Autor: João Cruzué
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Você sabe o que fazer quando uma grave crise se abate inesperadamente sobre você ou sua família? Esta é uma pergunta cuja resposta você só descobre depois de passar pela tempestade. Geralmente, ninguém tem um plano "A" para coisas inesperadas. Neste post, eu gostaria de deixar algumas experiências aprendidas em tempos de crise. Minha expectativa é que isto seja útil para quem, pelo caminho das coincidências, venha a passar por aqui. Bem-vindo!
Vou começar, relatando uma série de formas de crises.
Em 1993, quando eu me vi desempregado, não sabia que aquele problema iria durar por 11 longos anos. Pai de família, duas filhas pequenas e uma tremenda mudança. Como nos dias do profeta Elias, as águas do ribeiro foram secando, secando...A chamada crise financeira chegou. Mas tem crises piores.
Não faz muito tempo, em uma visita a trabalho que fiz, em uma cidade do Grande ABC, conheci uma senhora de uma Igreja evangélica tradicional. Ela dirigia uma instituição dedicada a cuidar de autistas. Ela ainda era jovem, mas mostrou-me seu filho, autista, com 30 anos, que nunca havia falado. Ela relembrava sua adolescência rebelde, e achava que sua crise tinha a ver com o passado. Eu tenho certeza de que não era isto. Ela passava pelas mesmas provações de Jó e alguém tentava colocar pensamentos em sua mente como se fossem os dela.
Em outro caso, tive a rica oportunidade de conhecer, e trabalhar junto com uma colega servidora do Estado entre 2012 e 2013. Ela estava prestes a completar 70 anos e o tempo custa a passar. Aposentou-se . Um ano depois, teve um problema de saúde que a levou à morte. O que durante os últimos anos ela achava que era diverticulite, era um câncer de ovário que ia se alastrando por todo intestino. A situação complicou-se e ela foi internada no Hospital Nove de Julho, em frente à FGV de São Paulo. Ela soube da verdade apenas um dia antes de falecer.
Em Junho de 2015, minha filha começou a enfrentar uma dor nas costas. A dor foi aumentando, aumentando até que ultrapassou o limite de tolerância. Ela tratou de buscar ajuda em um pronto-socorro do Hospital do Estado. Ela chegou de tarde e eu passei por lá no começo da noite. Depois de umas cinco horas, a médica a chamou e depois, estranhamente, também chamou a mim e disse algo inesperado.
--O Senhor é o pai desta moça? Lamento dizer, mas ela precisa ser internada. Minha filha não estava preparada para ouvir aquele "palavrão". Seus olhos ficarem vermelhos, depois, molhados e me fez um pedido dramático: Pai, eu não quero ficar aqui, eu quero ir para casa! Exemplo típico de crise de saúde.
No final da década de 90, uma parente de Rondônia foi acometida de uma hemorragia no colo do útero. Para não morrer à míngua por falta de um hospital naquele Estado, na época, minha tia a trouxe de avião e conseguiu uma vaga no Hospital São Paulo, da UNIFESP. Ela não sabia que ficaria deitada em um leito de hospital por 69 dias, de barriga para cima, nem que usaria 42 bolsas de sangue. Era 1998. Neste mesmo ano morreram de câncer: Linda McCartney e o cantor sertanejo Leandro. Minha parente passou pelo vale da sombra da morte, mas não morreu.