Wilma Rejane
Um helicóptero sobrevoou a cidade jogando brinquedos, ouvi o barulho das crianças e sai até o portão. Eram dezenas delas carregando bolas coloridas e apesar de não caber mais presentes nas pequenas mãozinhas, olhavam sorridentes para o céu aguardando mais novidades. Os adultos também se mostravam surpresos e felizes, afina,l um gesto de tamanha bondade era raro de se ver, quem sabe somente de ano em ano, no Natal, quando os corações ficam mais solícitos a doação.
A cena me fez refletir sobre Deus e Sua bondade. Todos os dias Ele envia presentes do céu para cada um de nós. Alguns reconhecem que tudo provêm do favor Divino, os bens mais preciosos que de tão acostumados que estamos com eles, sequer lembramos de agradecer : o ar que respiramos, a brisa que balança as folhas das árvores, os sorrisos que atravessam nossos caminhos. E estamos sempre aguardando mais do que nos falta ou do que temos de sobra.
Tudo é milagre, mas não nos damos conta, até que a ausência de qualquer coisa nos assalte e percebamos o imenso valor do que se perdeu. Usando um exemplo próximo e real, meu amado esposo Franklin quebrou um ossinho do pé direito chamado quinto metatarso, faz dois meses e já está recuperado, mas ficou a lição: o pequeno se tornou gigante e tivemos que mudar toda rotina. Quanta falta fez caminhar!
Durante esse período, constatamos o desprezo das instituições para com os cadeirantes: dificuldade para encontrar rampas, preferência em filas, cadeiras de rodas em péssimo estado disponível nos supermercados (para quem chega de carro e usa só para se movimentar nos corredores do mercado), empurrei uma cadeira com pneu furado . E só nos demos conta da dimensão do problema, quando passamos por ele. Todos os dias pessoas com necessidades especiais são ignoradas em seus direitos de ir e vir, mas como estamos tão ocupados conosco, não nos incomoda.
E essas lições fazem falta em nossas igrejas. Imploramos por milagres, coisas grandiosas e sobrenaturais, enquanto isso o sobrenatural milagre do amor e da gratidão está distante, perdido em lugares sedentos e secos que aguardam pelo menos gotas de águas que sejam. Estamos como as crianças com olhos fitos no céu, de mãos cheias e querendo mais. E se pelo menos nossos corações tivessem a pureza da infância, o mundo seria outro, nós seríamos o outro, o amor seria viver e não 'troco'.








