Um Selfie para o céu



Wilma Rejane


Eis uma fotografia que merece ser pensada. É um registro da passagem do ator Jhonny Depp no Estado de Massachusetts para promover seu mais novo filme "Aliança do Crime". Com exceção da simpática senhora debruçada sobre a grade, todos os demais fazem uso do smartfone fotografando-se em selfie ou fotografando o artista Depp.

Este retrato é mais que um encontro de gerações de comportamentos antagônicos, é um registro fiel do que se passa no íntimo das pessoas neste século. É impossível não se deparar diariamente com o excesso de selfies e atenção destinada aos mínis aparelhos conectados a internet. Vivemos um antropocentrismo moderno onde tudo é escorregadio, rápido e superficial.

Qual o destino dos selfies? As redes sociais, claro. Elas são a representação cotidiana de uma sociedade que valoriza tanto a aparência que se torna  incapaz de reproduzir momentos semelhantes ao da senhora debruçada sobre a grade:  enquanto os demais estão preocupados em mostrar o quanto estão felizes, ela vive sua felicidade de um modo autêntico sem o escravismo da aprovação exterior.


É irônico, mas não fosse o contraste e o destaque dado a foto nas redes sociais não teríamos acesso a ela. E seríamos privados de contemplar uma rica lição que é conhecida por muitos e seguida por poucos: viva a vida! Viva a simplicidade das relações, do olho no olho, da conversa demorada, do afago, do abraço, das essências que só se alcançam com a intensidade do ser na busca pela verdade do que seja amor.

Este caminho de dependência real do mundo “virtual” não tem volta, ele se agravará tanto pela necessidade de informação como pela superficialidade das relações. Porque coisas parecem tomar o lugar de pessoas e pessoas parecem ser absolutamente tomadas por coisas. E as coisas (computadores, celulares, smartfones...) se colocam entre pessoas impedindo-as de enxergar a vida como ela realmente é.

É só uma crítica, e não é para todos, nem para o uso da tecnologia, é para o esvaziamento das relações sociais. Às vezes não nos damos conta de quanto o capitalismo com suas ofertas encantam o ser, a indústria de entretenimento virtual parece atrair muito mais pessoas que o espanto pela vida. E quando digo “espanto pela vida” me refiro ao destino da alma e a irrefutável necessidade de salvação.

Os espelhos deste século refletem boas e belas maquiagens, sucesso, beleza, selfies em excesso. Mas a palavra de vida, que abre o caminho para a salvação foi apregoada nos desertos. Era João, o Batista, convocando ao arrependimento. Era Moisés no Sinai, sozinho vendo a glória de Deus e a multidão derretendo ouro para fabricar um bezerro adotado como deus.

É preciso ficar a sós conosco e com Deus para conhecer a Verdade sobre Salvação. É preciso parar para refletir sobre "o espanto da vida e da morte". Na solidão da cruz do calvário Jesus nos dá as respostas. Busquemos-nas. 

Não nos enganemos, o mundo está mais egoísta e menos humano. Os humanos mais robóticos, apoiados na força material  moderna. Mas os valores antigos não mudam, os marcos fincados por Deus jamais serão removidos: o homem precisa  matar a vaidade, o materialismo,  o egoísmo, o antropocentrismo e se voltar para Deus e para o próximo.

Quem quiser, pois, salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por minha causa e pelo Evangelho salva-la-á! Marcos 8:35.

Que Deus nos ajude e  ensine a viver moderadamente, não para servir a aparências, mas para refletir Sua essência. E que usemos a tecnologia a serviço do bem e não para fabricar uma glória humana que é fugaz, passageira. Que a honra pelas conquistas seja dada a Deus e que da simplicidade surja a beleza da vida, a intensidade da felicidade.


Deus o abençoe.

3 comentários:

Ericson Freitas disse...

"...O mundo está mais egoísta,e menos humano..."FATO!!!
Vivemos um século de aparências, sem dúvida.E aparência para o senhor não é nada.Por esses dias ainda disse a minha mãe:" Sinto saudades do tempo em que meu avô era vivo, pois na hora das refeições, estávamos todos assentados a mesa,TODOS!
Hoje em dia infelizmente isso se torna cada vez mais raro,devido ao relatos acima.(tecnologia).
Como disse a nossa irmã Wilma:"Perdemos o calor humano".Longas horas de conversas,olho no olho, sorrisos sinceros,e não simplesmente para postar uma selfie onde segue a falsidade e de sorrisos apenas para, postar uma foto aparentemente feliz.
O que gera a frieza entre as pessoas...
Linda reflexão!!! Deus lhe abençoe... A paz do senhor Jesus...

Wilma Rejane disse...


Olá Ericson!

Obrigada por enriquecer a postagem com suas observações.

Deus o abençoe.

Mariana Nunes disse...

O ponto em que a humanidade chegou através da tecnologia, através de um "simples" celular, o poder de distanciar pessoas, até mesmo as mais próximas, me assusta. Oro pelas almas e para que Deus intervenha e não nos deixe afogar neste mar de superficialidade e relacionamentos instantâneos. A Paz do Senhor irmã Wilma, ótimos artigos!

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