A Páscoa cristã e a páscoa pagã




Wilma Rejane

O que é páscoa? A palavra  vem do hebraico pesah, traduzida para o grego "páscoa",  significando passagem. Na Bíblia,a primeira citação sobre  Páscoa se encontra no livro de Êxodo 12:11: "Esta é a páscoa do Senhor". A comemoração acontece por ocasião da libertação dos israelitas escravizados no Egito. Uma passagem da vida de escravidão para libertação. Um evento marcado com sangue de cordeiro espargido sob as portas dos libertos, já apontando para o sangue definitivo de Cristo Jesus que seria derramado para libertar pecadores. Páscoa, portanto, é sempre passagem. Uma passagem que ocorre por via miraculosa, um caminho que somente Deus pode prover. Foi abrindo o mar vermelho que os israelitas, enfim, conseguiram se distanciar de modo implacável dos perseguidores egípcios. Através da ressurreição de Cristo, se tornou possível a ressurreição do espírito, a morte do velho homem e o renascimento do novo, também a sua ressurreição para uma vida eterna com Deus.

A Páscoa Bíblica ocorre na Primavera, na estação do renascimento, dos renovos e das colheitas. Um período estrategicamente escolhido por Deus, como a nos dizer que sempre haverá uma "passagem" por onde tudo se refaz, abundantemente. O simbolismo da Primavera com a Páscoa é simplesmente feliz! Deus é Aquele que conduz as estações do tempo terreno e que de modo peculiar e miraculoso preparou passagem para nova vida!

Se Páscoa é tudo que falamos até aqui, que ligação há entre essa comemoração, ovos de chocolate e coelhinhos?

Sofrimento e restauração de Jó



Wallace Sousa


    “Mas ele sabe o meu caminho; prova-me e sairei como o ouro” (Jó 23.10).

Estou certo, que neste mundo sempre passaremos por momentos em que as pressões da vida presente nos levarão ao quase desespero, objetivando trazer-nos desconfiança quanto às promessas de Deus para nossas vidas. Quando passamos por intempéries e adversidades, nos parece que a simples ou plena convicção que temos de pertencer a Deus se torna um tanto irrelevante. Sabe-se, porém, que quando Deus nos leva a passar por provas, objetiva nos instruir e treinar.

Os acontecimentos narrados no livro de Jó se passam nos dias dos patriarcas, sendo, Jó, realmente uma pessoa. O profeta Ezequiel faz menção dele em seu livro. Veja o texto:

“Ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles, pela sua justiça, livrariam apenas a sua alma, diz o Senhor Jeová” (14.14).

O texto trata sobre o sofrimento do justo. Sempre vamos indagar: “Porque tanta gente boa sofre?” Porque tanta catástrofe, injustiça social, corrupção, desastres? É claro que o objetivo desta reflexão não é tratar especificamente do tema do livro, mas traçar pormenores sobre as provações que passou Jó, e que também passamos no dia a dia bem como seus propósitos.
Provações, elas sempre têm um propósito.

Jó era um patriarca da terra de Uz. Seu nome  significa “voltando sempre para Deus”. O texto sagrado cita quem era Jó:

“E este era homem sincero, reto e temente a Deus; e desviava-se do mal. E nasceram-lhe sete filhos e três filhas. E era o seu gado sete mil ovelhas, e três mil camelos, e quinhentas juntas de boi, e quinhentas jumentas; era também muitíssima a gente a seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do Oriente” (Jó 1.2,3).

Vivendo bem com Deus o próximo e sua família, Jó é surpreendido repentinamente com uma série de grandes calamidades que desabam sobre sua vida e de sua família. Destituído de tudo quanto tem inclusive de seus filhos e sua saúde Jó fica totalmente desorientado, pois não sabia que estava envolvido a fundo num conflito entre Deus e Satanás. Diante de investidas tão desastrosas uma angústia profunda acerca-se da alma de Jó.


A jovialidade do idoso X a sabedoria dos jovens



Wilma Rejane


- Professor, o que o senhor quer dizer com “jovializar o idoso”?

Debatíamos a complexidade dos comportamentos sociais, o apelo da mídia em relação ao jovem e a raridade  de publicidades voltadas para o idoso. Aula de epistemologia no curso de Ciências Sociais em universidade publica que estou cursando. Insisti em perguntar porque percebi certa ironia do professor em relação ao estilo de vida de alguns idosos. A resposta me causou também surpresa,pois, percebi, que  apesar de avançarmos em muitos aspectos como o tecnológico, científico e etc, ainda há certa vertigem social quanto ao relacionamento juventude X idosos.

- Jovializar o idoso é quando, apesar da idade já avançada, o idoso quer ter uma vida sexualmente ativa, quer usar roupas feitas apenas para jovens, quer estar entre os jovens e enfim, ele não se conforma com a idade que tem, quer sempre parecer mais jovem (respondeu o professor).

- Então, o senhor está afirmando que o idoso tem a obrigação de se sentir velho e imprestável? (replicou meu colega de turma por nome Giordano)

- Não. Mas digo que existe um padrão de comportamento que é próprio dos idosos e que deveria ser usual, natural.

Essa aula provocou em mim certa inquietação sobre o tratamento que a sociedade de modo geral destina aos idosos.  Será que essa jovialidade do idoso foi exemplarmente descrita por meu professor? Será que a jovialidade do idoso não estaria relacionada a uma busca por melhor qualidade de vida? Não estaria relacionada a um modo de ser que se nega a ser esquecido, ignorado? A um estado de espírito?

Penso que há algo de errado com uma sociedade que não valoriza o idoso e relega a ele o papel de peça de museu empoeirada e enferrujada. Claro, nosso senso comum, acende o "sinal de alerta" quando se depara com uma senhora idosa de mini saia, porém, não é sobre a concretização do ridículo que falo. É sobre a possibilidade do idoso ser realmente jovial, produtivo e saudável, sem ser ridículo ou estigmatizado.


A pressa e o ativismo como inimigos da adoração




João Cruzué

Dias atrás,  eu desci à sala para orar. Ali, eu pedi ao Senhor que falasse comigo, ao abrir a Bíblia antes da oração. E como sempre costuma de fazer: vim para compartilhar com você. Pela primeira vez percebi um há bastante harmonia entre os fatos passados na casa de Marta e Maria e a parábola do bom samaritano.

-Senhor fala comigo pela sua Palavra, eu pedi. Sabe, há dias em que temos mais necessidade de orar que outros, e esta semana tem sido bem difícil, pois vários são os motivos para bater, para buscar e pedir recurso onde se pode achar.

Meu antigo companheiro, auxiliar dos meus tempos de "pastor" está fazendo quimioterapia. A esposa de outro amigo de muitos anos, também colega de ministério, jaz em um leito de UTI, há três meses. Seu cérebro foi muitíssimo danificado com três paradas cardíacas.

Isso ainda não é tudo.

Um antigo Pastor, dos meus tempos de jovem, está há mais de 12 anos em uma cadeira de rodas, deprimido. Não mais lê, deixou a fisioterapia, disse-me que apenas fecha os olhos e ora constantemente. Depois de ter sofrido um derrame, teima que só voltará à Igreja depois de curado e de uma forma maravilhosa. E já se passaram mais de 12 anos. Como pode notar, eu não conseguiria mesmo estar com a minha alma tranquila diante dessas coisas tristes.

Ao abrir a Bíblia pude ler a página inteira do final do capítulo 10 de Lucas. Primeiro o texto de Marta e Maria, continuando na parábola do bom samaritano. São palavras muito conhecidas, mas que ontem se fizeram novas para mim.

Observem as aves do céu




Wilma Rejane

"Observem as aves do céu: não semeiam nem colhem nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas?" Mateus 6:26

São cinco e meia da manhã e como de costume, pássaros em bandos cantam e saltitam nas árvores do quintal e do jardim. Eles bicam acerolas e goiabas. Brincam entre si, voam alto como quem se despede e depois retornam festejando não apenas a alegria de encontrar comida ao ar livre, mas o raiar de mais um dia que os saúda com provisão. Olho para eles e percebo a beleza do louvor. Por mais longa e escura que tenha sido a noite, por mais que perigos e açoites os assombre, e eles indefesos se recolham em algum abrigo, todas as manhãs, lá estão cantando e louvando a criação.

Cantai ao Senhor com ações de graças; entoai louvores, ao som da harpa, ao nosso Deus, que cobre de nuvens os céus, prepara a chuva para a terra, faz brotar nos montes a erva e dá o alimento aos animais e aos filhos dos corvos, quando clamam. Salmo 147:7-9

Corvos clamam  por comida e são ouvidos, pássaros cantam porque Deus não os abandona, e homens acordam ansiosos pensando: "e o dia de hoje, como será?". A Palavra diz: louvem a Deus porque se Ele cuida das pequeninas aves, que cabem na palma de vossas mãos,não cuidaria também de vós?

Lembro-me de Elias,deprimido e solitário, à beira de um riacho, e eis que o Senhor, enviou um corvo para o alimentar: "Ele bebia água do riacho, e os corvos vinham trazer pão e carne todas as manhãs e todas as tardes. -1 Re 17.6" E o corvo era tido como animal imundo (Lv 11:15) porque era necrófago. Mas foi esse imundo que Deus usou para levar pão e carne ao profeta. Uma provisão vinda de modo inesperado... E quantas vezes o Senhor assim não faz conosco? E não se reconhece Sua voz, porque se está cheio de ansiedade, preocupações e incredulidade?


O ministério da caixa de bebês



Traduzido e compilado
Por Wilma Rejane
Fontes como links

Lee Jong-rak é um pastor coreano ( Coreia do Sul). Sua história de fé,  esperança e amor, comove a tal ponto que tem levado centenas de pessoas a converterem-se ao Evangelho de Cristo.

Ele criou uma caixa para bebês. Esta caixa fica anexada à sua igreja e tem por finalidade recolher bebês abandonados que são fisicamente ou mentalmente deficientes e indesejados por suas mães. O ministério de Lee começou de modo muito singular. Ele e sua esposa tiveram um filho deficiente, com função cerebral limitada. Seu bebê passou os primeiros 14 anos de vida em um hospital e Lee teve que vender seu mercado de alimentos, pegar dinheiro emprestado e assumir biscates para poder manter as despesas do hospital.

Durante os 14 anos em que acompanhou o filho, Lee visitava os quartos de outras crianças deficientes incentivando os pais a não desistirem delas. E as pessoas começaram a chamá-lo de pastor naturalmente.Posteriormente, Lee se matriculou em uma escola de teologia e se oficializou pastor.

Inicialmente ele não queria aceitar o fato de ter um filho com deficiência,  diz que perguntava a Deus: " Por que você me deu uma criança deficiente? Eu não sou grato por esse bebê". Mas, o amor de Lee por seu filho foi aumentando e levando-o para mais perto de Deus.

É incrível, pois, o motivo da grande decepção de Lee, acabou por se tornar sua causa de amor que iria salvar muitas pessoas. Pastor Lee registrou seu filho deficiente sob o nome de Eun-man que significa "cheio da graça de Deus". Eun-man atualmente se encontra em casa, com a família. Passa a maior parte do tempo em uma cama, ocasionalmente solta um ronco ou suspiro e sua saliva é sugada através de um buraco traqueal em sua garganta.

O moinho de Jairo



Wilma Rejane


Medo  é  impotência humana diante de situações, é  ansiedade, insegurança. O medo nos torna pequenos, acuados, diante de gigantes. Mas esses gigantes nem sempre são reais, podem ser minúsculos como grãos que cabem nas palmas de nossas mãos ou embaixo de nossos pés, porque podem ser abatidos, removidos por meio da fé. Pensamos ser o medo próprio dos covardes, contudo, todos nós sentimos medo em determinados momentos e a coragem consiste não na ausência desse sentimento, mas na superação do medo.

Há ainda segredos reservados ao medo, ele tem suas faces escuras e talvez por isso carregue singularidades a serem desvendadas. Por exemplo: medo é cruel, raiz-de-fel, mas pode ser mel. É mel em seu lado bom, pois ter medo em certas ocasiões protege. O medo de cair em um abismo faz com que fiquemos bem longe dele. Medo de subir em um alto muro, evita a queda. Medo de ser atropelado mantêm a cautela ao atravessar uma rua movimentada.

Em várias situações na Bíblia, Jesus confortou pessoas atemorizadas  dizendo “Não temas”. Uma dessas pessoas chamava-se Jairo, judeu fervoroso e que estava com um “probleminha”: sua única filha de doze anos havia morrido. O velório estava em curso, sua casa estava repleta de pessoas lamentando, chorando, e Jairo então, naquele ambiente tão aterrorizante e triste, ouve falar de Jesus e saí em Sua procura.

Pensemos: Naquelas circunstâncias, Jairo deveria estar apavorado, com fobia, aterrorizado pelo medo de perder sua filha. O dicionário grego do Novo testamento  define medo como: Phobos  = fuga, terror, pavor, fobia. ( Strong 5401)

Um fato curioso a respeito do medo é que se ele é capaz de paralisar alguém deixando-o sem ação, ânimo, é também capaz de provocar mudança de atitude . Jairo havia chegado ao limite, a uma situação extrema que parecia não haver saída, mas ele se moveu e na direção certa. É tão memorável olhar para a atitude desse pai, temos tantas coisas para aprender com ele.

"E eis que chegou um homem de nome Jairo, que era príncipe da sinagoga; e, prostrando-se aos pés de Jesus, rogava-lhe que entrasse em sua casa; Porque tinha uma filha única, quase de doze anos, que estava à morte. E indo ele, apertava-o a multidão." Lucas 8:41-42

Mulheres da Bíblia em Cordel



Mulher Virtuosa, Quem a Achará?





Wilma Rejane

“Mulher virtuosa, quem a achará?” PV 31:10

Essa mulher é descrita através de um poema no livro de Provérbios. Cada estrofe tem inicio com uma letra do alfabeto hebraico, ao todo 22 letras, as mesmas dadas por Deus a Israel por ocasião do Tora. No acróstico é  atribuída a mulher,  personalidade sublime, Divina, virtuosa.


Virtuosa é uma tradução do “chavil” em hebraico (ou Havil) de acordo com o Wordbook Teológico, “chavil” no Antigo Testamento é usado para denotar: força, poder, em uma variedade de maneiras. Força de Deus (Sl 59:11) e força Física (Ec 10:10). Essa palavra foi usada pela primeira vez no Antigo Testamento para descrever Rute: “Agora, pois, minha filha, não temas; tudo quanto disseste te farei, pois toda a cidade de meu povo sabe que és mulher virtuosa”. A Septuaginta traduz o hebraico "Chavil" de Ruth 3:11, como "dunamis" que significa "poder".

É interessante notar que essa mulher virtuosa, um misto de dona de casa, esposa, e serva de Deus, tem origem no relacionamento com seu par. Ela tem força própria, identidade marcante, porém não seria virtuosa sem o relacionar-se com Deus e com o seu marido. Boaz elegeu a Rute como parceira por ter percebido nela uma companheira que o completava: cheia de força para o trabalho, para a vida, e de conselhos - por ser tão ligada ao Deus de Israel.