Uma fé extraordinária!

 

Wallace Sousa

Por isso, nem me considerei digno de ir ao teu encontro. Mas dize uma palavra, e o meu servo será curado. Pois eu também sou homem sujeito a autoridade, e com soldados sob o meu comando. Digo a um: ‘Vá’, e ele vai; e a outro: ‘Venha’, e ele vem. Digo a meu servo: ‘Faça isto’, e ele faz”. Lucas 7:7-8

A história do centurião de Cafarnaum é bastante conhecida, não apenas no meio evangélico, mas em todo o mundo, cristão ou não. Por uma boa razão: é um exemplo de fé e como ela deve ser praticada. A história nos desafia a exercer um tipo de fé que, até aquela data, ainda não tinha parâmetro de comparação, visto que Jesus mesmo disse “que ainda não havia visto fé como aquela”. Um tipo especial de fé que nos desafia hoje, mesmo passados dois milênios.

Assim, peço que me acompanhe nessa agradável caminhada na qual vamos tentar abordar o que esse anônimo famoso tem a nos ensinar sobre fé, amizade, confiança, humildade e autoconhecimento. Vem comigo!

1. Ele se preocupava com quem lhe era sujeito

Infelizmente, hoje isso é raro: pessoas em elevada posição que se preocupam com quem está abaixo de si. É muito triste ver pessoas investidas de poder utilizando dessa autoridade para pisar e humilhar os mais humildes e menos favorecidos.

Caso você seja ou venha a se tornar alguém de elevada posição, seja social, profissional, eclesiástica ou política, aprenda com o centurião de Cafarnaum a dar mais atenção a quem lhe serve. Fazendo assim, essa pessoa continuará a lhe servir cada vez mais e por mais tempo ainda.

2. Ele não era orgulhoso de sua posição social

Outra mazela da atualidade: pessoas que gostam de mostrar sua posição acima dos outros. É o caso clássico do “você sabe com quem está falando?” na prática, a famosa “carteirada”.

Isso deveria ser um caso de vergonha nacional mas, infelizmente, é um indício de vício cultural. Um vício contaminante, por sinal. Nossa sociedade apresenta sinais claros de que está enferma, e esse é um desses evidentes sintomas. O centurião nos ensina, através de seu exemplo, a não deixar seu caráter ser contaminado com sua posição.

3. Ele sabia diferenciar poder de autoridade

Apesar de ser bastante fácil de definir o que é autoridade e o que é poder, tornando ainda mais fácil distinguir um do outro, esse ainda é um erro banal e muito repetido, inclusive no meio eclesiástico. A melhor forma de demonstrar o que é um e outro é pelo exemplo, e esta será a forma que tomaremos de empréstimo para tal.

Pense em um guarda de trânsito, fardado e de apito na mão. Ele vê um pedestre querendo atravessar a faixa, mas os carros não lhe dão a vez, então ele se posiciona, aponta para os carros em movimento e faz soar seu apito em alto e bom som.

O que acontece? Os carros param: carros pequenos, motos, carros maiores e até mesmo caminhões e ônibus cheios. Por que param? Porque ele tem autoridade e os motoristas a respeitam.

Mas, o guarda tem poder para parar os carros? Não.

Entendeu a diferença entre autoridade e poder? O centurião tinha autoridade do império romano para dar ordens e manter a ordem, mas não tinha poder.

Nunca se esqueça disso: autoridade é outorgada e revogada; assim como você um dia recebeu, pode perder. Mas, poder não se outorga e não se perde, ou você acha possível que Deus perca Seu poder?

O restante de Gaza

 

Wilma Rejane

O território de Gaza é um trecho de 25 milhas de terra costeira, com litoral de 40 quilômetros de extensão. Antes dos quinze meses de guerra, iniciado em sete de outubro de 2023, e encerrado politicamente em dezenove de Janeiro de 2025, Gaza possuía uma população aproximada de 2,23 milhões de moradores. Atualmente, 80% da população de Gaza está deslocada e cerca de 1% foi morta durante os conflitos.


A primeira citação bíblica referente à Gaza, encontra-se em Gênesis 10:19,  descrita como uma fronteira externa de Canãa. Importante é destacar que desde a primeira citação, Gaza era considerada parte dos limites de Israel. A inclusão de Gaza como herança territorial dada aos israelitas, pode ser conferida no livro de Josué, capítulo 15, versos 20 e 47. Contudo, o território nunca foi capturado totalmente pelos israelitas, ficando em posse de remanescentes filisteus, inclusive sob o longo período de governo do rei Davi e de seu filho Salomão, I Reis capítulo 5, versos 4 e 5. Até os dias atuais, a presença israelita, nunca foi maioria em Gaza.


Como os filisteus passaram a ser chamados de palestinos? Na época em que Ramsés III governou o Egito,  em meados do século XII a.C., um grupo entre os Povos do Mar, na região de Gaza,  era chamado de Peleset. Os estudiosos aceitam amplamente que os Peleset são os filisteus. Os dois nomes são uma correspondência linguística, e os Peleset parecem ter vindo do Egeu, combinando com a alegação da Bíblia sobre a origem dos filisteus.


As imagens de Gaza destruída e deserta, após os atuais conflitos, têm ocupado as manchetes em todo o mundo, tornando o território desnudo e conhecido em maior escala. As atuais decisões do governo americano por ocupar Gaza, também têm gerado debates e especulações sobre o território e seus habitantes. Diante dessa realidade, para os observadores das profecias, é crucial se debruçar sobre os textos bíblicos, conferindo os tempos e as palavras dos profetas com o desenrolar da história.


A destruição de Gaza foi predita por quatro dos profetas: Amós (1:6 e 8); Sofonias ( 2:1-7); Jeremias (25: 15-20, 27,29) e Zacarias (9:5). O fato de Gaza ser citada no decorrer dos textos bíblicos, de diferentes épocas, aponta para um envolvimento decisivo entre Gaza e Israel na crescente mundial. Dentre as profecias, a mais rebuscada atualmente tem sido a de Sofonias, pela precisão com que descreve o cenário da Gaza atual e é nesse trecho que pretendo abordar, evidenciando um detalhe da profecia que, apesar de popularizada, tem sido em parte negligenciada: 


Porque Gaza será desamparada, e Ascalom assolada; Asdode ao meio-dia será expelida, e Ecrom será desarraigada. Ai dos habitantes da costa do mar, a nação dos quereteus! A palavra do Senhor será contra vós, ó Canaã, terra dos filisteus; e eu vos destruirei, até que não haja morador. E a costa do mar será de pastos e cabanas para os pastores, e currais para os rebanhos. E será a costa para o restante da casa de Judá; ali apascentarão os seus rebanhos; de tarde se deitarão nas casas de Ascalom; porque o Senhor seu Deus os visitará, e os fará tornar do seu cativeiro. Sofonias 2: 1 à 7

Os invernos da vida e o último inverno de Jesus em Jerusalém




Wilma Rejane

E em Jerusalém, havia a festa da Dedicação do templo, e era inverno. João 10:22

Era inverno e Jesus caminhou alguns minutos em direção ao templo de Jerusalém para participar da Festa da Dedicação. Aquele era um dia especial para a nação que por oito dias seguidos celebraria a dedicação de um importante templo. As paredes (externas e internas) e toda a estrutura havia sido restaurada no período de Zorobabel. A festa  era tradição desde 163 a.C. Um rei pagão sírio, chamado Antíoco Epífanes, havia profanado o lugar, causando grande revolta e tristeza aos judeus. E naquele inverno, havia júbilo no ambiente e na nação que solidária se unia celebrando a restauração não apenas de um lugar, mas de uma cultura e de um povo. Jesus estava lá, passeando nos cômodos, observando os detalhes e as pessoas. Era seu último inverno, depois viria a Páscoa e primavera e sua crucificação. Jesus, era o Novo e Eterno Templo que seria derrubado e edificado ao terceiro dia (João 2:29) Sua ressurreição era o inicio de um tempo e lugar mais espetacular do que aquele festejado no inverno, no último inverno de sua vida.

"Jesus passeava no templo, no pórtico de Salomão João 10:23

E quando perceberam a presença de Jesus, se aproximaram dele de uma forma hostil, interrogando-o sobre Sua identidade como não crendo que Ele era de fato o Messias. Meditei sobre essa passagem e relacionei-a ao comportamento de muitos homens (não descartando a possibilidade de me incluir no exemplo); Jesus era maior que aquele templo de pedras, tão festejado. Contudo, os homens ali presentes o ignoravam e menosprezavam. Viravam as costas para Jesus e voltavam o olhar e a atenção para o monumento. Isso parece tão vazio e sem sentido, quanto invernos sem chuvas ou ventos. Tão terrível, quanto frio sem cobertor e sem teto. Jesus caminhou no inverno, para aquecer os corações gélidos e cansados, mas esses corações não o quiseram, preferiram o acolhimento das pedras que formavam aquele abrigo passageiro.

Uma revisão sobre a figura do Anticristo no cenário mundial

 

O Anticristo será chamado dessa forma, porquê será contrário a Cristo em todas as coisas. Cristo veio como um homem humilde; ele virá como um orgulhoso. Cristo veio para elevar os humildes, para justificar os pecadores; ele, por outro lado, expulsará os humildes, magnificará os pecadores, exaltará os ímpios. Ele sempre exaltará os vícios opostos às virtudes, expulsará a lei evangélica, reviverá a adoração de demônios no mundo, buscará sua própria glória (João 7:18) e se chamará Deus Todo-Poderoso. O Anticristo tem muitos ministros de sua malícia. Muitos deles já existiram, como Antíoco, Nero e Domiciano. Mesmo agora, em nosso tempo, sabemos que há muitos anticristos, pois qualquer um, leigo, clérigo ou monge, que vive contrariamente à justiça e ataca as regras de seu modo de vida e blasfema contra o que é bom (Romanos 14:16) é um anticristo, o ministro de Satanás.


Vejamos sobre a origem do Anticristo. O que eu digo não é pensado ou inventado por mim mesmo, mas na minha leitura atenta encontro tudo escrito em livros. Como nossos autores dizem, o Anticristo nascerá do povo judeu, isto é, da tribo de Dã, como diz o Profeta: "Que Dã seja uma serpente à beira do caminho, uma víbora no caminho." Ele se sentará à beira do caminho como uma serpente e estará no caminho para ferir aqueles que andam nos caminhos da justiça (Sl 22:3) e matá-los com o veneno de sua maldade. Ele nascerá da união de uma mãe e um pai, como outros homens, não, como alguns dizem, de uma virgem sozinha. Ainda assim, ele será concebido totalmente em pecado (Sl 50:7), será gerado em pecado e nascerá em pecado (João 9:34). No início de sua concepção, o diabo entrará no ventre de sua mãe no mesmo momento. 


O poder do diabo o nutrirá e protegerá no ventre de sua mãe e sempre estará com ele. Assim como o Espírito Santo entrou na mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo e a cobriu com seu poder e a encheu de divindade para que ela concebesse do Espírito Santo e o que nasceu dela fosse divino e santo (Lucas 1:35), assim também o diabo descerá para a mãe do Anticristo, a preencherá completamente, a envolverá completamente, a dominará completamente, a possuirá completamente por dentro e por fora, para que com a cooperação do diabo ela conceba por meio de um homem e o que nascerá dela será totalmente perverso, totalmente maligno, totalmente perdido. Por esta razão, o homem é chamado de "Filho da Perdição" (2 Tessalonicenses 2:3), porque ele destruirá a raça humana até onde puder e ele próprio será destruído no último dia.


Vocês ouviram como ele deve nascer; agora ouçam o lugar onde ele nascerá. Assim como Nosso Senhor e Redentor previu Belém para si mesmo como o lugar para assumir a humanidade e nascer para nós, assim também o diabo conhecia um lugar adequado para aquele homem perdido que é chamado Anticristo, um lugar de onde a raiz de todo o mal (1 Timóteo 6:10) deveria vir, a saber, a cidade da Babilônia. O Anticristo nascerá naquela cidade, que já foi um centro pagão celebrado e glorioso e a capital do Império Persa. Diz que ele será criado e protegido nas cidades de Betsaida e Corozain, as cidades que o Senhor reprova no Evangelho quando diz: "Ai de ti, Betsaida, ai de ti Corozain!" (Mt 11.21). 


O Anticristo terá mágicos, encantadores, adivinhos e feiticeiros que, a mando do diabo, o criarão e o instruirão em todo mal, erro e arte perversa. Espíritos malignos serão seus líderes, seus associados constantes e companheiros inseparáveis. Então ele virá a Jerusalém e com várias torturas matará todos os cristãos que não puder converter à sua causa. Ele erguerá seu trono no Templo Sagrado, pois o Templo que Salomão construiu para Deus que havia sido destruído ele levantará ao seu estado anterior. Ele se circuncidará e fingirá ser filho do Deus Todo-Poderoso.


Ele primeiro converterá reis e príncipes à sua causa, e então, por meio deles, o resto dos povos. Ele atacará os lugares onde o Senhor Cristo andou e destruirá o que o Senhor tornou famoso. Então, ele enviará mensageiros e seus pregadores por todo o mundo. Sua pregação e poder se estenderão "de mar a mar, de leste a oeste" (Sl. 71:8), de norte a sul. Ele também fará muitos sinais, grandes e inauditos prodígios (Ap. 13:13). Ele fará descer fogo do céu de uma forma aterrorizante, as árvores florescerão e murcharão de repente, o mar se tornará tempestuoso e inesperadamente calmo. 


Ele fará os elementos mudarem para formas diferentes, desviará a ordem e o fluxo dos corpos d'água, perturbará o ar com ventos e todos os tipos de comoções e realizará inúmeros outros atos maravilhosos. Ele ressuscitará os mortos "à vista dos homens, para enganar, se possível, até os eleitos" (Mateus. 24:24). Pois quando virem grandes sinais dessa natureza, até mesmo aqueles que são perfeitos e escolhidos de Deus duvidarão se ele é ou não o Cristo que, segundo as escrituras, virá no fim do mundo.


Ele despertará perseguição universal contra os cristãos e todos os eleitos. Ele se levantará contra os fiéis de três maneiras, isto é, pelo terror, pelos presentes e pelos prodígios. Para aqueles que acreditam nele, ele dará muito ouro e prata. Aqueles que ele não for capaz de corromper com presentes, ele vencerá com terror; aqueles que ele não puder vencer com terror, ele tentará seduzir com sinais e prodígios.

Deus conta nossas lágrimas


 

Josh Powell

"... põe as minhas lágrimas no teu odre. Não estão todas elas no seu livro?." Salmos 56:8

Não há uma gota d'água que tenha caído do seu olho que Deus não tenha visto. Nunca. Dos fardos que você sentiu quando tinha 3 anos, aos pesos da sua adolescência. As ansiedades da sua juventude, às complexidades da velhice. Cada fardo, momento doloroso e ansiedade que você enfrentou,  Deus está ciente.

Por que Deus se lembra das nossas lágrimas? Você já pensou sobre o motivo pelo qual choramos? Por que Deus criaria um ato físico para coincidir com nossos sentimentos emocionais? Um motivo pode ser o aspecto social que ele fornece. Pense em quão difícil é a dor quando você está sozinho nela. 

As lágrimas comunicam aos outros sua necessidade de apoio e amor. Então, de certa forma, o projeto de Deus para as lágrimas foi na verdade um projeto nascido de Seu cuidado por nós. Essas lágrimas simbolizam "Estou sofrendo" para aqueles próximos a nós. Se elas comunicam nossa dor para aqueles ao nosso redor, quanto mais para Deus?

O Salmo 56 nos ensina que Deus não descarta nossa dor. Não, Ele as registra, mantém registro. Pessoal. Íntimo. Cuidadoso. Este é quem é nosso Deus.

Por que Jesus amaldiçoou a figueira?

  

Wilma Rejane

Era manhã de segunda feira, inicio da semana em que ocorreu a paixão de Cristo. Jesus e os discípulos estavam saindo de Jerusalém em direção à cidade de Betânia, à beira do caminho e ao longe, podia se avistar uma frondosa e convidativa figueira. O evangelista Marcos sobre a árvore comenta: “A figueira não tinha senão folhas, porque não era tempo de figos” Marcos 11 : 13.

Figueiras são muito comuns na Palestina onde se pode encontrar pelo menos três espécies da planta.
- O figo precoce que amadurece no final de Junho;
-O figo de verão que amadurece em Agosto;
-O figo de inverno que é maior e mais escuro e também permanece na figueira por mais tempo, chegando a ser colhido, por vezes, na primavera.

Vale lembrar que na figueira, o que aparece primeiro são os frutos e depois as folhas. Portanto, em uma figueira com muitas folhas, seria normal encontrar frutos.  Jesus não encontra figos na frondosa árvore e a amaldiçoa, fazendo-a secar imediatamente. Ele poderia ter abençoado a figueira e fazê-la dar muitos frutos, mas por que escolheu o contrário? Isso é intrigante para muitos. 

O Mestre da vida havia ressuscitado  mortos, curado doentes, expulsado demônios e ensinado pacientemente a pecadores, por que não transformar a figueira de infrutífera para frutífera? É uma pergunta interessante para se fazer. Consequentemente a resposta nos seria ainda mais surpreendente se considerarmos alguns dos acontecimentos ocorridos naquele dia na vida de Jesus e dos discípulos.

Primeiramente, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, montado em um jumentinho, Ele é aclamado pela multidão como “filho de Davi, o que veio em Nome do Senhor” Mateus 11 : 9. Não obstante os corações cheios de fé, manifestando a chegada do Reino de Deus, estavam presentes ali os fariseus, revoltados, cheios de ódio e inveja pedindo silêncio para as crianças que louvavam a Jesus.

Depois desse acontecimento, Jesus se dirige ao templo e  expulsa os cambistas que faziam do local, ponto de comércio Mateus 21:13.

Depois disso, Jesus e os discípulos seguem em direção a Betânia. Sabem qual região está situada entre Jerusalém e Betânia?  O povoado de Betfagé. Muito provavelmente foi neste local que aconteceu a morte da figueira sem frutos. Betfagé significa  “casa dos figos”  um povoado repleto de figueiras! Mas uma delas chamava à atenção porque estava à beira do caminho e se mostrava promissora quanto aos frutos, apesar de não ser tempo de frutos. A cidade das figueiras foi onde Jesus parou para “saciar a fome” Mateus 21 :18, mas não encontrou um figo sequer.

Assim como o templo “casa de oração” havia se transformado em covil de salteadores em demonstração de hipocrisia religiosa, a “casa dos figos” também dava demonstração de hipocrisia, aparentando aquilo que não era.  Assim como o templo de Jerusalém simbolizava os rituais farisaicos que externavam vaidade e desamor, sem frutificar para matar a fome dos necessitados de espírito, a figueira igualmente passava essa mensagem.

Os 10 leprosos e a gratidão de cada dia

 

João Cruzué


Um dos mais lindos trechos da Bíblia é o da cura dos dez leprosos, em Lucas 17:11-18.  Dez pessoas que viviam excluídas da sociedade, vivendo longe da família por causa da praga da lepra. E naquele tempo, se uma pessoa contraísse lepra, tinha de morar fora dos muros ou na entrada da cidade. Naquele lugar não ia ninguém. Imagino que cada leproso arranjasse novos vínculos sociais entre outros mal-afortunados com a mesma lepra. E se não tivesse ninguém além dos muros, ficaria ali isolado, talvez conversasse sozinho. E viajando para Jerusalém, Jesus Cristo entrou em uma aldeia, creio, na divisa entre Samaria e a Galileia. O que aconteceu na entrada daquela  aldeia nos mostra três coisas que Deus se agrada quando  estão presentes na vida de um cristão.

E na ida até os sacerdotes, cada um dos dez leprosos foi curado. E apenas um parou, pensou e voltou para agradecer, antes de ir aos sacerdotes.  Os outros nove seguiram  diretamente à casa dos religiosos, pois não viam a hora de abraçar os familiares, os amigos,  beijar os filhos e entrar na própria casa.

A gratidão é uma atitude rara.

E como é difícil ser grato, fazer a vontade do Senhor. Difícil, porque nossa natureza humana não combina com as atitudes esperadas por Deus. Separados das famílias há tanto tempo, quem daqueles dez leprosos, ao ser curado, pensou que deveria voltar para agradecer pela bênção? Só um! Mas, tinha que voltar para agradecer? Não, isso não era obrigatório, a não ser se a pessoa tivesse uma consciência de senhorio de Jesus. O leproso agradecido não apenas voltou para dizer obrigado, mas por reconhecer que Jesus era maior que ele, maior que o sacerdote, e maior que os entes familiares. Se ele sabia ou não o que era a vontade de Deus para sua vida depois da cura, eu não sei, mas que ele fez a coisa certa, perante Deus, isto ele fez.

E Jesus se alegrou com aquela atitude; como também questionou o paradeiro dos noves recém-abençoados.  "Onde estão os outros nove?" ou em nosso linguajar pouco sutil - Onde está o resto?

O último dos Levitas

 

Wilma Rejane

Levitas eram os descendentes da tribo de Levi , uma das 12 tribos do antigo Israel. Quem nascia na tribo de Levi, era separado para o serviço no santuário, desempenhando uma variedade de funções como preparar os sacrifícios, lavar as mãos dos sacerdotes, fazer reparos nos equipamentos, ministrar música dentre outros. Havia três graus de hierarquia para servir no santuário: levitas, sacerdotes e sumo sacerdotes.

Os levitas de hoje já não são identificados com o sacerdócio como eram no Antigo Testamento, algumas famílias judaicas são descendentes de Levi, carregam sobrenomes como: Levy, Levi, Levine. Contudo, ter um desses sobrenomes, não garante ser um descendente de Levi, um dos 12 filhos de Jacó.  

Na época do reinado de Davi, os levitas desempenharam amplo ministério musical, gerando uma tradição que perdura até os dias atuais, de nomear cantores como Levitas, o que não procede, nem encontra apoio nas Escrituras, tanto do Antigo, como do Novo Testamento, pois, não era apenas o oficio de cantar que identificava um levita, mas ser nascido da tribo de Levi e separado para o ministério.

Apesar do necessário papel desempenhado pelos Levitas no culto a Deus, há um momento em que as referências ao ministério levita desaparece no Novo Testamento. Nas epístolas de formação das igrejas e nas instruções apostólicas que percorrem todo o livro, não se ouve falar em Levitas, o que aconteceu, de fato, com esse ministério, ele ainda encontra lugar na atualidade? A questão que permanece é: quando, exatamente, nas escrituras, ocorreu a transição de um sacerdócio para outro?

As lutas de cada dia



Wallace Sousa

Sempre que penso em luta, lembro de duas situações: Golias afrontando o exército de Israel e todos, inclusive Saul, escondendo-se dele. Depois vem Davi, ainda sem fama e honra e aceita o desafio do gigante. O resto da história, as afrontas, o desprezo, a pedra, a queda, a vitória e a exaltação, você já sabe, não preciso repetir.

Mas, infelizmente, há tantas pessoas em nosso meio que, ao verem o tamanho do desafio a ser enfrentado, da luta a ser travada, correm da raia e fogem do embate. A vitória Deus dá nas mãos de quem se apresenta para a peleja, e não de quem se esconde da luta. Não desista, insista!

O exército de Alexandre, o Grande, em certa ocasião atacou o inimigo, e um de seus soldados, bem jovem, tremendo de medo, acabou fugindo. Capturado e trazido à presença de Alexandre, o desertor pensou consigo que seria o seu fim.

Ao ver os traços pueris que ainda emolduravam sua face e sabedor que o horror da guerra era devastador para qualquer um, o grande Alexandre se compadeceu do pobre rapaz. Então o general-conquistador perguntou ao jovem soldado:

- Qual o seu nome, meu jovem?
- Eu me chamo Alexandre, general — respondeu o desertor com a voz amedrontada.
A face do grande general mudou de repente, e ele vociferou ao soldado: 
-“Ou você muda de nome ou muda de atitude“! (adaptado)

Nós, que levamos o nome de Cristo, e que carregamos Sua cruz, devemos imitar Seus passos. Esses mesmos passos que, em um momento decisivo de sua breve vida, marcharam resolutamente para Jerusalém, de encontro aos fariseus, de encontro a Herodes, de encontro a Pilatos e em direção ao Gólgota. Ele foi até o fim, mesmo que isso significasse seu fim.

Se somos cristãos, nosso destino é seguir os passos do Mestre, mesmo que esses passos nos levem ao altar do sacrifício, ao cume do monte Caveira, ao encontro da morte. Cristão não deve fugir da luta, pois é na luta que ele prova o doce sabor da vitória. E você conhece outra forma de vencer, senão em meio à luta?

Infelizmente, vejo muitos querendo combater por Cristo, mas de uma forma errada, equivocada. Esses acabam por não combater o bom, mas sim o mau combate. Não é só por levar o nome de Cristo ou falar em Seu nome que isso nos dá o direito ou a chancela de fazermos o que bem entendermos, ou de fazermos as coisas da maneira que acharmos por bem. Existem parâmetros a serem seguidos e regras a serem observadas e, quando desprezadas, o efeito é justamente o contrário.