Wilma Rejane
A
condição para a realização do milagre é a impossibilidade, certo? Por
esta causa é que usamos a palavra milagre, indicando o extraordinário,
impossível, fantástico! Se não é natural, é milagroso, sobrenatural!
Tomás de Aquino criou um conceito clássico para a palavra milagre: " É algo superior, diferente ou contrário à natureza. "Supra, praeter vei contra naturam". Em latim, temos ainda outra definição para milagre: "miraculum", cujo radical é "miror" e pode ser traduzido por prodígio, maravilha, fato estupendo ou extraordinário.
Na
civilização grega existiu muita confusão quanto ao significado real da
palavra milagre. Com uma infinidade de deuses e símbolos pagãos, os
gregos consideravam milagre o espanto diante do inexplicável. O
surgimento da Filosofia com Tales de Mileto, buscando desvendar a
origem do universo através da natureza ficou conhecido como "milagre grego".
Fechavam-se as cortinas do espetáculo sob o mitológico para estreia do
novo que procurava compreender a magnitude da criação através da razão.
Tales de Mileto acreditava que a água era o "dynamis", o poder criador do mundo. Após ele vieram outras teorias atribuindo o dynamis
ao ar, a terra, ao átomo, e etc. Tudo porém, carecia de provas reais e
convincentes que nem sempre foram possíveis. A razão parecia ainda
insuficiente para explicar a plenitude das coisas criadas que
ultrapassam o mundo visível. A ciência evolui através dos séculos:
Física, química, matemática, biologia...uma conspiração extraordinária
de valores que nos proporciona entender melhor a vida em todos os seus
aspectos. As perguntas sobre o "dynamis", contudo persistem e
entre vida e morte o misterioso sobrevive em interrogações. O milagre
grego tem seu valor, afinal o homem, através da ciência, já despertava
para o conhecimento de Deus.








