Nos dias de tribulação

 




João Cruzué

Para que servem os dias de angústia e desassossego que nos sobrevêm com a força de uma tempestade e nos fazem chorar, soluçar, sofrer, desesperar...? Diante deles nós paramos e perguntamos por que o Senhor permite tempos tão difíceis. Olhando para trás, hoje, eu posso ver que Deus prepara consoladores em meio às tribulações para consolar outros com as mesmas consolações maravilhosamente descritas no primeiro capítulo da segunda carta de Paulo aos Coríntios.

Os dias de tribulação não são de forma alguma agradáveis. Eles são permitidos por Deus para nosso crescimento como pessoas e como cristãos. Somos tentados a levar uma vida sem compromisso, pouco compromisso ou satisfeitos com os objetivos que temos. Deus, por outro lado, tem plano, missões especiais para cada um de nós. Sem tribulações, talvez, não cheguemos ao belvedere de onde podemos avistar ao longe os propósitos dele.

Quando me lembro dos anos de muito prejuízo e tribulações passados eu não mais me sinto deprimido, mas agradecido e, não raro, meus olhos molham de gratidão. É pura realidade que as Igrejas onde congregamos e servimos nos serviram de telhados de vidro. Críticos. Em tempos ruins a Igreja tem defeitos que crescem aos nossos olhos. Nos sentimos pequenos e abandonados pelos irmãos. Coisa parecida sentiu Jesus no Getsêmane. A mesma solidão e a sensação de desamparo. A missão de Jesus era redimir e reconciliar homens e mulheres distanciados com o Criador. Nós nem sempre sabemos para onde vamos e qual é o grande propósito de Deus para nossas vidas.


É durante a tribulação que os espinhos nos ferem, que as humilhações nos dobram o pescoço e podemos contemplar a poeira e o chão. Debaixo desse temporal as sementes enterradas mais profundamente vêm aflorar à superfície. É nesse tempo que nós costumamos conversar mais com Deus. Perdemos a timidez. Até chamar nosso Deus de Paizinho. Aba Pai. Lembrei-me disso ao reaver de memória aquela carta de uma senhora judia mandou aos filhos, a poucos dias da deportação para os campos de concentração da Polônia. "Filho" não se esqueça de orar ao nosso Paizinho...

Das pedras no caminho

 


Wilma Rejane

Pedras no caminho são como obstáculos que ou ferem nossos pés ou nos obrigam a mudar de direção. Pedras são problemas a serem vencidos,  como vencer? Amparando-se em Deus. Ainda assim, de fé em fé, na caminhada da vida é possível que as pedras permaneçam. Há porém, grande força em caminhar com um coração cheio de paz e confiança, estando no centro da vontade de Deus, servindo- O da forma que Ele nos capacitou para servir.

A vida está difícil? Prossigamos! Jesus disse que "cada dia guarda o seu próprio mal" (Mateus 6:34). Um dia de cada vez, sem se desesperar . Exerçamos com paciência a jornada que Deus reservou para nós, não nos conformando com este mundo (Romanos 12:2), porém, inteiramente confortados nas promessas do Evangelho que é abrigo para todas as horas, em qualquer lugar e circunstâncias.

Fé e pedras. Caminhos que se contrastam pelas leis da física,  química, das coisas visíveis e invisíveis. João Batista, apontou para as pedras à beira do Rio Jordão e disse que delas Deus poderia suscitar filhos de Abraão;  do imobilismo,  palidez, frio e insensibilidade, algo novo e bom nasceria.

“ ...Até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão.” Lucas 3:8

Das muitas pedras que ferem nossos pés na estrada da vida, pela fé e coragem, podem se erguer fortalezas. Ajunte-as, arrume-as em um canto sabendo que serão memorial para uma nova história. Um memorial tal qual Betel, que significa "Morada de Deus" que foi erguido com pedras pelas mãos de Abraão, em um tempo de muitas dificuldades, fome e seca. Ele então "ajunta as pedras" e ora a Deus em Betel, deixando ali um marco de mudanças.

No ombro de Deus Pai

 

Wilma Rejane


" Atravessou Abrão a terra até Siquém..." Gn 12:6

Você pode sentir o tamanho da benção escondida nesse pequeno verso Bíblico?  Nunca ouvi qualquer pregação sobre essa passagem e acredito mesmo que ela não chama a atenção dos leitores. Não chamava minha atenção, até o dia em que um : "pare, escute, preste atenção" me sacudiu de tal forma que me vi agradecendo a Deus por todas as vezes em que Ele me permitiu "atravessar Siquém". 


Sobre Siquém:

Siquém está situada no vale estreito entre o monte Gerizim e o monte Ebal, aproximadamente 65 quilômetros ao norte de Jerusalém. Em hebraico Siquém significa "ombro", esse significado descreve muito bem o valor do lugar para os Israelitas na conquista da terra prometida e também nos oferece  razões de relacionar Siquém com "vale do crescimento espiritual, da obediência". Siquém, ombro de Deus.

Foi esse o lugar escolhido por Deus para Abraão iniciar sua caminhada, para Moisés declarar as bençãos e as maldições (Deuteronômio 27), onde Josué reuniu os Israelitas para convocá-los seguir a Deus (Josué 24), onde Jacó se fixou ao retornar a Mesopotâmia: "e foi ali que ele purificou sua casa dos deuses estranhos, enterrando todos os seus ídolos debaixo de um carvalho" (Gn 35.2,4). Por fim Siquém é o lugar onde José foi enterrado "Kever Yosef", túmulo de José. Em Outubro de 2000 os palestinos, em total desrespeito a palavra de Deus, destruíram o túmulo de José para construir uma mesquita.

Nossos passos em Siquém

A travessia para Siquém, foi o primeiro passo de Abraão com destino a terra prometida .  Ainda faltava muito chão para chegar ao destino final, mas ele se moveu, arriscou deixar para trás o lugar que nada mais poderia lhe oferecer e seguiu ao desconhecido, porém acompanhado dAquele que conhece todas as coisas. E  Deus com ele permitindo que seus pés caminhassem sem tropeçar, que seus camelos e servos gozassem de boa saúde e disposição para segui-lo.

Abraão deixou o conforto, para viver os conflitos e crescer na fé.

Você já parou para pensar a maravilhosa benção,  proteção e providência Divina que há em cada passo nosso? Em cada travessia?  Cada travessia é um favor, por menor que seja a distância. O primeiro passo é tão ou mais importante que o último. Se Abraão não tivesse "atravessado a terra até Siquém", não teria percorrido os mais de 2.400 km realizando todas as promessas de Deus para Ele.


Agosto: um mês de boas lições!


Autor: Pastor Armando Vanelli

Então, eis que já estamos em Agosto. Isso mesmo, parece que o 1º de janeiro foi ontem. O tempo tem passado numa velocidade descomunal, mas com certeza são as nossas múltiplas atividades que fazem com o tempo urja tão veemente. Mas, se chega um novo mês, um novo tempo, é sempre bom deter-se sobre ele. Por exemplo, Agosto é um mês muito interessante, além de ser o segundo mês do segundo trimestre do ano, é um mês que dá mostras da transição do inverno para a primavera.

E Agosto tem ainda uns resquícios do inverno que se esvai com uma  brisa quase que diuturna. Com esse vento constante desperta nos meninos um forte estímulo para empinar pipas, e muitas delas estão por todos os cantos da cidade. Nos parques, nos descampados e até mesmo entre o emaranhado de fios elétricos e telefônicos surgem com as mais variadas formas e cores que no lindo céu azul as pipas embelezando o ar e vindicando uma acirrada disputa entre os empinadores, com destaque a altura, manobras e "taios", tentando cada um prevalecer com a sua arte o maior tempo possível no ar.

Hoje, na modernidade, qualquer garoto faz uma pipa com facilidade. Há papéis, varetas e colas especiais para a confecção das pipas, que a cada região tem um nome: quadrado, maranhão, papagaio, pandorga ou raia. No meu tempo de garoto não era fácil fazer um pipa. Em princípio o que se conseguia era folha de papel da embalagem do macarrão Maravilha (lembra disso?), uma cola de trigo ou de sabão e as varetas de bambu que se cortava de uma taquara e com uma pequena faca trabalhava-se para dar a devida curvatura no arco do pipa.

Mas por trás dessa brincadeira, sempre havia algo que me impressionava, por exemplo, a condição de cada garoto que empinava sua pipa. Eu sempre tinha algum retrós de linha de costura que ganhava de alguém, mas havia alguns meninos mais afortunados que traziam em suas maquininhas de soltar pipa, 2 ou 3 carretéis de linha de ótima qualidade, havia uma marca muito popular entre os pipeiros que a linha Corrente, e cada carretel tinha 131 jardas ou 120 metros cada. A considerar 3 carretéis de linha soltos para uma pipa, 360 metros era uma considerável altura, e as pipas se perdiam de vista.

Residindo num simples bairro chamado Vila Bazani em Itapira,SP, e ali nas imediações havia um menino chamado Vineu, Vineu Piolo e ele era uma espécie de um professor Pardal dos arrebaldes, fazia uma engenhocas para empinar pipas e usava até 5 carretéis de linha, logo, era o campeão em altura naquela redondeza.

Chegava Agosto,  a lição de casa ficava para depois. Todos no largo 13 de Maio, praça da famosa festa de 13 de Maio, e toma de levantar e empinar viva. As horas voavam, e ao anoitecer retornávamos ás nossas casas. Uns alegres pela proeza de ter conseguido por o seu pipa lá nas alturas, outros cabisbaixos porque a linha se rompeu e adeus ao colorido brinquedo.

A cabana que não era de Jonas

 

Wilma Rejane

A nacionalidade do profeta Jonas é citada no livro de  II Reis 14:25 “ filho do nativo Amitai, morador de Gate-Hefer situada cinco quilômetros ao nordeste de Nazaré”. Era um profeta judeu e o primeiro com a missão de pregar aos gentios. Enviado a cidade de Nínive, Jonas viveu momentos atípicos como ser engolido por um grande peixe e ver uma aboboreira nascer,  crescer e morrer sobre sua cabeça em questão de minutos. Por tamanha aproximação com peixes e plantas, costumo chamar Jonas de: o profeta da natureza. Pode ser apenas mais uma curiosidade, mas Jonas significa “pombo”, uma ave mansa e que passeia descontraída entre  aglomerações de gente.

Profeta Jonas demonstrava amar animais e plantas, mas quando se tratava de pessoas, ele não tinha muita paciência, especialmente, se estas fossem inimigas politicas de Israel (era o caso dos Ninivitas). E Deus resolve alargar o amor de Jonas por quem ele desprezava, então, envia-o para o território que ele jamais imaginara ir: Nínive. Jonas reluta , mesmo sabendo que ninguém seria capaz de fugir da presença de Deus. Mas ele tenta, e,  claro, não consegue. Que sucesso é o ministério de Jonas! Em um dia de andança pela cidade, a mensagem de Deus, pregada por ele, consegue alcançar todos os termos de Nínive. As pessoas se arrependem e Deus as perdoa .

Já estava tudo em paz em Nínive e ele poderia simplesmente ter pego uma embarcação de volta para casa, satisfeito e feliz. Mas não. Ele junta algumas palhas e faz uma cabana em um morro com vista para Nínive, esperando a cidade ser destruída pela ira de Deus. Ele não sabia o que se passava no interior das pessoas e julgava erradamente. Jonas, de espia no morro e aguardando um final infeliz para os inimigos de sua nação. Deus faz nascer uma aboboreira e cobre a cabana de Jonas com folhas viçosas e largas, ele se alegra pela sombra e conforto. Até que, em alguns minutos, sua tranquilidade é abalada …

"Mas Deus enviou um verme, no dia seguinte ao subir da alva, o qual feriu a aboboreira, e esta se secou. E aconteceu que, aparecendo o sol, Deus mandou um vento calmoso oriental, e o sol feriu a cabeça de Jonas; e ele desmaiou, e desejou com toda a sua alma morrer, dizendo: Melhor me é morrer do que viver. Então disse Deus a Jonas: Fazes bem que assim te ires por causa da aboboreira? E ele disse: Faço bem que me revolte até à morte .E disse o Senhor: Tiveste tu compaixão da aboboreira, na qual não trabalhaste, nem a fizeste crescer, que numa noite nasceu, e numa noite pereceu; E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais?"  Jonas 4:6-11.

Lições práticas em Jonas

Poucas coisas na vida tocavam tão profundamente o coração de Jonas quanto a natureza. Podemos constatar em seu livro, a constante referência aos animais e em menor grau, às plantas. É em Jonas que se percebe o erro da pregação exclusivista, de julgar-se superior ao outro e/ou de condenar quem Deus não condenou.

Jonas estava feliz com sua posição de conforto, pois, Deus, havia se mostrado próximo e presente ao presenteá-lo com a sombra da aboboreira. Contudo, ao retirar o conforto de Jonas ele se irrita sobremaneira. E aí Deus ensina sobre a fragilidade dos abrigos humanos, ensina sobre igualdade e justiça; o fato de Jonas ser profeta não faz com que Deus cumpra sua vontade de destruir os ninivitas.  Bom é Deus que não concretiza tudo que pedimos, pois, muitas vezes, não sabemos o que pedir. Deus realizou em Nínive o que estava em Seu coração amoroso e não o que Jonas pensou e/ou pediu em seu íntimo.

Deus se relaciona de modo peculiar com seus filhos, pois, em todo o tempo demonstrou conhecer tudo que estava no coração de Jonas e por onde quer que fosse o profeta, Deus estava com ele. Não houve lugar, nem situação, onde Jonas pudesse se esconder: