Somente os pratos do dia




Há alguns anos, sofri muito de dores de estômago. Acordava duas ou três vezes durante a noite, devido a dores terríveis. Havia visto meu pai morrer de câncer no estômago, e receava que eu também tivesse essa doença — ou, pelo menos, que tivesse úlcera no estômago. Dirigi-me, pois, a uma clínica para me submeter a exame. Um famoso especialista em enfermidades do estômago examinou-me com um fluoroscópio e por meio de raios X. Receitou-me medicamentos para fazer-me dormir e assegurou-me que eu não sofria de câncer nem de úlcera no estômago.

Minhas dores, disse-me ele, eram causadas por tensão emocional. Como sou ministro, uma das suas primeiras perguntas foi: "Por acaso o senhor tem algum velho maníaco como membro do conselho da sua igreja?" Disse-me ainda uma coisa que eu já sabia: que eu estava procurando fazer mais do que podia. Além dos meus sermões dominicais e de tratar das várias atividades da igreja, era também presidente da Cruz Vermelha e da Kiwanis. Realizava ainda dois ou três enterros todas as semanas, além de dedicar-me a muitas outras atividades. Estava trabalhando sob uma pressão constante. Não conseguia nunca repousar. Estava sempre tenso, apressado, agitado. Cheguei ao ponto de preocupar-me com tudo. Vivia num estado de ansiedade constante.

Sofria tanto que recebi de bom grado o conselho do médico. Comecei a descansar todas as segundas-feiras, bem como a eliminar várias responsabilidades e atividades.

Um dia em que punha em ordem a minha mesa de trabalho, tive uma ideia, que me ajudou imensamente. Estava examinando uma porção de notas antigas sobre sermões e memorandos referentes a outros assuntos já para sempre liquidados. Amassei um por um desses papéis e joguei-os no lixo. De repente, detive-me e disse a mim mesmo: "Bill, por que é que você não faz com as suas preocupações a mesma coisa que está fazendo com estes papéis? Por que é que você não amassa as suas preocupações junto com os problemas de ontem e não os joga no lixo?" Essa ideia foi como uma inspiração imediata: deu-me sensação de que um peso me fora tirado dos ombros. Desde aquele dia, adotei a norma de jogar no lixo todos os problemas sobre os quais não possa mais fazer coisa alguma.

Depois, num outro dia, enquanto enxugava os pratos que minha mulher estava lavando, tive outra ideia: Minha mulher lava os pratos cantando, e eu disse a mim mesmo: "Veja, Bill, como a sua mulher é feliz. Estamos casados há dezoito anos, e ela tem lavado pratos durante todo esse tempo. Suponhamos que, quando nos casamos, ela olhasse para o futuro e visse todos os pratos que teria de lavar durante todos estes dezoito anos. Essa pilha de pratos seria maior do que um estábulo. Só de pensar nisso, qualquer mulher teria ficado horrorizada".

Disse, então, a mim próprio: "A razão pela qual minha mulher não se importa de lavar os pratos é a seguinte: é que ela lava somente os pratos usados num dia". E compreendi o que se passava comigo. Eu estava procurando lavar os pratos do dia, os pratos do dia anterior e os pratos que ainda não tinham sido usados. Vi como estava agindo insensatamente. Subia ao púlpito, todos os domingos, e dizia aos outros como é que deviam viver e, no entanto, estava levando uma vida tensa, apressada, cheia de preocupações. Senti-me envergonhado.

Agora as preocupações já não me atrapalham. Nada de dores de estômago. Nada de insônia. Faço um bolo, agora, das inquietudes do dia anterior e atiro-as no lixo: deixei de tentar lavar hoje os pratos de amanhã.

***
Bibliografia: 

CARNEGIE. Dale. Como evitar preocupações e começar a viver. 9ª edição, Companhia Editorial Nacional.1958. Páginas 350-352.

* O livro de onde extraí o artigo faz parte de minha biblioteca, ele está velhinho, páginas amareladas, foi presente de meu adorável sogro e vez por outra releio as histórias de vida nele contidas. Considero-o um clássico, pois Carnegie foi pioneiro no que hoje se denomina "auto ajuda", com a diferença de que ele era autêntico e não definia receitas, mas narrava fatos reais de pessoas que venceram as dificuldades da vida e para mim é sempre edificante ouvir histórias de quem deu "a volta por cima": superação é uma capacidade humana e uma criação Divina. Bom saber que podemos olhar para trás e dizer: venci, superei, o Senhor me ajudou, me deu forças. 

"Alguns confiam em carros e outros em cavalos,mas nós confiamos no nome do Senhor, o nosso Deus. Eles vacilam e caem,mas nós nos erguemos e estamos firmes." Salmos 20:7-8. Que assim seja!

Deus o abençoe.

Um comentário:

Flávio da Cunha Guimarães disse...

Boa tarde irmã Wilma Rejane, li o post da irmã, foi muito bom os conselhos e fez com que pudesse refletir sobre como viver bem, não só para nós, mas principalmente para o Senhor, pois entendemos que viver de maneira tensa não agrada ao Espírito do Senhor que habita em nós. Deus a abençoe e um abraço em Cristo.

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