Colossenses e o Mito de Narciso

Narciso em fotografia de Antony Gayton


Wilma Rejane


A epístola de Colossenses reflete um período de sincretismo religioso em que a igreja localizada na cidade de Colossos estava sendo influenciada por doutrinas estranhas e alheias ao cristianismo. Ali haviam gregos, judeus, frígios e indígenas, uma diversidade de nacionalidades onde cada um queria fazer prevalecer sua cultura social e religiosa. Da filosofia grega ao misticismo oriental tudo estava sendo propagado como formas de bem-estar espiritual sob o pretexto de que nenhuma religião é tão boa quanto a outra.

E Paulo escreve àquela igreja falando da superioridade de Cristo em relação a tudo mais. É curioso perceber que mesmo contando com  um dirigente local fiel a Cristo,  chamado Epafras, as pessoas ainda divagavam sobre a realidade das Escrituras, de quem era Cristo e quem eram em Cristo. A causa dessa divagação estava no egocentrismo de alguns irmãos que se negavam a abandonar os velhos costumes querendo aliá-los ao novo modo de vida.

O problema era que não poderia haver novo modo de vida se não houvesse o abandono das práticas do passado, se não houvesse a morte do eu, da história individual em detrimento da história de Cristo. Paulo diz aos Colossenses: “ Já vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; onde não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre, mas Cristo é tudo em todos” Cl 3: 9-11.


Ou seja: o objetivo do cristianismo não é a separação, a subjetividade do ser. Não é o que vocês são, mas o que Cristo é. E é esse Cristo que deve habitar em vós de tal forma que vocês reflitam Ele, se amoldem a Ele. Não é o lugar de onde vieram, os costumes que receberam, a cultura herdada  que comporá vosso  ser; é Cristo.

E ao olhar para o contexto histórico da igreja de Colossos faço um paradoxo com os dias atuais em que a história de cada um parece ser tão vital que reflete imagens como o mito de Narciso. Narciso era exuberante e desprovido de amor pelo próximo. Carregava consigo uma sina: não podia ver sua própria imagem, caso contrário morreria. Mas Narciso viu sua imagem refletida na água e se apaixonou por ela,  ficou tão encantando  que morreu imóvel contemplando-a.

Quantos de nós não carregamos intrinsecamente esse mito de Narciso? Encantados com a própria história; quem somos, o que temos, o que vivemos. E assim se morre, contemplando a si mesmo ou a imagem de si mesmo que nem sempre é real e na maioria das vezes é enganosa. Os Colossenses estavam enganados sobre a Verdade do ser e aquilo que julgavam verdade; era ilusão. Nenhuma outra filosofia seria  capaz de salvá-los de si mesmos; a não ser Cristo. E Cristo devolveria a cada um o que realmente eram. Aquilo para o qual foram criados.

Que nós possamos refletir sobre a mensagem de Paulo aos Colossenses aplicando-a em nossas vidas. É preciso deixar morrer o Narcisismo. A história individual produz ídolos, ilusões. A história de Cristo em nós produz santidade. É a história do Cristo que deve causar perplexidade em nós e não a história do grego, do celta, do outro. E a história do outro pode e deve causar perplexidade em nós quando ela refletir Cristo. Paulo tinha esse objetivo de que a vida de Cristo nele transformasse outras vidas, no que diz:

“Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.”
Gálatas 2:20

Não, não é a vida de Paulo, pois Paulo sem Cristo seria o velho e miserável Saulo. É Cristo em Paulo. Que assim seja conosco. Que o velho homem do pecado já não habite em nós, por Cristo ser em nós de tal forma que não haja mais lugar para qualquer outra coisa que não edifica.


Deus o abençoe

2 comentários:

Celso Silva disse...

Amém, Louvado seja Deus!

E que Ele abençoe cada vez mais a sua vida

Wilma Rejane disse...



Amém,

Obrigada.

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