A Jericó de cada dia



Wilma Rejane


“Vós pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando a cidade uma vez; assim fareis por seis dias….Porém, ao povo Josué tinha dado ordem, dizendo: Não gritareis, nem fareis ouvir a vossa voz, nem sairá palavra alguma da vossa boca, até ao dia em que eu vos diga: gritai! Então gritareis”. Josué 6: 3-10.


O livro de Josué tem sido a minha leitura, por dias e dias. As palavras ali escritas têm me fortalecido de um modo que somente Deus poderia fazer. Glória ao Senhor! E foi exatamente o versículo chave com o qual iniciei o artigo que me fez mudar de atitude em relação ao modo de me comunicar com Deus. Depois de ler sobre o silêncio do povo rodeando a cidade, fiquei a pensar no sentido e significado da ordem de Josué.

Ora, Josué estivera com Moisés e o povo no deserto, era conhecedor das consequências advindas dos murmúrios e lamentações, atitudes que desagradara profundamente a Deus. O tempo no deserto fora aumentado, não se sabe o plano inicial de Deus em relação ao período de caminhada, o certo é que aquele povo ficou 40 anos dando voltas e mais voltas. Tantos sinais e maravilhas realizados por Deus, como prova de amor e cuidado e parecia ser insuficiente.

Podemos considerar absurda a condição de israel no deserto, mas se olharmos para nós, nos dias de hoje, encontraremos semelhanças. Nossas orações, na maioria das vezes são lamentos e petições. No cotidiano, vivemos como se Deus estivesse distante, alheio a nós. Não é de se estranhar que a fadiga mental e o desânimo espiritual nos assaltem. Coisas de humanos, diga-se: de humanos perdidos em suas convicções sobre o Deus da graça e providência.

Livrando a mulher de Jó do banco de réus



"Então sua mulher [de Jó] lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre". (Jó 2.9 - Almeida, Revista e Corrigida)

Sem dúvida alguma, uma das mulheres mais detestadas de toda a Bíblia (senão a mais detestada) é a mulher de Jó. Embora a Bíblia não mencione o seu nome, a tradição conferiu-lhe o nome de Sitis.[1] Todo este sentimento de aversão a ela se deve ao texto citado acima. Apenas para termos uma pequena ideia sobre como a mulher de Jó foi compreendida pela cristandade, cito Francis Andersen, que faz um curioso comentário a seu respeito:

"Os cristãos de modo geral têm sido mais severos com ela [a mulher de Jó] do que os judeus e os muçulmanos. Ela era a aliada de Satanás. Agostinho chamou-a de diaboli adjutrix; Crisóstomo: 'o melhor flagelo de Satanás'; Calvino: organum Satani. Segundo este ponto de vista, ela tentou seu marido a auto-condenar-se ao conclamá-lo a fazer exatamente aquilo que Satanás predissera que faria".[2]

Já o teólogo Russell Norman Champlin, citando Samuel Terrien, menciona o ponto de vista favorável deste autor francês para com a atitude da esposa de Jó. Eis as suas palavras:

"Samuel Terrien (...) interpreta que a esposa de Jó só estava tentando vê-lo morto e livre de sofrimentos, supondo que uma maldição tivesse o poder de eliminar os sofrimentos dele. Em outras palavras, ela era uma antiga advogada da eutanásia. (...) Ela raciocinava que, se Jó amaldiçoasse a Deus, uma retaliação divina mataria o homem, pondo fim aos seus sofrimentos. (...) Terrien chegou a supor que o ato da mulher de Jó tenha sido inspirado pelo amor, por mais ignorante que tenha parecido ser".[3]

Esses comentários, longe de esclarecerem qual era a verdadeira intenção da esposa de Jó ao dizer aquelas palavras ao seu marido, acabam promovendo mais a polêmica do que uma possível solução em torno do assunto. Mas, afinal, que sentimentos levaram a esposa de Jó a proferir palavras tão duras ao seu marido num dos momentos mais difíceis da sua vida (pois ele já havia perdido seus filhos e seus animais, bem como, na presente situação do texto, até mesmo a própria saúde)? Ora, acredito que pesquisar o que o original diz nesse texto pode nos ajudar a tentar solucionar essa questão. Eis o que diz o texto de forma literal:

"E disse a esposa dele a ele: [você] ainda se mantém firme em sua integridade? Abençoe a Deus e morra".[4]

O que os selfies de hoje têm em comum com a igreja de Colossos?

Banco de imagens Google

Wilma Rejane


A epístola de Colossenses reflete um período de sincretismo religioso em que a igreja localizada na cidade de Colossos estava sendo influenciada por doutrinas estranhas e alheias ao cristianismo. Ali haviam gregos, judeus, frígios e indígenas, uma diversidade de nacionalidades onde cada um queria fazer prevalecer sua cultura social. Da filosofia grega ao misticismo oriental tudo estava sendo propagado como formas de bem-estar espiritual sob o pretexto de que nenhuma religião era tão boa quanto a outra.E Paulo escreve àquela igreja falando da superioridade de Cristo em relação a tudo aquilo.

É curioso perceber que mesmo contando com  um dirigente local fiel a Cristo,  chamado Epafras, as pessoas ainda divagavam sobre a realidade das Escrituras, de quem era Cristo e quem eram em Cristo. A causa dessa divagação estava no egocentrismo de alguns irmãos que se negavam a abandonar os velhos costumes querendo aliá-los ao novo modo de vida.

O problema era que não poderia haver novo modo de vida se não houvesse o abandono das práticas do passado, se não houvesse a morte do eu, da história individual em detrimento da história de Cristo. Paulo diz aos Colossenses: “ Já vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou; onde não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre, mas Cristo é tudo em todos” Cl 3: 9-11.

Ou seja: " Cristianismo não é uma doutrina que se adéqua à tradições, o centro não é o que vocês são, mas o que Cristo é."  Cristo que deve habitar em vós de tal forma que vocês  se amoldem a Ele. Não é o lugar de onde vieram, os costumes que receberam, a cultura herdada  que comporá vosso  ser; é Cristo em vós, restabelecendo nova cultura!

E ao olhar para o contexto histórico da igreja de Colossos faço um paradoxo com os dias atuais em que predomina uma espécie de cultura Narcisista, de culto a si mesmo . Narciso era exuberante em aparência, contudo, desprovido de amor pelo próximo. Carregava consigo uma sina: não podia ver sua própria imagem, caso contrário morreria. Mas Narciso viu sua imagem refletida na água e se apaixonou por ela,  ficou tão encantando  que morreu imóvel contemplando-a.

Uma reflexão em I João 3:2



Wallace Sousa

Texto Bíblico: Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos. 1 João 3:2

Nesse único verso estão definidos, destacados e descritos todos os tempos pelos quais você passou, passa e passará. Nele estão presente, passado e futuro.

Observe: ‘agora’ é o tempo presente, é o hoje. Agora é o que você é, que é diferente de ontem. Hoje você deve ser uma pessoa melhor, segundo o entendimento desse versículo. Compare sua vida, hoje, com sua vida pregressa.

Em que áreas de sua vida você evoluiu, cresceu e amadureceu? Compare sua vida com um ano atrás. Houve mudança? Houve progresso? Se não houve, então o que houve foi uma estagnação. E estagnação é perigosa e prejudicial não apenas para você mas também para quem está perto de você.

Você já viu e passou perto de água estagnada? Talvez ela esteja fedendo e com lodo, imprópria para o consumo e para abrigar vida animal. Não é de se admirar que Jesus, ao falar da alegria que Ele dá a quem o conhece e serve, disse que de seu interior fluiriam rios de água viva, ou seja corrente. Seu hoje tem que ser melhor que ontem.

Deus esqueceu de mim?


“... eu não me esquecerei de você!” (Isaías 49.15).

Folhas de outono. Os últimos raios de sol brilham sobre os campos ceifados. Pensativo, seguro uma folha colorida de plátano em minha mão. Caminho pelas folhas secas do chão. Sinto falta das plantações ondulantes de cereais – o amarelo vivo das flores dos campos de colza, o zumbido das abelhas à luz do Sol. Em breve os trajes cinza-pretos do inverno cobrirão o alegre colorido. Isso desperta um pouco de melancolia, de tristeza. Logo se repetirá: preparar os cobertores! Ligar o aquecedor! Acostumar-se aos dias sombrios!

Nessas épocas o inimigo dispõe de alta conjuntura. Quando lá fora está enevoado e turvo, a alma rapidamente entra em baixa. O Diabo agora tem promoções especiais de óculos escuros. Com frequência você verifica a pulsação da sua alma e olha para as ondas revoltas das circunstâncias. E rapidamente a pessoa sente estar em pesadas lutas espirituais, a exemplo de Elias: “Eu sou o único que restou...” (1Reis 18.22).

Talvez o lugar ao seu lado tenha ficado vazio? Os filhos já saíram do ninho aconchegante e alçaram voo próprio? Ficou tudo quieto ao seu redor? Então as suas orações agora possuem valor incalculável. Em pensamentos você acompanha os seus amados e espera que eles andem no caminho correto com o Senhor Jesus. Tenha a firme esperança de que suas orações não são em vão e que, ao final, o Senhor Jesus será vencedor.

Ou o outono tomou conta do seu interior? Então lembre sua alma que você não está só, nem abandonado! Que o Senhor Jesus está ao seu lado e segura a sua mão. Que o onipotente Deus dirige cada passo de sua vida e lhe envolve amorosamente. Que ele o segue e mantém os olhos atentos sobre você. Que os eternos braços dele estão estendidos para evitar que você possa cair. Esses pensamentos não são um ótimo consolo para você?

O que faz Jezabel em Tiatira, igreja no Apocalipse?


Israel Institute
Of Biblical Studies
Blog Parceiro do Tenda na Rocha
Dr. Eli Lizorkin-Eyzenberg

19 ‘Eu sei o que vocês estão fazendo. Sei que tem amor, são fiéis, trabalham e aguentam o sofrimento com paciência. Eu sei que vocês estão fazendo mais agora que no princípio. 20 Porém tenho contra vocês uma coisa: é que toleram Jezabel, aquela mulher que diz que é profetisa. Ela leva os meus servos para o mau caminho, ensinando-os a cometer  imoralidade sexual e a comerem alimentos que foram oferecidos aos ídolos. (Ap. 2:19-20).

Os seguidores do Cristo Judeu na congregação na cidade de Tiatira situavam-se em uma posição muito interessante. O próprio Cristo falou a esta congregação em particular que ele conhecia as suas obras. O conhecimento de Deus do povo de Tiatira poderia ter sido um início terrível de uma acusação implacável; em vez disso, este conhecimento justificou o elogio de Jesus. A lista de suas obras é bastante longa e explícita. Jesus tomou conhecimento do amor, fé, serviço e paciência  em sua vida congregacional em circunstâncias muito difíceis. Ele também os elogiou por aumentar o nível de seu compromisso com a justiça. Não obstante, o versículo 20 mistura um pouco inesperadamente esta celebração com palavras severas de aviso.

A figura de Jezabel é evocada e não é fácil desembaraçar a cadeia da lógica. Para os Israelitas, “Jezabel” era um código para os eventos associados a ela e seu marido Acabe. Após a divisão do Reino Israelita em Reino do Sul (Judá) e Reino do Norte (Israel)  foi dito “Acabe filho de Onri fez mal aos olhos do Senhor mais do que todos os que vierem antes dele.” (I Reis 16:30). Ele teve a distinção de ser o rei mais perverso que já reinou sobre Israel. Por conveniência política e por causa de sua profunda desconfiança do Senhor Deus de Israel, ele se casou com uma filha do rei dos Sidônios – seu nome era Jezabel, que, em Hebraico, ironicamente significa algo como “ele será  lixo.” (I Reis 16:31). 

O vinho e o basilisco em Provérbios 23




Wilma Rejane

" Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. Pois ao final te morderá como a cobra e picará como o basilisco." (Provérbios 23: 31,32) 

Os versos em questão falam sobre os efeitos nocivos da bebida alcoólica, correto? À primeira vista pode parecer que sim, mas em uma análise mais completa do capítulo 23 de provérbios, veremos que essa atrativa taça de vinho e a consequente ressaca diz respeito também a  prostituição.

Provérbios 23:

26 Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos se agradem dos meus caminhos.
27 Pois cova profunda é a prostituta, poço estreito, a alheia.
28 Ela, como salteador, se põe a espreitar e multiplica entre os homens os infiéis.
29 Para quem são os ais? Para quem, os pesares? Para quem, as rixas? Para quem, as queixas? Para quem, as feridas sem causa? E para quem, os olhos vermelhos?
30 Para os que se demoram em beber vinho, para os que andam buscando bebida misturada.
31 Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente.
32 Pois ao cabo morderá como a cobra e picará como o basilisco.
33 Os teus olhos verão coisas esquisitas, e o teu coração falará perversidades.
34 Serás como o que se deita no meio do mar e como o que se deita no alto do mastro
35 e dirás: Espancaram-me, e não me doeu; bateram-me, e não o senti; quando despertarei? Então, tornarei a beber.

Os passos que te dei



Wilma Rejane

Meu esposo Franklin tem preferência por usar tênis no dia a dia. Apenas em ocasiões especiais calça sapatos sociais. E esses dias eu observava seus tênis quando um pensamento me veio: “seus caminhos também são meus, pois sendo uma só carne, por onde andares me carregas contigo e o mesmo acontece comigo”.

Estamos unidos em matrimônio há 32 anos. Frank é o nome que devo ter pronunciado mais vezes nesses anos e em cada passo que dou ele está presente ou fisicamente ou em pensamento. Caminhamos juntos mesmo quando estamos distantes.

Sapato é matéria: envelhece, acaba, algum dia vai parar no lixo. Mas os lugares por onde andamos são decisivos em nossos destinos. Eva, por exemplo, ao caminhar muitas vezes em direção à arvore do conhecimento do bem e do mal, levou junto seu esposo Adão. Se ele sabia ou não dos passos da esposa não está claro na Bíblia, mas claro está que as consequências vieram para ambos.

E é justo ai onde pretendo chegar: de que lugares são as poeiras que se acumulam em nossos calçados? Quantas pessoas estamos carregando em nossas caminhadas? Cada um dará conta de si mesmo a Deus, também daremos conta dos passos que demos, do destino de nossos pés - contradizendo o ditado de que tudo está em nossas mãos –  uma vez que em nossos caminhos estão o entrelaçar dos passos de outros.

Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. João 13:10.


A mulher será salva dando à luz filhos? – I Timóteo 2:15




Algumas passagens se prestam a diferentes interpretações. Nesses casos, temos que analisar o contexto imediato, bem como o contexto geral bíblico, e oferecer aquilo que consideramos a melhor opção, sem ser dogmático. Parto do princípio de que o que perturba nesse texto é o fato de sugerir que a salvação não é pela fé, e que revela uma visão restritiva das mulheres (por exemplo, seu lugar é em casa, criando as crianças).

1. Comentando a Terminologia: Note esses três termos. O primeiro é o verbo “salvar” (no grego, sozo), usado nas Epístolas Pastorais (1 e 2 Timóteo e Tito), para se referir à salvação espiritual concedida por Deus por meio de Jesus (1 Timóteo 1:15; 2:4; 2 Timóteo 1:9). Essa salvação sempre é recebida pela fé. O segundo termo é a preposição “através” (no grego, dia). Tem-se a impressão de que ela introduz um significado para a salvação como, por exemplo, em 1 Coríntios 15:2. O terceiro termo é o substantivo “gravidez” (no grego, teknogonia), cuja forma verbal significa “dar à luz filhos”, estando implícita a dor que acompanha o fato (1 Timóteo 5:14).

2. Variedade de Interpretações: Essas palavras são interpretadas de maneiras diferentes. O verbo “salvar” é usado por alguns com o significado de “manter seguro/preservar”, no sentido de que a vida da mulher será preservada durante o nascimento da criança. Isso dificilmente é defendido, uma vez que muitas mulheres cristãs morreram ao dar à luz. Outros introduzem ideias não encontradas no texto. O substantivo “gravidez” tem sido usado para designar o nascimento do Messias. As mulheres serão salvas por meio do nascimento do Filho prometido a Eva. Isso, porém, embora possível, vai muito além do texto. Muitos retêm a leitura tradicional (“a mulher será salva dando à luz filhos”), mas interpretam o advérbio “através” de maneiras diferentes. Uma delas é que a mulher é salva, “apesar de dar à luz com dores” (é a circunstância que acompanha a salvação, não o motivo), ou que elas serão salvas pela virtude de cumprir seu papel de mãe.