O pássaro Íbis no livro de Jó

 

 Wilma Rejane

 Quem deu sabedoria às aves como o Íbis que anuncia as enchentes do Rio Nilo? Jó 38:36  

O versículo do livro de Jó mistura observação da natureza, história antiga e poesia bíblica. Vamos entender o contexto dessa ave e a precisão por trás da menção.
 
A ave mencionada é a  Íbis sagrada, uma ave pernalta de plumagem majoritariamente branca, com a cabeça, o pescoço e as pontas das asas pretos, além de um bico longo e curvado para baixo. Os egípcios associavam a ave à inteligência justamente por causa de seus hábitos previsíveis e "sábios".
 
Como ela anunciava as enchentes do Rio Nilo? As enchentes do Rio Nilo eram o evento mais importante do ano no Egito, pois fertilizavam as terras e garantiam a sobrevivência da população. Esse fenômeno ocorria anualmente no verão (por volta de junho a setembro).
 
A "sabedoria" instintiva que o versículo de Jó menciona refere-se a um relógio biológico perfeito ligado aos ciclos da natureza. A Íbis anunciava as enchentes de duas formas principais:
 
 1. O Comportamento de Migração e Retorno: A Íbis sagrada sumia da região durante os períodos de seca e retornava em massa para as margens do Nilo exatamente no início da cheia. Para o povo antigo, ver a chegada repentina dessas aves era o sinal visual e biológico inequívoco de que as águas da enchente estavam a caminho.
 
2. A Busca por Alimento: À medida que as águas do Nilo começavam a subir nas cabeceiras e inundar as planícies, pequenos animais, insetos, vermes e moluscos eram desalojados da terra seca. As Íbis se posicionavam estrategicamente nessas áreas de transição, banqueteando-se com o que a água trazia à tona. O comportamento agitado e a concentração dessas aves naquelas áreas específicas serviam como um "aviso prévio" de que o nível do rio estava subindo.
 
No contexto do capítulo 38, Deus está respondendo a Jó e destacando a limitação do conhecimento humano diante da grandiosidade da criação.
 

Quando a Bíblia pergunta Quem deu sabedoria ao Íbis? o texto está apontando para o fato de que a Íbis não frequentou uma escola, nem aprendeu meteorologia; ela recebeu um instinto divino (uma sabedoria intrínseca) que a permite ler os sinais da terra perfeitamente. É um lembrete poético de que a ordem do universo é governada por uma inteligência muito maior que a nossa.

Curiosamente a Íbis está extinta no Egito moderno, embora ainda seja comum e abundante em outras regiões da África e até da Europa. Ela desapareceu completamente do território egípcio e do curso inferior do Rio Nilo por volta de 1850, alguns dos motivos apontados são: mudança no ecossistema e drenagem, fim das cheias naturais, caça e pressão humana.

Atualmente, ao se visitar o Cairo ou às margens do Rio Nilo no Egito, serão avistadas outras aves como garças, mas a famosa Íbis só poderá ser vista gravada nas paredes dos templos antigos, associada aos deuses e à sabedoria. Para vê-la voando livremente na natureza é preciso ir em direção ao sul do continente africano. Na Europa, há lugares em que a ave Ibis aparece nas cidades, revirando latas de lixo em busca de alimento.

No livro de Levítico, capítulo 11, verso 17 , a ave Íbis é mencionada como animal a ser evitado em termos de alimentação.

A citação a ave Ibis no livro de Jó aguçou minha sede por conhecimento. Curiosamente, não encontrei muitas fontes na Língua Portuguesa sobre a citação da Ibis no livro de Jó, resolvi, portanto, produzir este artigo . Após conhecer melhor a fascinante ave e seu contexto migratório, meditei em algumas lições práticas, considerando também um outro versículo de Jó que diz:

Pergunte e as aves do céu contarão a você, ela o instruirá. Quem de todos eles ignora que a mão do Senhor fez isso?  Jó 12: 7-9

A Íbis possui um bico longo e sensível com que consegue sondar, distinguir e selecionar seu alimento em qualquer ambiente, na lama, água, terra ou mesmo em uma lata de lixo. Isto pode ser uma lição valiosa sobre como devemos treinar nossa mente e coração, usando a Palavra de Deus para discernir entre certo e errado.

A Íbis foi extinta das margens do Nilo, por diversos motivos, porém, sobrevive em outros habitats que considera mais seguro. Da mesma forma os cristão são encorajados a deixarem ambientes que não edificam, que destroem e buscarem crescimento e entendimento para tomarem decisões sábias em meio à confusão e degradação.

A presença da ave Íbis, além de ser associada à sabedoria no antigo Egito, era motivo de muita alegria por anunciar abundância de água e colheita. Da mesma forma, a presença dos cristãos deveria ser motivo de alegria em um mundo sedento por alimento espiritual. Àgua e colheita abundante podem ser associados à presença do Espírito Santo na vida do cristão que tem a missão de produzir vida e salvação através do testemunho.

Por ser uma ave aquática, a presença do Íbis era historicamente associada aos ciclos da natureza como anúncio de enchentes e retorno das águas. Na ótica espiritual pode ser vista como uma lembrança de que Deus renova o curso da vida, renova as "águas" e traz provisão no tempo e momento certo. 

 Deus nos abençoe, em nome de Jesus. 

* Fontes: Allen, Clifton. Comentário Bíblico Broadman. JUERP. 1994/ Bíblia Sagrada Nova Tradução na Linguagem de Hoje, SBB, 2012/ Gemini IA/ Imagem Pixabay

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