Nos dias de adversidades (Eclesiastes 7:14)



Por Philip Ryken
Em Reforma 21

Confiar na bondade soberana de Deus nos ajuda a saber como responder a todas as alegrias e provações da vida. Quer estejamos tendo um dia bom ou um dia ruim, sempre há um meio de glorificar a Deus. Assim o pregador diz: “No dia da prosperidade, goza do bem; mas, no dia da adversidade, considera em que Deus fez tanto este como aquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.” (Ec 7:14).

Alguns dias são cheios de prosperidade: o sol está brilhando, os pássaros cantando, há comida na mesa e dinheiro no banco. Se há trabalho a fazer, é o tipo de trabalho que você gosta de fazer. Se está tirando o dia de folga, você pode gastá-lo da maneira que deseja, com as pessoas que você ama. Todo dia assim é um presente de Deus que nos chama para nos alegrarmos.

Mas nem todo dia é assim. Alguns dias o sol não está brilhando, os pássaros não estão cantando e nada parece estar certo com o mundo. Pode haver comida na mesa, mas não há dinheiro no banco. O trabalho é uma chatice, as férias são entediantes, e você pode sentir que não tem um amigo no mundo. No entanto, este dia também é um dia que vem da mão de Deus, um dia que está sob seu controle soberano. O Pregador não tem o ânimo para nos dizer para sermos alegres em um dia tão difícil, mas ele nos chama a uma sábia consideração dos caminhos de Deus. Quando a adversidade chegar, reconheça que também este é o dia que o Senhor fez: “temos recebido o bem de Deus”, perguntou Jó no dia de sua adversidade, “e não receberíamos também o mal?” (Jó 2:10). Não, devemos reconhecer que os dias bons e maus vêm das mãos de Deus.

As tragédias da vida...

Bombeiro socorrista em Brumadinho 2019



Wilma Rejane

A vida só existe porque também há morte; inversos que tragicamente se completam para dar continuidade a espécie humana. Como o dia, em que brilha o sol, devolvendo o azul claro do céu, tão somente porque existe a noite. E a alegria só se torna possível porque há tristeza. A vida pode parecer óbvia, mas é indecifrável pela presença do inesperado.  E os inesperados da vida, muitas vezes, são considerados tragédia.

O que de fato é uma tragédia? A palavra " tragoedia" tem origem grega e era aplicada a festas em que o canto, a música, era a principal atração. Porém, e de repente, surgia entre os cantores, um animal chamado bode. "tragos = bode e oedia =canto". Portanto, tragédia se caracteriza como uma grande e alegre festa, de final triste, porque o bode era sacrificado como forma de punição por devastar as videiras dos deuses festivos. Tragédia é tudo que se opõe a alegria. É o elemento inesperado que devasta o riso (simbolizado pelo vinho, videira). É o sacrifício da vida embutido de angústia pela perda; o riso se vai e a tristeza ocupa seu rastro, transpondo um caminho desconhecido.

Brumadinho, uma tragédia anunciada

Bombeiros em resgate, Brumadinho 2019


Por João Cruzué

Análise  do  Blogueiro:

Você sabe quantas barragens prontas para mais um desastre existem na região do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais? Não é muito difícil contar. Basta abrir o Google Maps e  ver as fotos do satélite.  Em três anos já foram dois desastres. As barragens da SAMARCO em Mariana e as três barragens da VALE DO RIO DOCE que estouraram hoje em Brumadinho. As serras das Alterosas estão cheias de feridas profundas. Dali saem todo dia, toneladas e mais toneladas de minério. O preço de cada tonelada de pelotas com teor de 62% de ferro, exportada em janeiro/2019, colocada lá no porto de Shangai, é de aproximadamente R$ 275,00 (USD 72.97 x R$ 3,77). 

Se você tirar  dessa receita  de R$ 275,00 os custos de:

1. Extração do minério, 
2. Lavagem do cascalho,
3. Transformação em pelotas, 
4. Custo de manutenção das barragens,  
5. Transporte até o porto de Tubarão em Vitória-SP, 
6. Transporte de navio até o porto de Shangai na China.

Acho que resta lucro algum. A não ser que você reduza custos em alguma dessas fases. Por exemplo, na manutenção das barragens. Dessa forma, quem sabe sobre uns 2 centavos! Naturalmente, estou sendo muito otimista.

De estouro em estouro de barragens, de mara de lama em mar de lama, de Bento Rodrigues em Bento Rodrigues, de Pousada Nova Estância em Pousada Nova Estância, a conta da economia  em manutenção de barragens A Companhia Vale do Rio Doce e afins,  vão formando uma reserva que dá e sobra para cobrir eventuais contenciosos.

Homem-Aranha e os conflitos da igreja atual



Deus no Gibi

Em agosto de 1962 chegava às bancas dos Estados Unidos a primeira história em quadrinhos do Homem-Aranha. Criado por Stan Lee e Steve Ditko, o personagem trazia uma nova temática aos gibis: os problemas comuns do ser humano.

Até então, quem lia revistas de quadrinhos nunca havia encontrado histórias nas quais o personagem tivesse a preocupação de pagar as contas no fim do mês. Ou que enfrentasse problemas para conseguir agradar a namorada. Muito menos que tivesse que driblar os valentões da escola, que o humilhavam diariamente.

E o que os criadores do Homem-Aranha fizeram foi justamente explorar esses dilemas com os quais todos vivemos, em aventuras de combate ao crime. O resultado foi tão espantoso que a fórmula se repetiu em diversas revistas. A partir daí, não era mais possível imaginar um super-herói sem crises emocionais, traumas e medos.

O interessante é que em algumas igrejas estamos vivendo um momento absolutamente inverso a tudo que pode explicar o sucesso do Homem-Aranha.

Quando derrotas se tornam em vitória



João Cruzué

Não importa quantas batalhas da vida você perde; o importante é, no final, ganhar a guerra. Conta uma lenda que Einstein certa vez, brincando sobre conceitos da Relatividade, disse mais ou menos isso: Fique uma hora com a pessoa que você ama e vai parecer que foi um minuto, coloque a mão sobre a chama de uma vela por um minuto, e vai parecer que foi uma eternidade. Quero escrever sobre a relatividade das perdas, quando você anda na presença de Deus.

Susan M. Boyle ficou muito deprimida quando perdeu a final do concurso Britain's Got a Talent. Um concurso de calouros realizado pela Rede de Televisão britânica ITV. Ela passou quatro dias internada na psiquiatria, chateada pela divulgação de um número de telefone errado que a produção do programa divulgou. Por causa dessa trapalhada o primeiro lugar do concurso foi para o grupo de dança Diversity.

Alguma vez, nestes últimos três anos, você já ouviu falar do Diversity? Em termos mundiais, do que lhe valeu o primeiro lugar? Foi uma vitória relativa. Já com a divulgação da música " I dreamed a Dream" Susan Boyle, a que ficou em segundo, se tornou conhecida mundialmente da noite para o dia. Mudou-se para os Estados Unidos, gravou pela Sony Music e vendeu 10 milhões de cópias desse álbum de novembro/09 a setembro/10. Em uma semana - de 23 a 30 de novembro de 2009 vendeu mais 8 milhões de cópias, recorde levado para o Guiness Book.

Nelson Piquet, o brasileiro tricampeão mundial de F1, disse uma célebre Frase: "Quem fica em segundo é o primeiro dos perdedores." Mas, quando Deus tem um compromisso com você, isso também é relativo, Susan Margareth Boyle é a exceção mais destoante.

Steve Jobs era o gênio por trás da Apple, a companhia que criou o primeiro microcomputador pessoal. Sua liderança era inegável, mas sua arrogância; insuportável. Foi despedido pelos próprios sócios. Este prejuízo e abandono foram decisivos para que ele reencontrasse o caminho para cima. Foi aceito anos depois na antiga companhia, trabalhou, criou, fez as escolhas certas e, no ano passado, antes de morrer, a Apple era a empresa mais valiosa do mundo, cerca de 391 bilhões de dólares.

Quero dar também dois testemunhos pessoais. Em 1996 eu estava vendendo o ponto de um comércio onde minha esposa e eu não fomos bem sucedidos. Na hora de passar o ponto à frente, porque o tínhamos comprado (e caro) o locador disse assim: "Vocês podem vender, mas na hora de combinar o aluguel com o novo dono eu vou dobrar o preço." Como deu para perceber, ele iria melar todo o negócio. Saímos no prejuízo. Na época, uns R$ 4.500,00. Hoje, 15 anos depois, uns R$15.000,00. Saímos no prejuízo. Uma kombi velha de um amigo retirou nossas mercadorias e móveis e entregamos o ponto ao seu locador. Uma semana depois, surgiu um trabalho para mim. Ganhei R$9.000,00. O dono daquele ponto ficou seis anos sem conseguir locá-lo.

Em 2025, não te esqueças de mim!

Flor Não-te-esqueças-de-mim.


Wilma Rejane

Os jardins são ambientes que geralmente nos fazem bem: respirar um ar mais puro, contemplar a beleza e diversidade das plantas, perceber os maravilhosos detalhes da criação de Deus no desabrochar das flores. Sempre gostei de jardins e hoje, no findar do ano de 2018 e inicio de 2019, utilizo a metáfora da pequena flor  “Não-te-esqueças-de-mim” para lhes trazer uma encorajadora mensagem de ano novo. Uma mensagem que primeiramente tocou meu coração.

Você conhece a flor Não-te-esqueças-de-mim? Ela é muito pequena, tem cinco pétalas e geralmente está em ramalhetes de variadas cores: tons de azul, lilás, branca e outras. É uma flor que está nos jardins de todo o mundo e no Brasil também é conhecida por Miosótis. Há uma parábola alemã que diz que quando Deus havia acabado de nomear todas as plantas, uma foi deixada para trás, sem nome, até que uma suave voz exclamou: “Não Te esqueças de mim, ó Senhor Deus”. Deus respondeu que assim chamaria aquela flor.

A parábola alemã tem o objetivo de relembrar a sublime história que torna conhecida a flor em alguns países. E nessa mensagem, aproveito o fato dessa pequenina flor ter cinco pétalas para enfatizar cinco coisas que devemos guardar sempre no coração, cinco coisas que como filhos de Deus não podemos esquecer. Assim o “Não- te- esqueças- de- mim” que dá título à mensagem, além de ser uma referência a flor de mesmo nome, é como uma súplica fundamentada no Evangelho de Cristo, nosso Senhor.

Depoimento de um leitor sobre o Blog A Tenda na Rocha




Boa noite Wilma Rejane,

        Aqui é o Gabriel, tenho 24 anos e moro atualmente na cidade de Joinville. Faz alguns anos que acompanho o seu blog "A Tenda na Rocha" que para mim foi uma direção concebida pelo próprio Espírito Santo para minha jornada com Cristo.  Faz três anos que conheci o Evangelho - digo conhecer no sentido de aceitar-,  e foi através do seu blog que realmente fui obter intimidade com Deus. O primeiro estudo que li foi "O Preço da Renúncia" que é o meu favorito, pois, foi através deste que eu vim a me converter renunciando minha vida e vivendo para Cristo. 

Wilma, apesar de não conhece-la pessoalmente saiba que tenho um grande apreço por sua história e dedicação ao Evangelho. Agradeço a Deus primeiramente pelos inúmeros e incontáveis gestos de amor que tem conosco e a você por transmitir a Palavra com tanta maestria e esmero. Que Deus cada vez mais venha ser louvado por sua vida!

Muito obrigado,

Do seu leitor,
Gabriel

Maria havia esquecido...




Era madrugada de domingo e ela acabara de chegar ao cenário que, a primeira vista, se apresentava desconcertante. Maria emudeceu. Diante do sepulcro aberto e vazio as dúvidas a atormentavam, seu coração palpitava e seus olhos encheram-se de lágrimas. Seu Mestre havia sido levado, pensava ela.É curioso notar que ao longo de três anos caminhando lado a lado com Jesus, ouvindo-o dizer inúmeras vezes que três dias após sua morte Ele ressuscitaria para cumprir o plano pré-determinado por Seu Pai, em nenhum instante Maria pensou nesta hipótese. A ideia de ressurreição para o judeu do século I era tão ou mais absurda do que é para nós, hoje, no século XXI. Fato é que nenhum daqueles que durante três anos andaram e ouviram Jesus de Nazaré estavam de campana em frente ao sepulcro em que Ele fora sepultado aguardando sua ressurreição naquele maravilhoso e histórico domingo na cidade de Jerusalém.

Lá estava Maria, perdida, atônita! Completamente dominada pela circunstância. Ela havia esquecido-se das palavras de seu Mestre. Esqueceu-se de crer. De repente, eis que surge a pergunta: Mulher, por que choras? Era Ele. O Cristo Ressurreto que escolhera revelar-se glorificado naquele exato momento pela primeira vez e a uma mulher, bendita mulher. Mas não foi suficiente. Mesmo diante do Rei dos reis, ressurreto e glorificado, ela não pôde ver. Confundiu-o com um jardineiro qualquer e aflita perguntou: onde puseram meu Senhor? Estava cega, havia perdido completamente o fundamento no qual tinha construído toda sua vida.

Pequenos presentes de grande valor



Wilma Rejane


Um helicóptero sobrevoou a cidade jogando brinquedos, ouvi o barulho das crianças e sai até o portão. Eram dezenas delas carregando bolas coloridas e apesar de não caber mais presentes nas pequenas mãozinhas, olhavam sorridentes para o céu aguardando mais novidades. Os adultos também se mostravam surpresos e felizes, afina,l um gesto de tamanha bondade era raro de se ver, quem sabe somente de ano em ano, no Natal, quando os corações ficam mais solícitos a doação.

A cena me fez refletir sobre Deus e Sua bondade. Todos os dias Ele envia presentes do céu para cada um de nós. Alguns reconhecem que tudo provêm do favor Divino, os bens mais preciosos que de tão acostumados que estamos com eles, sequer lembramos de agradecer : o ar que respiramos, a brisa que balança as folhas das árvores, os sorrisos que atravessam nossos caminhos. E estamos sempre aguardando mais do que nos falta ou do que temos de sobra.

Tudo é milagre, mas não nos damos conta, até que a ausência de qualquer coisa nos assalte e percebamos o imenso valor do que se perdeu. Usando um exemplo próximo e real, meu amado esposo Franklin quebrou um ossinho do pé direito chamado quinto metatarso, faz dois meses e já está recuperado, mas ficou a lição: o pequeno se tornou gigante e tivemos que  mudar toda rotina. Quanta falta fez caminhar!

Durante esse período, constatamos o desprezo das instituições para com os cadeirantes: dificuldade para encontrar rampas, preferência em filas, cadeiras de rodas em péssimo estado disponível nos supermercados (para quem chega de carro e usa só para se movimentar nos corredores do mercado),  empurrei  uma cadeira com pneu furado . E só nos demos conta da dimensão do problema, quando passamos por ele. Todos os dias pessoas com necessidades especiais são ignoradas em seus direitos de ir e vir, mas como estamos tão ocupados conosco, não nos incomoda.

E essas lições fazem falta em nossas igrejas. Imploramos por milagres, coisas grandiosas e sobrenaturais, enquanto isso o sobrenatural milagre do amor e da gratidão está distante, perdido em lugares sedentos e secos que aguardam pelo menos gotas de águas que sejam. Estamos como as crianças com olhos fitos no céu, de mãos cheias e querendo mais. E se pelo menos nossos corações tivessem a pureza da infância, o mundo seria outro, nós seríamos o outro, o amor seria viver e não 'troco'.