As lágrimas de Esaú - Hebreus 12:17

Jacó, Rebeca e Isaac na benção da primogenitura.


Wilma Rejane

O arrepender-se geralmente é seguido por lágrimas, é que o choro expressa toda profundidade de nossas dores, quando se esgotam as palavras e o íntimo se esforça na necessidade de pôr para fora aquilo que já não cabe no ser. É difícil se manter imparcial ou insensível diante de quem chora. Depende?. Pode depender da veracidade e intencionalidade do choro. O livro de Hebreus cita um exemplo de choro que não comoveu, foi rejeitado e ignorado: o choro de Esaú, irmão gêmeo de Jacó.

“E ninguém seja devasso, ou profano, como Esaú… que, querendo ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou”. Hebreus 12:16-17.

Que verso tão desanimador! Será que mesmo tendo chorado e clamado, Deus não perdoou a Esaú? Se interpretarmos dessa forma, significará que não há esperança de perdão para muitas pessoas que agiram ou agem como Esaú. Ele desprezou a benção de Deus, negociou sua primogenitura reduzindo-a a um prato de lentilhas. E quando percebeu que seu irmão seria mais abençoado que ele, implorou ao pai para desfazer a benção dada ao irmão.

“ E disse Esaú a seu pai: Tens uma só bênção, meu pai? Abençoa-me também a mim, meu pai. E levantou Esaú a sua voz, e chorou.” Gênesis 27: 38

Creio que seja justo fazer a ligação entre o verso de Hebreus e o que aconteceu na casa de Esaú no dia do seu choro, de suas lágrimas. Seu arrependimento foi em relação a não ter recebido a benção, em ter negociado com Jacó, quanto a isso, não havia mais como voltar atrás. Seu pai Isaac manteve a decisão de conceder a Jacó o poderio e as riquezas tanto espirituais quanto materiais. O choro de Esaú pode não ter tido o efeito esperado, porque Isaac nunca esquecerá o que Deus havia falado sobre os irmãos, antes de haverem nascido:

" Disse-lhe o Senhor: Duas nações estão em seu ventre;já desde as suas entranhas, dois povos se separarão; um deles será mais forte que o outro,mas o mais velho servirá ao mais novo". Gênesis 25:23.

Nesse aspecto o que Esaú buscou não foi o arrependimento de mudança de coração, de receber perdão de Deus por ser profano e devasso, querendo mudar de vida e atitudes. O arrependimento que Esaú buscou foi o de recuperar o que havia perdido.


Arrependimento = metanoeo (Strong 3340) de meta (depois) e noeo (pensar), uma decisão que resulta em mudança de comportamento, objetivos e ações. Referência, Mateus 3:2: “Arrependei-vos porque é chegado o reino dos céus” e Atos 3:19 "Arrependei-vos ... e se convertam, para que os vossos pecados sejam apagados"


Gosto da versão Bíblica New Living Translation que diz:

"Você sabe que depois, quando ele quis a bênção de seu pai, foi rejeitado. Mas era muito tarde para o arrependimento, embora ele tenha implorado, com lágrimas amargas." Hebreus 12:17

Fica claro que quem rejeitou o arrependimento de Esaú, não foi Deus, mas seu pai Isaac. E que esse arrependimento não tinha fundamento agradável a Deus, mas servia aos interesses pessoais e profanos de Esaú. Assemelho o sentimento de perda de Esaú ao de Judas Iscariotes, que traiu Jesus. Algumas versões dizem: "Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos." Mateus 27:3. Outras versões dizem que "Judas sentindo remorso foi devolver as moedas". Afinal o que sentiu Judas?

A palavra remorso tem origem latina, vem de remorsus, particípio passado de remordere, que significa tornar a morder. Liga-se, portanto, a dilacerar, atacar, satirizar, ferir, torturar, atormentar.

Digo que a interpretação correta é que Judas sentiu remorso, foi torturado, afligido, angustiado por ter traído Jesus. E esse estado tão desesperador o levou a tirar a própria vida. Judas, a exemplo de Esaú, não se arrependeu para Deus, mas para si mesmo. Seu tormento pode ter sido originado por pressão demoníaca, condenação pessoal, distanciamento de Deus e outros.

Mais considerações sobre as lágrimas de Esaú:

Há situações que não podem ser mudadas, por isso, é tão importante pensar nas consequências de nossas escolhas. Esaú não pôde mudar sua decisão quanto a benção de primogenitura, sofreu as consequências. Contudo, ele poderia mudar seu futuro, ao mudar sua atitude em relação ao passado. Um caminho que restauraria a vida e as escolhas de Esaú seria a conciliação com Deus, um novo começo. Se não for possível mudar o passado, uma nova atitude em relação a esse passado transformará o futuro.

Deus está disposto a perdoar todo o que se arrepende e a qualquer tempo, pois não pode negar a Sua própria Palavra que diz: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, Ó Deus” Salmo 51:17.

Deus perdoa o que pecou por ignorância, desconhecimento de Sua vontade (Atos 17:30) e também aquele que mesmo conhecendo a Deus caiu em condenação, como diz Apóstolo Pedro, "o cão pode se lambuzar em seu próprio vômito":

"Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado; Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama." II Pedro 2: 21,22.

Porém, é importante considerar que Deus não sente prazer nem na morte do ímpio, nem na apostasia, antes Ele é longânime e se apraz em perdoar. A parábola do Filho Pródigo revela bem essa bondade Divina. Deus é um Pai amoroso que permite sim que os filhos sofram as consequências de suas escolhas, pois todos temos liberdade para decidir entre bem e mal, mas a partir do momento em que nos arrependemos com todo o coração, Ele nos recebe,sem reservas.

Deus o abençoe.



7 comentários:

Nayara disse...

Mana fiquei a meditar!As lágrimas de Esaú foram quando Jacó fingiu ser o irmão. Claro que a benção já estava determinada antes do nascimento de ambos (Esaú e Jacó), mas penso que nesse caso, Esaú não fez nada de errado, e sim seu irmão Usurpador (=Jacó)! A benção era de Jacó mesmo mas como ele recebeu, os meios que usou, certamente, não foram corretos! Ele agiu como alguém de mau caráter!Bom, Jacó recebeu a benção, e não haveria mais nenhuma outra benção para Esaú?! Mana coloquemo-nos no lugar de Esaú: "Mas meu pai, o senhor só tem benção para meu irmão, e eu não receberei nada, nenhuma benção de ti, meu pai, que amo?!". Mana quem de nós não choraríamos diante de algo assim?! Esaú cometeu um grave erro quando abriu mão de sua primogenitura, mas não no caso das bençãos!Todos são muito complacentes com Jacó, e só enxergam erros em Esaú,mas cada um agiu erradamente em determinadas situações.
Beijos, gostei de ler o artigo e podemos ainda conversar mais pois esse assunto me interessa!

Wilma Rejane disse...




Oi Mana Nayara!

Concordo contigo, não foram apenas Esaú e Jacó que erraram, seus pais Isaac e Rebeca também são responsáveis pela desordem familiar.

Esse artigo, porém, não teve o objetivo de tratar do conjunto de fatores sobre a benção da primogenitura, mas tão somente interpretar o verso de Hebreus 12:17.

Tenho ouvido e lido artigos sobre o tema e quase unanimemente, as pessoas dizem "Deus não perdoou a Esaú, não considerou seu arrependimento".


Obrigada,

Deus a abençoe.

Bjs!

Pr. Israel Melo disse...

É importante salientar que já havia uma promessa liberada que o mais velho serviria o mais moço. Creio que o fato das pessoas sempre serem mais radicais com Esaú, é porque fazendo um comparativo, vemos um Jacó com conceitos deturpados, mas que mesmo assim, jamais negociaria oque Deus teria reservado a ele (se fosse o primogênito), quanto ao caráter, quem o escolheu ficaria responsável de tratá-lo. Esaú porém no primeiro grito de sua carne, negocia fácil. Parabéns pelo artigo!

Paulo César Alves disse...

Oi Irmã Wilma Deus continue lhe abençoando com essas mensagens, estou ligadinho nesse canal e aguardando o próximo livro.

Arthur Fernandes disse...

Esaú tinha vendido o direito da primogenitura para Jacó que incluí as bênçãos. Mas Esaú não falou nada disso para Isaque, seu Pai, querendo agora receber a bênção do primogênito no lugar de Jacó. Assim, com o desenrolar da história, Jacó e sua mãe ficam sabendo que Isaque iria dar a bênção, o que eles fizeram foi enganar Isaque, pois Esaú não falou sobre a venda da bênção, então, Jacó conquista aquilo que era de direito.

Henrique Bocanera disse...

Jacó enganou seu pai porque queria a benção da maneira dele pois ainda não sabia confiar em Deus, coisa que ele aprendeu somente depois de passar 14 anos trabalhando para seu tio Labão em que foi enganado por ele. A prova de que Jacó aprendeu a confiar em Deus foi quando ele lutou com o anjo no vau de Jaboque, porque ali Jacó se viu numa situação difícil, pois sabia que seu irmão era mais poderoso que ele e que havia prometido lhe matar. Só que quando Jacó decidiu confiar em Deus, Deus lhe fez algo maravilhoso, mudou seu nome para Israel.

Jose Carlos Nascimento disse...

A paz minha irmã! Riquíssimas essas palavras e sim o filho pródigo é um grande exemplo de perdão pelas escolhas erradas que fez, mas como foi bem expresso no texto, toda a herança que se perdeu na sua "aventura" pelo mundo não poderia mais ser recuperada, é o que chamamos de consequências pelas escolhas erradas que fazemos, por mais que choremos existem coisas de valor que perdemos em meio as "aventuras" da vida que jamais recuperaremos e teremos que aprender a conviver com as perdas.

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