprias mãos. Pessoas com inteligência e competência administrativa como ele até que não faltam, mas com a sua humildade e desprendimento são raras. Ainda mais levando-se em conta a massiva propaganda triunfalista pregação da prosperidade que assola nossos púlpitos hoje, como verdadeira praga, transcendendo as fronteiras denominacionais e geográficas.

Um abraço constrangedor - II Cor 5:14





Wilma Rejane

Pelos vales e copas das amoreiras, Israel venceu a guerra com uma estratégia liderada por Rei Davi sob orientação de Deus. Cercados por todos os lados os filisteus foram constrangidos a se entregar. Essa batalha está descrita no livro de I Crônicas 14: 14-17. Um exército de homens constrangidos, sem qualquer saída. É com esse sentido que apóstolo Paulo escreve a carta de amor e fé aos irmãos de Coríntios: “ Pois o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram.” II Cor 5:14

Constrange: Do idioma grego sunecho (Strong 4912) de sun “junto, seguro, firme, sem saída”

O amor de Cristo nos cerca,  segura firme,  completa de tal forma que não deixa espaço para amor maior ou mesmo igual ao Dele. É um abraço, e o mais seguro e firme  que existe. Paulo foi alguém abraçado por Cristo e constrangido a servi-Lo, porque Nele se completou.

No constrangedor verso de Paulo, encontramos um outro cerco: o da morte. É estranho pensar em um chamado à morte, essa é uma verdade que tem sido evitada quando se fala em Salvação. Porque vivemos um tempo em que Evangelho se tornou sinônimo de  prosperidade, riquezas e nada de sofrimento. Mas o abraço de Deus para nós, é banhado de sangue, a custo de cravos, espinhos e espancamento. De um amor tão indecifrável que a morte não pôde matar, antes foi vencida!

Esse constranger, é o mesmo que fez Pedro se perguntar: “Senhor, para onde iremos nós, se somente Tú tens as Palavras de vida eterna?” João 6: 68. Não há outra saída,  modo, abraço melhor que o Teu! É o mesmo que disse ao profeta Jeremias: “ Desce a casa do oleiro e lá falarei contigo” Jeremias 18:2. Suporta as aflições Jeremias, Eu Sou o que te moldo através delas, na tua humilhação ouvirás minha voz, estarei sempre contigo, oh glória!

No passo do boi e do Salmo 40





João Cruzué

No passo do boi. Ouvi esta frase, muitas vezes, da boca de um pastor nosso que já está com o Senhor, desde 2001. Ele era da geração dos antigos pastores que se gastavam em oração pelas madrugadas orando por "A" ou por "B", de acordo com a voz do Espírito.

Pr. Luiz Vicente, mas conhecido por Luiz Branco, era filho de portugueses. Portugueses evangélicos, coisa rara de se ver. Nas reuniões de obreiros, do Setor Seis, uma vez por mês , domingo pela manhã, foram uma das melhores oportunidades que tivemos para estar ouvindo aquele homem de Deus. Ele costumava dizer que "nem sempre tinha pão no balcão da padaria" ao referir-se à falta de mensagem que poderia acontecer na rotina de um pastor em suas lides.

Mas não me lembro de ter faltado "pão" nos ensinos do Pr. Luiz.

Antes de ir ao assunto do "passo do boi" seria muito razoável que registrasse um testemunho que ele contava sobre uma experiência de oração do seu pai, crente português. Contava o Pr. Luiz que sua mãe estava morrendo de câncer no intestino. E que o pai ao ver o médico pressionando o ventre da esposa para eliminar muito pus, se indignou e tomou uma firme atitude .

O velho português desceu ao porão de sua casa e passou a manhã inteira orando. Quando acabou-lhe a voz, atravessou a tarde gemendo. A esposa não morreu. Só tempos bem mais tarde, porque do câncer ela foi curada na força de uma atitude de oração.

Este testemunho sempre nos comoveu, pois ele me diz que muitas coisas deixam de acontecer em nosso redor por falta de uma atitude firme.