Alimentando a esperança

 


Wallace Sousa

Lembro-me dos dias antigos; considero todos os teus feitos; medito na obra das tuas mãos. Salmos 143:5

Não sei você, mas quando eu ficava lembrando do passado geralmente  recordava situações difíceis e complicadas, problemas que me tiravam o sono e  me deixaram marcas profundas. Mas ao ler esse verso eu percebo que a vida e, principalmente o passado, não é feito só de coisas e de lembranças ruins. Se eu parar para pensar e começar a refletir, no meu passado não existem apenas lembranças desagradáveis e coisas que me esforço pra esquecer e ficam, teimosamente, voltando para me assombrar.  

De modo algum. Posso olhar para o passado e remexer minhas memórias e, de lá, tirar grandes coisas que Deus fez e ser alimentado e renovado pela promessa cumprida ou pelo milagre ocorrido. Se eu parar e meditar agora, há tantas situações em que Deus se fez presente em minha vida e lembrar dessas coisas me traz um revigoramento espiritual e emocional que eu ignorava ou desprezava. 

O Refúgio de um Pai


Wilma Rejane 

O Senhor está perto dos que têm coração quebrantado e salva os de espírito abatido. Salmo 34:18.

​O Dia dos Pais é frequentemente celebrado com alegria, risadas e muitas homenagens. Mas, para muitos pais, este dia carrega um peso enorme. A dor do luto, de um relacionamento rompido, o peso de uma dificuldade financeira ou a exaustão de lidar com uma doença ou luta silenciosa em sua família. 

Enquanto o mundo diz aos pais que eles devem ser sempre fortes, inabaláveis e mantenedores da certeza, Deus faz um convite muito diferente: Ele pede para irmos até Ele quando estivermos cansados.

​Nas Escrituras, Deus Se revela como Pai, significa que Ele entende o profundo investimento emocional, as noites em claro e o amor que o pai tem pelos seus filhos. Mais importante ainda, Ele entende de desilusão e dor no coração.

Oito Aspectos Sobre Salvação

João Cruzué 


Oséias foi o profeta do Antigo Testamento que registrou esta triste constatação de Deus: O meu povo foi destruído porque lhe faltou o conhecimento. Ao rejeitar o conhecimento [da vontade de JEOVÁ], Israel também foi rejeitado por Deus. 

Ao se esquecer da LEI do SENHOR, o SENHOR DEUS também se esqueceu do Seu povo (Oseias 4:6). Como solução, o profeta deu este conselho: Vinde e tornemos para o SENHOR, porque ele castigou, mas sarará a ferida. Depois de um tempo nos dará a vida e ao terceiro dia ressuscitará e viveremos diante dele (Oseias 6:1-2).

Depois desta curta introdução, a proposta desta meditação é a seguinte: em tempos de tanta disponibilidade e facilidade em adquirir o conhecimento, nunca tantos crentes conheceram tão pouco a vontade do SENHOR. Isto, hoje, seria um paradoxo.

O conhecimento de Deus não é teórico nem litúrgico. Trata-se de um conhecimento relacional, existencial, vivido. 

Conhecer o Senhor implica andar com Ele, submeter-se à sua vontade, aceitar o peso ético da aliança. O drama do texto é que Israel sabe dizer as palavras certas, mas não sustenta a prática correspondente. O versículo revela uma teologia correta na boca de um coração instável. Há discurso de maturidade, mas ausência de permanência.

O apóstolo Pedro também se preocupou com este assunto: Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo... (II Pedro 3:18). Mas foi Paulo quem escreveu, na Carta aos Efésios, esta palavra magnífica: Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações, para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação (Efésios 1:16-17).

O que precisamos conhecer a respeito do SENHOR Jesus Cristo? Esta é a pergunta-chave!

Palavras de disciplina, quem ouvirá?


Wilma Rejane

Este é um breve artigo, com alguns links úteis, que pensei em publicar para deixar registrado em modo resumido e também como alerta aos que crêem.

No ano de 2022, escrevi nos comentários de uma postagem, que Deus havia me dado uma Palavra sobre o Brasil. De que forma recebi a Palavra? 

Eu estava em dias de jejum e oração pela nação. Quando encerrei o jejum, ouvi: "Leia os livros do profeta Jeremias e do profeta Ezequiel. Você encontrará as respostas que procura para a nação."

A dúvida da ciência e a certeza da fé

 


Wilma Rejane 


A fé tem uma inimiga declarada: a dúvida que em grego se traduz como “diakrino” (strong 1252) indicando "separar dois elementos, componentes ou valores", também sugere "hesitação entre esperança e medo".  Apostolo Tiago compara um coração duvidoso às ondas do mar, levadas de uma direção a outra pela força do vento Tiago 1:6. 

Na filosofia, dúvida é principio de sabedoria porque através dela são estabelecidos métodos de introdução  às respostas concretas. Descartes é o criador da  “duvida metódica” que sugere duvidarmos  de tudo para enfim chegarmos  a certeza das coisas: “penso, logo existo” é  a máxima do pensamento cartesiano  que coloca a razão no centro do viver. "Eu duvido, logo penso, logo existo".

O pensar em Descartes é concreto, pois remete à existência física.  Em Descartes temos, assim, um vislumbre do conflito que perdura por séculos por selecionar binariamente fatores sobre "pensar a existência a partir da própria existência, concreta, visível, palpável", mas o fundamento da fé é invisível, por isso deixará de ser concreto, pensado, racionalizado?  Fé se fundamenta no invisível: “ora a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem” Hebreus 11:1. 

Enquanto a ciência necessita da dúvida para chegar ao concreto, a fé tem como principio a certeza em coisas não concretas, invisíveis, ainda não realizadas no plano físico. Ninguém precisa de fé para acreditar que os sinais de trânsito existem, eles são visíveis, estão dispostos nos cruzamentos e diariamente olhamos para eles. Entretanto, necessitamos de fé para confiarmos que Deus está nos ouvindo hoje, no sussurro de nossas palavras, pensamentos e que está cuidando de nós mesmo quando nos sentimos sozinhos.
 
Deus invisível é tão verdadeiro para os que têm fé que passa a ser concreto e se Ele é concreto é existência real, necessária. “De fé em fé se descobre a justiça de Deus, porque está escrito: o justo viverá pela fé” Rm 1:17. A fé se firma no túmulo vazio de Jesus, na cruz que outrora O sustentou, mas que agora se ergue sem Ele, que ressuscitou! Na fé, é Ele quem nos sustenta. A fé se fundamenta em promessas que parecem distantes, tão antigas que estavam presentes na fundação do mundo, tão modernas que estarão presentes também no final apocalíptico com a ciência multiplicada. É do túmulo vazio que ecoa a promessa eterna: " Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Derradeiro, o Princípio e o Fim" Apocalipse 22:13.

Nos tempos difíceis


Tony Cooke

No Antigo Testamento, os inimigos do povo de Deus cometeram um sério erro de cálculo. Depois de terem perdido a batalha contra os Israelitas, os conselheiros do Rei da Síria disseram: "Seus deuses são deuses dos montes. Por isso, eles foram mais fortes do que nós, mas se lutarmos com eles na planície, com certeza seremos mais fortes do que eles" I Reis 20:23

Quando estavam prontos para atacar o povo de Deus, usando sua nova estratégia, Deus veio com uma surpresa para eles: "Então um homem de Deus veio e falou ao rei de Israel: "Assim diz o Senhor: Porquanto os sírios disseram: 'O senhor é Deus dos montes, mas ele não é Deus dos vales,vou entregar toda essa multidão em sua mão, e sabereis que eu sou o Senhor'" I Reis 20:28

Os sírios tinham a idéia de que Deus era "territorial", restrito em Sua habilidade de defender seu povo. Eles pensaram que Deus era apenas um Deus dos montes, mas Deus quer que saibamos que Ele é Deus dos montes, das planícies e vales! Como isso se aplica às nossas vidas?


A economia na multiplicação de pães e peixes

Wilma Rejane

Elaborei outros estudos sobre a primeira multiplicação de pães e peixes, porém, desta vez, abordarei detalhes não explorados anteriormente. Pretendo aqui examinar o milagre sob o ângulo : “o que Jesus nos ensina sobre economia?” 

Para alguns é um contraste falar em fé, milagres e economia. Há quem considere mercados e capitais coisas terrenas e materiais. Ora, gerenciar bem os recursos terrenos é uma questão de mordomia, termo absolutamente Bíblico.

Mordomia:  Manejo responsável dos recursos do reino de Deus que foram confiados a uma pessoa ou a um grupo.

Existem muitas passagens Bíblicas sobre mordomia, para simplificar o estudo, escolhi apenas uma:

“ E qualquer que não levar a sua cruz, e não vier após mim, não pode ser meu discípulo. Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar? Para que não aconteça que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a escarnecer dele, Dizendo: Este homem começou a edificar e não pôde acabar. “Lucas 14:27-30

O discípulo  na passagem acima é alguém que planeja, alicerça, edifica e realiza sem desperdícios. É alguém que arca com as consequências das renúncias feitas com base na fé em Cristo.  As ações revelam mordomia, pois, não são aleatórias e irresponsáveis.

A Identidade no Fogo da Provação: O Exemplo de Jó



Melissa Troutman

​As Escrituras nos apresentam o retrato de um homem que conheceu a dor profunda e a privação: Jó. O livro que leva seu nome começa descrevendo não a sua riqueza, mas o seu caráter:

​"Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este homem era íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal." — Jó 1:1

​Embora fosse extraordinariamente rico, a narrativa prioriza quem Jó era por dentro. Ele era completo em sua moralidade, reto e temente a Deus. Logo em seguida, conhecemos sua família numerosa — sete filhos e três filhas, símbolo de plenitude e bênção naquela cultura — e, por fim, seus imensos bens materiais, que o tornavam o maior homem do Oriente (Jó 1:2-3). Jó tinha tanto caráter quanto prosperidade. Ele tinha tudo.

​Até que, com a permissão divina, Satanás o testa. Em um único dia, Jó perde seus filhos, seus servos e todos os seus bens, reduzidos a cinzas. Pouco depois, perde também a saúde.

​O que chama a atenção é como Deus o descreve após essas perdas devastadoras:

​"Então o Senhor disse a Satanás: 'Observaste o meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal. Ele se mantém firme na sua integridade...'" — Jó 2:3

​Deus usa exatamente as mesmas palavras do início da história (Jó 1:8). Isso nos mostra que o caráter de Jó permaneceu inabalável. Fosse desfrutando da abundância ou assentado sobre as cinzas da escassez, ele continuava sendo o servo fiel de Deus.

​Se alguém tinha motivos para sofrer uma crise de identidade, era Jó. Ele deixou de ser empresário, pai, líder e homem saudável. Seus amigos mal o reconheceram tamanha era a sua desfiguração. Jó chorou, lamentou e fez perguntas profundas nascidas de uma dor agonizante. Contudo, mesmo na escuridão, ele adorou e se apegou ao seu Redentor. O que permitiu a Jó erguer mãos vazias em adoração foi o fato de sua identidade estar firmada unicamente em Deus.

O encontro

 

Wallace Sousa 

 E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados. Jeremias 31:34

Esse versículo, preciso confessar, me custou um certo tempo refletindo o que se poderia extrair dele para um devocional pessoal. Alguns versículos não são trabalhosos e a lição está bem evidente, à flor d’água, digamos assim.

Não é o caso desse, pelo menos para mim: tive que cavar um pouco para descobrir algo relevante. Mas, se para você foi fácil, meus parabéns porque seu nível de leitura e entendimento bíblico está bem aguçado. Dito isso, vamos para as preciosas lições de hoje.

Conhecer, biblicamente falando, possui vários significados, como já disse em outro devocional e, geralmente está relacionado a uma situação de intimidade e mútuo conhecimento. E eu posso vislumbrar algo aqui que não está tão evidente, na superfície, mas patente após uma análise mais detida. 

As adversidades da vida


Philip Ryken

Confiar na bondade soberana de Deus nos ajuda a saber como responder a todas as alegrias e provações da vida. Quer estejamos tendo um dia bom ou um dia ruim, sempre há um meio de glorificar a Deus. Assim o pregador diz: “No dia da prosperidade, goza do bem; mas, no dia da adversidade, considera em que Deus fez tanto este como aquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.” (Ec 7:14).

Alguns dias são cheios de prosperidade: o sol está brilhando, os pássaros cantando, há comida na mesa e dinheiro no banco. Se há trabalho a fazer, é o tipo de trabalho que você gosta de fazer. Se está tirando o dia de folga, você pode gastá-lo da maneira que deseja, com as pessoas que você ama. Todo dia assim é um presente de Deus que nos chama para nos alegrarmos.

Mas nem todo dia é assim. Alguns dias o sol não está brilhando, os pássaros não estão cantando e nada parece estar certo com o mundo. Pode haver comida na mesa, mas não há dinheiro no banco. O trabalho é uma chatice, as férias são entediantes, e você pode sentir que não tem um amigo no mundo. No entanto, este dia também é um dia que vem da mão de Deus, um dia que está sob Seu controle soberano. O Pregador não tem o ânimo de nos dizer para sermos alegres em um dia tão difícil, mas ele nos chama a uma sábia consideração dos caminhos de Deus. Quando a adversidade chegar, reconheça que também este é o dia que o Senhor fez: “temos recebido o bem de Deus”, perguntou Jó no dia de sua adversidade, “e não receberíamos também o mal?” (Jó 2:10). Devemos reconhecer que os dias bons e maus vêm das mãos de Deus.

O Pregador diz ainda que é impossível para nós sabermos o que acontecerá no futuro. Considerando o que ele disse no início do versículo 14, podemos supor que os justos são os que prosperam, enquanto os maus sempre sofrem adversidades. No entanto, às vezes ocorre exatamente o oposto: os justos sofrem adversidades, enquanto os ímpios prosperam. Assim, é impossível para nós prevermos o que acontecerá nos próximos dias. Como o pregador diz, “para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.” (Ec 7:14). Não temos como saber se os próximos dias nos trarão mais prosperidade ou mais adversidade.

Carta de Débora, às mulheres desta geração


 Nohemy Vanelli  

Amada irmã, muitas vezes Deus nos chama para posições de liderança e nos coloca à frente de batalhas que não esperávamos lutar. Eu fui juíza e profetiza em Israel, aconselhei meu povo e até liderei uma guerra, mas nunca deixei de ser feminina.

Nunca precisei abrir mão da minha essência para ser forte. A minha força vinha do Senhor e a minha confiança estava firmada Nele. Sim, Barak hesitou, mas não foi por isso que Deus me escolheu.

Ele me chamou porque eu estava disponível, porque Ele encontrou em mim um coração que confiava Nele. Às vezes, nós somos levadas para ocupar espaços que outros temem assumir. Não porque somos melhores, mas porque Deus sabe que Ele pode nos usar.

Talvez você tenha sido chamada para liderar, para tomar decisões, para encorajar e até lutar batalhas que não deveriam ser suas. Talvez, em alguns momentos, tenha sentido o peso da responsabilidade, o desafio de ser forte sem perder a sua feminilidade. Mas lembre-se, ser forte não significa deixar de ser mulher.

Fé e Obras: A Harmonia da Caminhada Cristã

  

Wilma Rejane

​O que é fé? Pessoas de várias religiões respondem de maneira diferente a essa indagação. Para o budista, a fé estaria no esforço para alcançar o Nirvana, na obediência à doutrina das boas ações e da harmonia nos caminhos da vida. Para o hindu, a fé é  banhar-se no Rio Ganges acreditando que aquela água o tornará puro. 

O que leva as pessoas a terem fé? Uma resposta satisfatória pode ser encontrada no desejo contínuo do ser humano por satisfação pessoal; a felicidade estaria condicionada a essa busca pelo sobrenatural. De outro modo, diria que a fé humana é a expressão do Deus Criador em nós: Deus criou a fé para que pudéssemos nos comunicar com Ele e, assim, compreendermos (ainda que de modo incompleto) Seu plano para a humanidade e para cada indivíduo de modo distinto.

​Fé é acreditar que o invisível existente no mundo natural já é uma realidade no plano sobrenatural e que, a qualquer momento, esse sobrenatural se tornará concreto e real aos olhos humanos (Hebreus 11:1). Assim, para crer com esperança, contra toda esperança, é preciso ter fé. 

E se a fé não é algo puramente humano, porque o homem em si não tem o poder da onisciência, da onipresença e da onipotência, julga-se necessário recorrer a um poder maior, dotado de capacidade sobre-humana. Esse poder se chama Cristo, para os cristãos; chama-se Shiva, para os hindus; chama-se Buda, para os budistas. Enfim, pode-se chamar do que a fé de cada um desejar. E aqui entra uma questão-chave: de onde emana minha fé? De um coração puro ou corrompido?

Mudar o padrão


João Cruzué

É muito fácil falar "acalme-se, tenha paciência", principalmente quando o aconselhador não está no lugar do aflito. Gostaria de deixar, aqui, algumas palavras singelas de reflexão em Lucas 12:22, quando Jesus Cristo começou a ensinar assim: "Não estejais apreensivos pela vossa vida..."

Em suas palavras Ele disse que a solicitude de resolver certas coisas, não será o meio para se chegar à solução. Jesus falou do cuidado com as aves que não semeiam e nem segam, e concluiu que uma alma, tem mais valor para Deus que as aves do céu.

O problema começa em nossa mente. Começamos a pensar negativamente e às vezes nos desesperamos. Mas, Deus não quer assim. Pare! Observe o que você estiver pensando. Jesus quis dizer que o SENHOR está no controle. Estava no controle quando Jairo foi desesperado até Ele, por causa da filha de 12 anos, à beira da morte.

Estava no controle, quando Lázaro já estava morto no sepulcro há três dias. Estava no controle, quando viu aquele cocho, doente há 38 anos, esperando o movimento das águas do tanque. Estava no controle, quando a viúva de Naim seguiu no cortejo fúnebre do seu único filho, morto.

Terremoto na Venezuela : o paradoxo e o paradigma da fé em meio aos escombros

 


Wilma Rejane 

Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente nas tribulações. Portanto, não temeremos, ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem no seio dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumem e na sua fúria os montes estremeçam. Salmos 46, versos 1 à 3.  

A terra foi transtornada na Venezuela com dois terremotos seguidos, no dia 24 de Junho. Prédios e estruturas diversas viraram poeira. Milhares de pessoas morreram, estão desaparecidas . O cenário é assolador e carente de ajuda humanitária.

A Bíblia nos ensina que a terra sofreria abalos, que os homens sofreriam. Contudo, haveria Refúgio em meio às tribulações. Parece paradoxo, contudo, é um paradigma. Há um padrão de amor e misericórdia que consola e fortalece em meio aos piores sofrimentos.

O padrão se revela nas perdas de luto pessoais, devastação de bens materiais, natureza descontrolada. Por que? Porquê a vida é graça, é favor, é milagre! Os bens são dádivas, a natureza é parte da criação e obedece ao padrão de amor.

Quando as coisas fogem do lugar, desmoronam, desaparecem. Quando somos surpreendidos e abalados, percebemos que o favor estava lá. O favor, abrigo, mantimento, era rotina. E quando tudo falta? Deus continua sendo favor. 

O paradigma das perdas, pode trazer à existência o valor das coisas que agora faltam, o valor do Deus da vida. O Salmo 46 diz que Deus é nosso Refúgio quando tudo se abala.

A janela de Êutico


Wilma Rejane 

​A história de um jovem chamado  Êutico que caí de uma janela do terceiro andar,  enquanto apóstolo Paulo pregava, está descrita no livro de Atos, capítulo 20, versos 7 à 12. O culto acontecia na cidade de Trôade, atual Turquia, em aproximadamente 50d.C.

​O nome do jovem não foi omitido, Lucas, relator e testemunha ocular do acontecido, fez questão de registrar, o que não deixa de ser uma ironia já que Êutico significa "Afortunado" ou "De boa sorte".  O rapaz despencou do terceiro andar e sobreviveu. O nome era extremamente comum entre a classe trabalhadora e escravos na Grécia e em Roma.

​O culto aconteceu no domingo à noite ou no sábado à noite, dependendo de como calculavam o dia. Se Êutico era um trabalhador ou escravo, ele tinha enfrentado uma jornada exaustiva de trabalho o dia inteiro antes de ir para a reunião.

​Lucas faz questão de mencionar que havia muitas lâmpadas no local. As lâmpadas eram alimentadas por óleo de oliva, o que significa que o ambiente estava superaquecido, enfumaçado e com baixo nível de oxigênio.

​Consideremos a hipótese de o sono de Êutico ser uma reação física natural a um corpo exausto em um ambiente abafado. Há uma forte dose de humanidade e empatia nessa descrição.

A escolha pela janela pode ter sido uma tentativa de se manter desperto observando o movimento da cidade ou respirando um ar mais puro.

O oposto também pode ser verdadeiro: Êutico escolheu a janela porquê queria encostar e repousar. Fato é que a janela se tornou um ponto crítico, de perigo e morte.

A janela pode representar o limite entre o lado de dentro (a comunhão, o ensino, a luz) e o lado de fora (a escuridão da cidade, o mundo). Êutico não estava totalmente fora, mas também não estava totalmente engajado no centro da sala.

​Quem se posiciona "na janela" corre o risco de cair para fora ao menor sinal de fraqueza. Na teologia bíblica de Lucas, o sono físico muitas vezes serve de alerta para o sono espiritual (o relaxamento da vigilância).

" Um jovem chamado Êutico, que estava sentado numa janela, adormecendo profundamente durante o prolongado discurso de Paulo, vencido pelo sono, caiu do terceiro andar e foi levantado morto."  Atos, Capítulo 20, versículo 9.

​Paulo desceu ao encontro do jovem, deitou-se sobre ele abraçando-o e dizendo "Não vos perturbeis, a sua alma nele está", Paulo repete exatamente os gestos do profeta Elias (1 Reis 17) e de Eliseu (2 Reis 4) ao ressuscitarem filhos de viúvas.

​Para a igreja primitiva, esse milagre foi a prova cabal de que o ministério de Paulo tinha a mesma autoridade e o mesmo poder dos maiores profetas do Antigo Testamento. Isso era crucial porque Paulo estava se despedindo daquela comunidade e eles precisavam confiar na solidez da doutrina que ele estava deixando.

​O que acontece depois do milagre da ressurreição de Eutico.

​Paulo não encerra o culto e manda todo mundo para casa assustado. O texto diz que ele sobe novamente, parte o pão, come e continua conversando até o amanhecer.

​A palavra grega usada no final do texto para dizer que eles ficaram "consolados" (parakaleo) carrega um sentido de fortalecimento profundo. O milagre e a mesa compartilhada transformaram o que seria uma tragédia e um trauma comunitário em uma madrugada de celebração e fortalecimento da fé.

​A história de Eutico, no fim das contas, é um estudo sobre os limites da fraqueza humana superados pela superabundância da graça divina.

Não desanime



João Cruzué

Quando estava no segundo ano da faculdade, o professor de matemática ensinou sobre o famoso ponto de inflexão da parábola. Em nossa vida cotidiana, à semelhança de uma parábola, também existe o momento da virada, em que nós paramos de descer e começamos a subir. Um exemplo muito real desta situação aconteceu com Davi, e ele está registrado em I Samuel 30.6. Recordo que este texto bíblico  foi muito útil para mim durante uma época muito difícil, tempo que passei por uma  provação de 11 longos anos de desemprego.

A luta com Golias trouxe fama para o jovem Davi. A partir daquele dia, ele começou a ser visto com um olhar de ciúmes pelo rei Saul. Foram muito poucos os  dias da sua  fama no palácio real. Caçado como um animal, fugindo da morte, Davi escreveu os versos: Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus! "Salmo 42:1".

O cervo era o orix, um animal que se escondia nas mais altas rochas dos montes de Israel para  fugir dos caçadores. Quando estava no limite da morte pela sede, ele descia do monte bramando de angústia diante dos caçadores, em busca de água. A sede extrema o obrigava se expor, mesmo sabendo que seus algozes estavam à espreita.

Davi conhecia na própria pele essa angústia. Ele foi descendo pela curva da parábola. Do matador de gigante a um foragido. De libertador a uma ameaça. O diabo sabia do propósito de Deus para a vida de Davi e procurava levá-lo a  erro para matá-lo pelas mãos de Saul. Davi era ungido de Deus, mas seus dias de glória ainda estavam no futuro. Quanto ao presente,  andava se escondendo em cavernas,  desertos e até morando com o inimigo: Os filisteus.

Não se iluda. Para conquistar uma grande bênção, Deus nos permite matricular na faculdade das aflições. Se você tiver atitudes, disciplina e muita paciência, pode correr o risco de abandonar a luta a poucos dias da vitória. Quando mais insuportável ficam as provações, menos dias faltam para o momento da virada.  Não tem jeito, só dá para descobrir insistindo - principalmente em oração, que é o exercício físico da alma.

Com apenas algumas pedras e uma funda Davi derrotou Golias

A Davi foram se juntando os homens aflitos, endividados, amargurados - cerca de 400 homens. O momento da virada na sua vida aconteceu quando  passava por uma aflição duríssima. Depois dela, a providência de Deus mudou a sua sorte.

Estando fora da cidade onde pousavam, vieram os  amalequitas e deram com ímpeto sobre a cidade de Ziclague, incendiando todas as casas e levando cativas as famílias de Davi e de seus 400 seguidores.

Quando estes homens viram a cidade queimada, saqueada, as famílias levadas cativas, entraram em um desespero tão grande que decidiram apedrejar Davi. Eles o culpavam pela má sorte. Seguiam um homem azarado.

Enquanto eles procuravam por pedras, Davi chegou ao seu limite. 

Mas ele era diferente. Mesmo naquela hora de desespero ele tomou a decisão certa: Foi buscar a face do Senhor. Mandou chamar o sacerdote Abiatar, el colocou o éfode, e Davi consultou ao Senhor.

--Perseguirei e alcançarei esses amalequitas? E o Senhor respondeu: Persegue, porque, decerto, os alcançarás e tudo libertarás! E se cumpriu.

Ah! meu amigo leitor, como esta palavra fez bem ao  coração em meus dias de aflição!

Carta da mulher de Provérbios 31 Às Mulheres Desta Geração




Nohemy Vanelli

Querida mulher,

Você me olha como se eu fosse um padrão inalcançável. Como se eu vivesse em um lugar de perfeição e constância que você jamais poderá alcançar. Eu entendo. Eu também, por muitos anos, acreditei nessa ilusão.

Me olham como a mulher que dá conta de tudo. A que acorda antes do sol, que administra, empreende, cuida, inspira, fortalece. A que não falha, que não cansa.

Mas posso te contar um segredo? Pare de olhar para o que eu faço. Comece a buscar o que eu descobri.

Sim, eu trabalho com as mãos. Sim, administro bem minha casa. Mas tudo isso só é possível porque aprendi algo muito antes:

que minha força não vem de mim. Vem do temor ao Senhor. (Provérbios 31:30)

Você vê os frutos, mas não imagina as raízes.

O melhor time de todas as copas do mundo!

 



Wallace Sousa

“Não sabeis que aqueles que correm no estádio, todos, na verdade correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis.” I Coríntios 9.24.


Se a Igreja disputasse a Copa do Mundo de futebol, ela ganharia porque…


… mesmo o diabo sendo o pai da mentira e ladrão desde o princípio, o Juiz está do seu lado;


… se o diabo quiser jogar sujo e partir para a violência, ela pode simplesmente expulsá-lo;


… temos na nossa torcida o melhor camisa 12, Jesus, que prometeu estar conosco em todos os jogos;


… quando a Igreja entra em campo, está fazendo aquilo para o qual foi chamada;


… tem um uniforme especial para qualquer partida, o capacete da salvação, a couraça da justiça, o calçado do evangelho da paz;


… seu uniforme tem as cores mais bonitas, o vermelho do sangue de Jesus, o amarelo do ouro da coroa da justiça, o azul da pátria celeste, o verde da esperança da volta de Jesus, o branco da santidade e justiça;


… seus atletas dão o sangue quando entram em campo;


… maior é O que está com ela do que o que está contra ela;


… como existem dois anjos para cada demônio, mais são os que estão ao seu lado, ou seja, tem a maior torcida;


… os jogadores mais fortes do time adversário estão com o passe preso até ela sair de campo (só sairão do abismo após o arrebatamento);


… o seu técnico, Jesus, já venceu o diabo, o mundo, a carne e até a morte;


… o seu técnico conhece o técnico adversário desde novinho e sabe todas as suas artimanhas;


… o técnico Jesus, ao se ausentar, passou a bola para o Espírito Santo, que sabe tudo;


… Ele é o mais esforçado, pois numa hora difícil até suou sangue;

Betesda ontem e hoje



Wilma Rejane

"Ora, havia ali, junto à Porta das Ovelhas, um tanque chamado, em hebraico, Betesda, o qual tinha cinco alpendres." (João 5:2)

O antigo tanque de Betesda localizava-se ao norte de Jerusalém, próximo ao Mercado das Ovelhas. Escavações realizadas em 1888 revelaram a existência de colunas ao redor do local e, em uma delas, uma pintura posterior a Cristo representando um anjo agitando as águas. Havia um borbulhar periódico da água e, sempre que isso ocorria, os enfermos se lançavam ao tanque em busca de cura. O nome Betesda pode ser traduzido como "Casa da Misericórdia", "Casa da Graça" ou "Lugar de Derramamento". Suas águas provinham da fonte de Giom, que brotava de uma rocha e irrigava os jardins do palácio de Salomão.

Betesda tornou-se um local de peregrinação. Centenas de pessoas se reuniam ali esperando o mover das águas e a realização de milagres. O lugar também movimentava o comércio: famílias levavam seus enfermos e pagavam caro por um espaço próximo ao tanque. Muitos permaneciam, limitados pela enfermidade e pela multidão. Apesar das dificuldades, Betesda representava esperança.

Betesda e as controvérsias

Alguns estudiosos questionam a narrativa do anjo que agitava as águas. Argumentam que, devido à proximidade com o santuário de Asclépio ou Serápio, deuses associados à cura, Betesda teria se tornado um centro de práticas místicas e idólatras. 

A arqueologia confirma que os romanos estabeleceram relações entre o tanque e o culto a Serápio, tendo sido encontradas colunas, efígies e símbolos ligados à cura durante as escavações lideradas por Conrad Schick.

Por outro lado, também foi comprovada a existência dos cinco alpendres descritos no Evangelho, destinados a abrigar os enfermos do sol e do frio. Além disso, o local situava-se próximo à Eira de Araúna, onde Davi contemplou um anjo do Senhor:

"E o anjo do Senhor estava junto à eira de Araúna, o jebuseu." (2 Samuel 24:16)

Assim, ainda que existissem influências pagãs, a crença na atuação de anjos é profundamente bíblica e anterior aos cultos greco-romanos.

O verdadeiro significado de Betesda

Mesmo que muitos atribuíssem os milagres a Asclépio, isso não altera o fato de que Deus é o autor de toda cura. Ainda hoje, muitas vezes Deus age e outros recebem o crédito. Betesda também retrata uma realidade religiosa presente em todos os tempos: pessoas que buscam os benefícios divinos sem conhecer verdadeiramente o Senhor.

Para muitos, o tanque era apenas um ritual; o poder estava nas águas, não no Deus que as criou. Alguns recuperavam a saúde física, mas permaneciam espiritualmente sedentos.

Lembra?




João Cruzué

É profundamente comovente ouvir alguém dizer "eu amo" não como uma declaração romântica ou casual, mas como o testemunho de quem foi resgatado. O salmista não começa sua história com doutrina ou teologia, mas com o coração exposto diz: "Eu amo o Senhor". E a razão é tão simples:  "porque Ele me ouviu". 

Às vezes, ser ouvido é tudo o que precisamos. Quando estamos afundando, quando a escuridão nos engole, não precisamos de discursos pedagógicos ou soluções instantâneas. Precisamos de alguém que escute nosso grito silencioso, inclinando-se em nossa direção.

As "cordas da morte" e "angústias do Sheol" carregam um peso que só quem já esteve lá consegue compreender. Existe um lugar na alma humana onde a luz parece ter se apagado completamente, onde cada respiração é um esforço, onde o amanhã parece impossível. Pode ser o diagnóstico que muda tudo, o luto que parte o coração ao meio, a depressão que rouba as cores do mundo, o fracasso que esmaga nossa identidade. 

O salmista não nos oferece respostas fáceis ou frases motivacionais. Ele simplesmente nos diz: "Eu também estive ali. Eu conheço aquele lugar".

E então vem o clamor. Não uma oração polida, com palavras cuidadosamente escolhidas. Apenas "Ó Senhor, livra a minha alma". Há tanta beleza nessa simplicidade. Quantas vezes nos sentimos inadequados para orar porque não sabemos o que dizer, como dizer, se estamos dizendo "certo"? 

Este salmo nos confronta com uma verdade libertadora: quando não há mais palavras bonitas, quando tudo o que resta é um grito socorro, isso é oração suficiente. Deus não precisa da nossa eloquência, mas de nossa honestidade.